reflexos de vida no silêncio espelhado da água. fragas de vidro em descontinuidades do olhar ...

sexta-feira, agosto 03, 2007



Alguém me pode explicar isto?


quinta-feira, agosto 02, 2007




Olhava o tecto como limitado horizonte, não se limitando, erguia vigas e placas cimentadas no corpo imóvel que no amanhecer do dia sonhava auroras. Pensava com as amígdalas, na sensação conhecida de que a cada emoção se alagavam estas de embargos pesados e, abrindo comportas, humedeciam o corpo e o rosto num fogo gelado. Duas, uma de cada lado da garganta a saberem dos segredos a alma do negócio.
Afinal quatro!, mais duas, "localizadas na profundidade dos lobos temporais anteriores. Centros identificadores de perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o corpo em situação de alerta, apontando-se para fugir ou lutar. Conjunto nuclear importante para os conteúdos emocionais das nossas memórias."
Com quatro amígdalas em funcionamento pleno, como se justificava que se comportasse como à sua ablação tivesse sido sujeita?




Para J

quarta-feira, agosto 01, 2007

19etrocaopasso


De mim...

Da menina crescida em berço de campo olho as memórias dos tempos perdidos entre achados momentos telúricos. O sabor da terra quente, sentido no lamaçal inventado, sabia a ervas de verdade com flores por descobrir em herbários futuros. Chupar o caule das azedas à mistura com deliciosas flores de marmeleiro era manjar de pequena gourmet, adocicado na brincadeira partilhada, percorrida entre hortas desenhadas em esquadrias sábias da enxada e jardins de intenso cheiro a buxo, trazendo a magia da descoberta.
Motricidade trabalhada na global interacção com o espaço, sentida nos arranhões,nos joelhos esfolados, nas lascas invasivas, nas unhas que subiam as árvores como garras de felino. Ao fim do dia, mugia-se dos limões suco que arredasse sujidade em unhas de carvoeira. No Verão, ao calor expunha cabeça que do chapéu só via serventia para assento, e a cor da pele trigueira metia a mana em apuros" Mãe, vou lavar a Ti com lixívia". Corre-corre de gargalhadas e de sermões.

Quem se servia das unhas desta maneira a elas não dava valor comestível. Nunca dei, nem dou! Aos conselhos empenhados para não roer as unhas, aqui fica escrito, por linhas tortas, que não as roo, senão para figura de estilo aplicada a estados de alma. Não sendo as mesmas amêndoas perfeitas, andam sempre no tamanho certo que não me empate afazeres de meter a mão na massa. Aparadas de peles que rejeito, assim como de vernizes de cores, resplandecem brilho suave que olhos conhecedores sabem dos segredos da manicure ser a base, que em duplicada camada, me chega. Tomaria eu desdizer igualmente vício que as amarelam. Mas um dia destes saberão dessa pequena vitória.

segunda-feira, julho 30, 2007



Por trás dos reposteiros ( novos, que Verão implica mudança para mim) distendo-me do calor abrasador que ferve o sangue de quem trabalha lá fora. Que posso eu fazer? Solidarizo-me. Do ar condicionado fica a secura das mucosas infiltradas em carvão, pulverizado por Slims que para mal dos meus pecados, não largo. O trabalho nas minas é duro! O país serve-se lento, longe das sestas assumidas, perto da languidez da produtividade, a meio-gás, que, A Gosto, vem a caminho pausa merecida para a maioria dos portugueses. Que o diga Paulo Portas que promete feroz oposição para Setembro, que agora com este calor não dá jeito nenhum. Façamos uma pausa que o tempo é de navegação nos iates onde todos(?) somos praticamente amigos...de bebidas estupidamente frescas e de roupas leves e corpos bronzeados e assim...


