
A telha dos dias
A fúria dos dias atira-me conpulsivamente para o sofá, para a horizontalidade do leito. Resisto ao apelo sedutor da inacção. Chega o anoitecer e fecho as janelas à noite e à vida que me sacode e me bate como a um saco dependurado exposto a boxer enraivecido. Arrefeço esta preguiça física com actividade intelectual que não cola. Não me apetece ler, não me ligo à escrita, as tintas esperam que as mãos peguem nos pincéis e organizem uma orgia de pigmentos, os ombros caem-me numa postura inerte, o Luís Sá irrita-me cada vez mais, a corrida à Câmara de Lisboa parece-me sete(12) cães a um osso duro de roer, já vejo a Helena Roseta a ganir agarrada à canela da esquerda, a Madeleine não aparece( quanto maior o alvoroço mais se esconde o pescoço), a febre liga-me de hora a hora pela voz da minha filha, as Provas de Aferição do 4º ano vão dar que falar e a mim tiraram-me a hora de almoço.
Que é isto?! Mau feitio?Astenia da Primavera? Mas onde é que ela anda?!
O melhor é ir tomar o lítio da avó.
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