
quer o poeta matar a dor. tingi-la de vermelho rubro. sangrá-la do fel que agoniza o instante. soprá-la volátil no espaço da abóbada azul. queimá-la a ferro na franja de carne da consciência. sacudi-la do corpo. ser só palavras e metáforas de alívio. prometer a aurora ao entardecer. ser luz e calor a aconchegar o espírito. quer o poeta brindar com cálice o suco dourado da vida. ceifar o amargo do momento preciso em que se cravaram as esporas. retirar um a um os espinhos tão invisíveis quanto dolorosos. que trabalho árduo o teu, poeta. tens na tinta o caldo inconfundível das cores que revestem o gérmen da dor.
6 comentários:
Há muito tempo que não vinha ler as belas palavras que sempre aqui se encontram.
:)
O poeta tem um trabalhão... e ninguém lhe paga por isso... eheheheh...
Falando sério, gostei imenso das tuas palavras. Desta vez, poéticas. Como quase sempre. Tu sabes escrever como poucos, parabéns.
Bom fim de semana, beijinhos.
quer o poeta matar a dor...acho que por vezes o poeta ainda a prolonga mais.
gostei de ler-te.
beij
...ou não fosse a arte isso mesmo, em cada forma de arte... se espelha tudo o que encerra a vida... nela a dor...
Linda!
Dois beijos e um abraço duplo e infinitamente profundo
Faltou a pergunta:
"...PORQUÊ?..." ;))
Um beijo a dividir por dois, a multiplicar por Infinito e, a transformar num xi ao quadrado!...
ser poeta é ter dores de parto a cada palavra de solidão :) um grande beijinho *
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