Entretanto no Jardim fresco, que possuímos(?) algures há "um bicho-carpinteiro que vai moendo a Madeira por dentro"e raspando o que não lhe convém para o "contnente". Já que esta coisa dos referendos aborta facilmente nas águas atlânticas, desde que não seja um escorrega tipo Aqua-show de euros . Que as leis da República se aplicam a todo o território nacional, tinha eu certeza em mim, mas parece que o calor me afectou o sistema neurológico ou estou mesmo a viver na república dos bananas, que se vão refrescando com gelados, batidos de fresco álcool e salada de frutas oxidada pelas temperaturas altas lá de fora e mornas águas de interno descontentamento.


Eu fico assim! Irónica e de garra afiada, desde que deixei de roer as unhas e passei a usar endurecedor e vernizes. Qualquer dia deixo de fumar, passo a roer as unhas novamente e mostro a psicopata que há em mim.

domingo, julho 29, 2007



Sun-tarém


A 10 de Março de 1147 sai de Coimbra um exército composto por alguns Templários, cavaleiros e peonagem, num total de 250 homens, comandado por Mem Ramires, com o fim de conquistar o burgo de Santarém aos Mouros.
Na madrugada do dia 15, depois do sono ter vencido as sentinelas, que se encontravam nos postos de vigia, Mem Ramires e os seus homens entraram no burgo e sem grandes dificuldades, tomaram Santarém.


Hoje, foi a vez do sol, qual toiro enraivecido, apanhando a campinagem a dormir, instalar-se no centro do Ribatejo, como se não houvesse outro lugar para abancar! Dos 42º previstos, aos 45º já chegou! A cidade mais quente do país começa a olhar para o Alqueva como oásis, percebendo que Além Tejo as temperaturas se vão refreando, enquanto o Tejo parece regato de sopa fermentada, cuspida no leito por espanhóis sovinas!

sábado, julho 28, 2007


Porque hoje é sábado e está um dia lindo lá fora...


Um professor de Matemática quis pregar uma partida aos seus alunos e disse-lhes:
- Meninos , aqui vai um problema:

Um avião saiu de Amesterdão com uma velocidade de 800 km/h, à pressão de 1.004,5 milibares; a humidade relativa era de 66% e a temperatura 20,4 graus C. A tripulação era composta por 5 pessoas, a capacidade era de 45 assentos para passageiros, o banheiro estava ocupado e havia 5 hospedeiras (mas uma estava de folga).

A pergunta é... Quantos anos eu tenho?

Os alunos ficam assombrados. O silêncio é total. Então o Joãozinho, lá no fundo da sala e sem levantar a mão, responde:
- 44 anos, professor!
O professor, muito surpreso, olha-o e diz:
- Certíssimo. Eu tenho 44 anos. Mas como adivinhastes?
E o Joãozinho :
- Bem, eu deduzi porque eu tenho um primo que é meio parvo, e ele tem 22 anos...

sexta-feira, julho 27, 2007



Quando há alguns anos me deparei com o livro" Uma Infelicidade Maravilhosa" de Boris Cyrulnik, estanquei. Do autor pouco ou nada sabia. A antítese dos conceitos não me permitiam a concordância. Desconfiei, mas instintivamente peguei no livro, na certeza que após breve leitura, um sorriso de descrédito me confirmasse o que assegurava: nunca a infelicidade poderia ser válida a ponto de se adjectivar de maravilhosa.Charmar-lhe-ia dolorosa aprendizagem, nunca título que se aliasse à Alice no seu mundo. Que disparate!
De pé, li. Currículo do autor interessante, bibliografia magnífica. Interessei-me e comprei.
Relatos de gente (sobretudo crianças), que perante a desconstrução de seu quotidiano encontraram a força para enfrentar e superar a adversidade com a coragem dos heróis.
Verdadeiras epopeias psíquicas que transformam o caos e o desequilíbrio num estado maior de força e de triunfo certos. Resiliência. Foi nesta altura, que a palavra carcinoma me ferrava a bisturi o corpo e a alma, que contactei com o conceito e percebi, na prática, que é possível aplicá-lo." O sobrevivente é um herói culpado por ter morto a morte".
" Quando a realidade é terrível, o sonho dá-nos uma esperança louca. Em Auschwitz, ou durante a guerra..., o super-homem era um poeta".

