
A morte ainda esperou
Da ficção chegam intermitências da morte num tom sarcástico e manifestação irónica da decisão da mesma, ao recusar apresentar-se na existência de quem não morre nem pode voltar a viver, os moribundos. Os que no final da vida esperam o clic que alivie a desesperança do ser.
Mas, no Alentejo profundo, a morte anda, qual cavalo sem freio, assaltando nas curvaturas sinuosas os que, na dilatada planície, coam a vida sem rede.
A foice... a gadanha, na seara alheia de INEM. Mais de quatro horas a morte rondou o corpo, assobiando um cantar alentejano num prenúncio de abutre de papo cheio. A morte ainda esperou, condescendente, que à vida se desse suposição, mas cansou-se da demora e mostrou, hoje, em Odemira, o seu dom da ubiquidade.
Que daquela ninguém se livra quando chegada a hora, é certo, mas que não seja por falta de socorro que se percam vidas. O Alentejo ainda é Portugal!
1 comentário:
É a tristeza que tira a vida a uns e os sonhos a outros.
Há 30 anos não foi com isto que sonhámos, pois não?
Enviar um comentário