
Há quem fale pelos cotovelos, quem fale por falar, quem fale de papo cheio, quem fale grosso e até quem dê que falar...
Por que será, então, que o silêncio é sempre tão gritante?








juntei à água que corria em regatos de chuva o detergente de sol lavado pelas nuvens e fiz uma bola de sabão. alguém entrou nela por magia e tomou a minha bola de sabão como útero materno. alimentei-a com a seiva umbilical do meu sorriso e tornou-se uma pena no ar que eu impedia de cair. soprando de levinho mantinha a flutuante esfera translúcida num ambiente anti-gravitacional. um dia adormeci e ronquei mais forte, por via de uma obstipação nasal. a bola de sabão saiu da minha íntima atmosfera e foi projectada pela janela entreaberta. sentindo a ausência de brilho e de frescura na boca acordei sobressaltada. olhei pela janela. a bolha rebentou no ar e alguém espirrou desumanidade estatelando-se no chão.






Os gatos imperfeitos que vou pintando vão sendo distribuídos pelos amigos. Porque da blogosfera saltam amizades verdadeiras que acolhemos com abraços, aqui ficam estes dois a simbolizar o "enrosca-te a mim" que deixei no Porto. Reforço de carinho, numa tarde linda para visitar amigos de quem se gosta muito, mas que a distância impede, fazendo do telefone e meio perfeito para matar as saudades logo pela manhã.

compraram a máscara para fantasiar o país da chuva melodramática de acontecimentos. mas há muito que todos andavam mascarados. nasceram com ela os cabeçudos, num entrudo extemporâneo de frenesim arrogante, prolongando de insónias e enterros do galo, os populares. escapam aos três dias de direito e, entram a eito, ano fora, tapando as fachadas sombrias, as fuças de asno, com a lusitana complacência por assistência.