Dedicado ao Luís e à Ana, com todo o carinho.



quinta-feira, julho 26, 2007


Fotografia roubada aqui.

Gosto de o ser. Mulher sem anos de solidão. Vida comprimida num corpo repartido pelos afectos que me ligam aos outros que me estão próximos e por quem vou tendo o privilégio de me cruzar. Que me dou pouco, peno eu, que me dou demais, alguém me diz. Na entrega de uma palavra, de um sorriso, de um aconchego encontro a demasia certa, quantas vezes esbarrando no excesso de um troco que não mereço. Tenho o que escolhi e dou a quem me escolheu. Na permuta a realização. Na blogosfera sei de nomes, de nicks, de pessoas integras e inteiras que crivei de poeiras estéreis e me engrandecem os momentos de deliciosa ( in)solidão. Visito-os, habitualmente, ao fim do dia. Bato-lhes à porta, tomamos juntos tisana que não dispenso, rio, aprendo, comovo-me, e num até amanhã camaradas me despeço, quantas vezes sem um comentário ter escrito, mas com a certeza de que ali irei voltar. Porque esta comunidade pode...tem, uma força imensa que já se percebe e quem viver verá, gosto de aqui estar.


A Teresa, incluiu-me numa corrente. Não vou partir o elo e encaminho-a para dez blogs que, também eu, gostaria de poder folhear em livro. Se dispensarem o desafio não lhes vai acontecer nada, só uma certeza podem ter : lá pela noitinha eu sentar-me-ei a ler-vos.

quarta-feira, julho 25, 2007



Sonho


A lua banha-me rente. desce em escadaria pela noite fora e pousa-me nos pés da cama onde me deito acordada. silenciam-se as palavras em mostras de gestos inacabados. traduzidos pelo centro do corpo que arde em fogo brando. sustento o ar quente como floresta tropical e salpico-me de sal e húmus. fertilizo o pensamento nos búzios trazidos pela noite e da líquida vegetação transformo a seiva do lugar em alimento sussurrado pelo vento. ondulam prenhes as flores. tremo. a lua caiu redonda no meio da minha cama e eu sou luar e fios de prata e não tenho olhos senão para as crateras que cravou em mim. a noite. pouso a lua no chão. acordo com o sol beijando-me os olhos. incandescente. sonho.

terça-feira, julho 24, 2007




Do fundo da gaveta...(2)

na maciez audível vibram as fibras da carne num banho de ternura alado. sabes da cor dos meus dias como da recta a imensidão. infindável. entre perpendiculares sentidos. obtuosidade aguda nas coincidências singulares. extraordinária proximidade entre mundos paralelos que coincindem para além das regras da geometria palpável. abstracção desmedida entre mãos sem olhos que se entrelaçam ao amanhecer e permanecem em dádiva perante o ocaso da razão. leitura de sons acolchoados num solfejo estremado em escalas de ser sem ter. ausência presente no seio do sol. no colo da lua. embalando constelações em cama de mar. vai-vem na maré que traz os fios da voz. sentida.

segunda-feira, julho 23, 2007




Chegam os dias sem despertador como adereço principal do acordar e madrugo mais cedo, sem sono. A claridade apressada, nesta altura do ano, espreita cedo os recantos do quarto, sucumbindo a sombra dos objectos conhecidos, que rapidamente se reposicionam nos lugares costumeiros, após orgia nocturna. Dia após dia vêmo-los ali na estética esquadria de um dia, longínquo, de inspiração.
Levanto-me de mansinho, para não os assustar. Dos pés saem raízes que se prendem ao núcleo central da terra, não levante eu voo etéreo na leveza dos dias.
Há muito que a passarada da vizinhança conversa numa estridente praça de jorna, regateando o melhor lugar para atacar a comida do Baltazar que dá de bandeja vida fácil a quem por aqui arranja ninho, ou pernoita nas árvores que ladeiam o quintal. Indiferente, o bicho teima com o sono, que lhe pende timidamente a língua entre dentes e a imagem de dona fora de portas tão cedo. Já são horas de passear? Levanta só a cabeça ainda com a língua entre portas. Quer perceber se é mimo nocturno ou se deixou passar a hora. Dorme Baltazar, vim só beber a frescura da manhã e um copo de leite morno.
Regresso à horizontalidade agora ainda mais acolhedora. A vela está torta, a jarra sem flores, as molduras...levanto-me e abro a janela. Hoje, vou mudar o quarto! A madrugada sempre me inspirou.


domingo, julho 22, 2007


Interiores da noite...( má língua)


Não se faz anos todos os dias! Há que comemorar! Estamos todos de acordo. Na recepção a diferença: entrada no bar com pulseira hoteleira em regime de pensão completa ou triagem hospitalar. O aniversariante à porta vestido num rigor bacoco fez-me lembrar o pai no dia do casamento. Casaco branco com linho por nobre escolha fere a vista ao primeiro embate, sapatilha prateada chiando a novo, t-shirt negra onde as letras de prata esboçam uma frase que não dá para ler, devido ao abotoamento certeiro do casaco que apetece desabotoar e mandar ao ar, talvez desse jeito à lua que, na noite inesperadamente fria, vive num quarto crescente de arrepios.
Circula na festa com o ar de anfitrião zeloso para que nada falte, dando ordens com a exigência de quem paga. Afirma-o, alto e bom som, altivo, para que não fique a dúvida de quem manda ali. Charuto cubano na boca que nunca fumou, valha-nos isso! Pasmo! Espero um sorriso que me mostre o dente de ouro, olho a mão na busca da unha adulta e cachucho digno, imagino pulseira e fio de ouro, arreganho o dente para adivinhar o quilate. Abano a cabeça e desfaço a imagem, afinal vi-o crescer!
Da alegria dos 27 anos, não vi o brilho nem sombra. Melhor, só sombra. Sobra-lhe em carros e motos o que lhe falta em acerto. Mal cumpridos e desarrumados aos anos vai somando a arrogância do dinheiro do pai. Mas a este e à zelosa mãe responde com rei na barriga criada a batata frita e a bifinhos ainda hoje limpos de gorduras pelas mãos da progenitora. Um pequeno ditador, na casa sede, que nada faz digno de registo, nem mesmo fingir que estuda. Mas o desejo da noite era mesmo ter casa própria. Paga pelo pai, claro! Lá chegará.

sábado, julho 21, 2007

Hoje, começam as minhas férias! Devia sentir-me assim!







Mas sinto-me assim!




Isto passa!



Porque hoje é sábado e está um dia lindo(?) lá fora...

Dois gajos loiros estavam a trabalhar para o Departamento de Urbanismo. Um escavava um buraco e o outro vinha atrás e voltava a encher o buraco. Trabalharam um lado e outro da rua. Passaram à rua seguinte. Sem nunca descansar. Um escavava um buraco e outro enchia o buraco outra vez. Um espectador divertido com a situação, mas não entendendo o porquê do que eles faziam foi perguntar ao cavador:


- Estou impressionado com o esforço que os dois põem no trabalho, mas não compreendo por que é que um escava um buraco e, mal acaba, o parceiro vem atrás e volta a enchê-lo.O cavador limpando a testa suspira:


- Bem, isto pode parecer estranho porque normalmente somos três homens na equipa, mas hoje o gajo que planta as árvores telefonou a dizer que está doente.

terça-feira, julho 17, 2007



Nas águas mornas do teu colchão

banho-me de espuma.

Vetusta a esperança

se alimenta dos sabores adocicados

da luz trémula da vela que nos vigia

cobiçando o dealbar da realidade

sonhada

propagado em brilho intenso

suspenso no prazer

que se prolonga

para além do estar.

Levito!
Do fundo da gaveta...(1)


A luz do dia acordou cedo esboçando em traços cruéis a imprecisão das horas por viver. Dormias sem sonhar a vingança do outono... o verde das tímidas folhas, veladas no botão embrionário, anoiteceram já velhas, secas, embutidas da dor do nado-morto. Nasceram fora do tempo e a transgressão as levou. Das perenes fez-se a coroa e alinhavada com dor cravejou-se na tua cabeça.

segunda-feira, julho 16, 2007




Post embrionário não publicado a 10 de Junho

Passa-se pelo dia como quem vai ali e já vem! Jangada de pedra sem rumo, ou então, com os descobridores de caminhos desconhecendo dos astrolábios os segredos da navegação. Palas nos olhos e toca andar que a onda vai nesta direcção.

Adenda:

Depois das eleições por Lisboa e da vergonhosa abstenção, não me choca nada que se leia isto:"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha". Aliás, há muito que me sinto . Quem não exerce a cidadania não merece outra coisa!

domingo, julho 15, 2007


Diz quem me conhece que sou pessoa calma. Descamo a pele e procuro encontrar essa serenidade que, no pregão alheio, não se identifica...totalmente. Sinto uma maternidade fraterna com a vida e com os que me cercam. Ouço-os no colo da isenção, sem dedo em riste nos modos, entendendo que cada um é emaranhado de seres criados por nós que se atam e desatam na sensibilidade pessoal, sustentada nas pregas alinhavadas com o mundo, cosidas com linhas cruzadas em pontos complexos que muitos esqueceram o preceito, mas registam no jeito a súmula final.

Aos extremos sou adversa, aos caprichos sem propósito retiro-me, aos impulsos descontrolados olho de soslaio. Reservo dificuldade em entender o descontrolo. Aplaino filtros de malhas precisas mas arremelgo os olhos quando pressinto egos fora do tónus, com recorrência a vitaminoses de soberba, de exagero, de prepotência, de bicos de pés sem ponta por onde se pegue. Centros umbilicais causam-me enfado. Retiro-me. Serei calma na frontalidade assertiva, das palavras ditas na procura do encontro com o outro, na capacidade de rir das fraquezas assumidas sem moléstia de dor.

Lavam-me os pés, para meu desconcerto, pegam-me na planta dos mesmos e, em toques, localizam-me órgãos em reflexologia que desconheço. Só sinto alfinetadas onde a calma se acaba e começa o cansaço de ser calma. Alerta a precisar de meditação.

sábado, julho 14, 2007





Porque hoje é sábado e está um dia lindo lá fora...


Por que cantadas em loiras nao dão certo???


(MALANDRO) - Oi gata... Qual é seu telefone?
(LOIRA) - Nokia. E o seu?
(MALANDRO) - Uau! Isso aqui é uma calçada ou uma passarela de moda?
(LOIRA) - Hum, agora você me pegou... É que eu não sou daqui. Então não sei te informar...
(MALANDRO) - Eu não tiro o olho de você!
(LOIRA) - Ainda bem, né? Senão eu fico cega!
(MALANDRO) - Nossa! Eu não sabia que boneca andava!
(LOIRA) - Sério? Nossa, você tá por fora, hein? Já tem até Barbie que anda de bicicleta!
(MALANDRO) - Que curvas, hein!
(LOIRA) - Nem me fala... Eu bati o carro 7 vezes pra chegar nessa festa!
(MALANDRO) - Esse seu vestido vai ficar lindo jogado no chão do meu quarto!
(LOIRA) - Quer comprar um igual pra fazer um tapete? Eu te indico a loja...
(MALANDRO) - Eu quero o seu amor, gata!
(LOIRA) - Espera só um pouquinho... Amô-or! Tem um moço aqui querendo você!
(MALANDRO) - Me dá seu telefone, vai!
(LOIRA) - Socorro ! Um assalto !
(MALANDRO) - Meu coração disparou quando eu te vi!
(LOIRA) - Socorro! Alguém ajude! O moço está tendo um ataque cardíaco!
(MALANDRO) - Quer beber alguma coisa?
(LOIRA) - Ai, que bom que você apareceu, garçom!




doem-me as pálpebras nos muros fechados, sangram as pétalas nas retinas murchas, agridem-me as palavras sufocadas no mar revoltoso que me encharca a garganta. queimam-se a carvão os traços desenhados no sonho sem sono. só noite. uiva o vento desdenhando o verão em templos perdidos sem si. chilreiam as folhas verdes entre os ramos secos que me ofereces e busco no ninho a asa partida. perdida. solta do corpo e dorida no ventre que se expande em volúpia adormecida. sabia. sei. do teu medo de saber a verdade corroída sem norte. perco-te nas poucas palavras que me dás. sem vida. seco e incho de dor. desmedida.

sexta-feira, julho 13, 2007

Num esforço de arre macho empurro-as. Arqueio as que se lhes sobrepõem numa tentativa vã de lhes dar firmeza. Insistem na queda livre para o amparo sonhado. Se cais queimas-te! Não importa!Nenhuma tentação lhes surge como ânimo. Resistem à luxúria da vida, a saber: despachos ministeriais, e armam-se em moles membranas que se quedam no encosto. Imóveis, pesadas, sem viço. Os cílios envolventes, quais vigas de fino ferro, cerram-se como portadas ionizadas.

Homessa, não consigo abrir os olhos!O raio das pálpebras tombam na cama do sono, sonham mergulho de alívio e eu teimosa fecho uma de cada vez.

Já foram todos de férias?

quinta-feira, julho 12, 2007


Longe vão os tempos da minha meninice mas a eles volto com a regularidade das memórias vivas, dos sítios que percorro, dos cheiros sentidos, dos sons que enchiam o meu quotidiano e que agora se tornam alerta e apontamentos de lembrança.
Uma vida guardando dentro e fora de nós tudo o que nos fez assim e não diferentes. Reminiscências de um passado-presente, pela importância , pelo mérito ou desmerecimento tal, que cravou à nossa passagem uma marca inalterável pelo tempo. Sinais distintos no correr dos dias e da vida.
Aqui sentada, ouço o vento que varre a planície, neste dia ainda quente. Insiste, hoje, em mostrar a sua força, ensaiando uivos para mostras vindouras. A folhagem das árvores, desnorteada, murmura segredos de dor e de esperança.
Vento que me traz um tímido e longínquo cantar de galo, como se de um garnisé se tratasse. Rapidamente recuo na máquina do tempo instalada no memorial afectivo.
A casa da madrinha. Visitada nas tardes de sábado ou de domingo. Outeiros menos urbanos, então. Espaços bucólicos, onde a liberdade de acção e de descoberta me era entregue de mão-beijada sem repreensões de maior. Menina na casa de filho-homem perdido. Alegria bem-vinda e acolhida entre beijos e aclamações de extremados afectos, para meu regalo e aprovação.
Entre tanques de rega e campos cultivados me perdia, brincando com tudo e com nada. Brinquedos inventados na urgência de quem se diverte com as coisas simples que a natureza oferece a quem tem tempo de a observar.
Pela tardinha, o galo cantava. Canto grave e roufenho como se o cansaço da lide e do tagarelar da capoeira lhe retirasse a limpidez da voz, ao fim do dia. E aquela coisa espantosa que me acontecia em simultâneo" Madrinha, cheira-me aqui a pão fresco!"Entre risos e abraços preparava-se o lanche com compotas, que tu tão bem sabias fazer.
Sentada entre estendais e os últimos raios de sol, saboreava a merenda e os dias de felicidade ingénua e plena que me enchiam de tranquilidade e de paz.
Madrinha, ouvi o galo cantar! Cheira-me aqui a pão fresco!

quarta-feira, julho 11, 2007




Momentos inacabados


Subo aos olhos fechados a escada de madeira encaracolada no trilho. Degraus de libertação de fim de dia onde entro no mais intimista dos meus mundos. Aqui podo e recolho os sabores da vida, da que me deu o novo amanhecer que agora se alaranja em cama de terra e mar. Filtro nas paredes que me envolvem os ecos, beijo a terracota da chávena de chá que bebo, escrevendo, pintando, desenhando a sanguínea redondos momentos entartarugados no corpo dos dedos que liberto.




Estes momentos são meus e teus que paraste e me lês. A Ela agradeço o querer- Dos outros, os momentos.

terça-feira, julho 10, 2007



Passam rostos, tocam-se mãos, trocam-se olhares, soltam-se risos, ideias, conceitos. Na nata dos dias ficam vagas ou profundas vontades de saber mais de quem se cruzou connosco na vida. Alguns, vivem ali diariamente, partilhamos os mesmos espaços, mas não vivem em nós. É como se as sementes não germinassem pela falta de nutrientes, salobridade distante que impede a fecundidade, manta-morta desnutrida em salgadiço terreno.

Outros alimentam as relações na distância como se presentes diários nos enviassem ao ser. Vêmo-los como ocasos na solidão, sabê-los é ter companhia certa e, dos momentos vividos no plural, fazem-se festas que nos animam as ausências.



segunda-feira, julho 09, 2007



Uivam os ventos num desnorte de mudança geológica, batendo nas portadas das gentes atadas na sorte da inversão do magnetismo polar. Regista-se nos corpos o que das mentes emana entre derivas e certezas por catalogar. Sintomas genéricos sem marca registada que indique composição melhorada para cura promissora. Prevenção varrida das tábuas bíblicas por vento holocáustico da humanidade insana. Fragmentos de alento anuem aos restos de valentia que se empurram a soldo de vontades cansadas. Saem p'rá vida como descontinuidades, como a escrita que se lê aos solavancos. Perra.

domingo, julho 08, 2007


Reclamam-me. Desço às alturas das exigências diárias com a mente ausente nas catacumbas que pairam atmosfericamente, longe das cavernas metafóricas de Platão. Espero!Massajo o plexo solar contrariando o movimento biológico do relógio. Inspiro. Reparo nas moscas mutantes que me surgem do nada e no alado movimento Live Earth sustento a esperança da quebra da inércia. Medito. Nas Sete Maravilhas da noite viajo ao piano com Chopin. Sereno. O Ribatejo fora da classificação nacional, mas a nova Passagem da Lezíria a unir-nos as margens. Atravesso-me. Descalço o betão e entro no rio em barco desbotado pelo tempo, incito os cães que me seguem a nado sabendo da corrente as manhas. Risco as águas frescas e limpas da memória com as mãos que tive. Encontro-me.

quinta-feira, julho 05, 2007


Estico com o olhar o lençol escuro que percorre a planície. Da janela aberta de mim para o mundo, hoje cheira a Verão . Na borda d'água coaxam batráquios lançando no ar o retinido cheiro a lamaçais quentes. O bordo alaranjado do horizonte entre pinceladas de azul e salpicos de luzes promete manhã luminosa e tecidos leves entrelaçando os corpos na vida. Sinto uma leveza curtida no ar morno que me invade e a brisa sai de mim em lufadas de vapor sereno.

Ponho o "cavalo" no estábulo e ajeito-lhe ração de ânimo. Amanhã recomeçamos. Agora é tempo de sentir.

quarta-feira, julho 04, 2007



Obrigada Xantipa!


Tenho andado tão arredada da blogosfera que só agora reparei que tinha um prémio! A Senhora Sócrates atribuiu a este modesto blog um molho de grelos que sinto alguma relutância em aceitar, pela invisibilidade a que me remeti, ultimamente. Do gosto pela escrita não me safo é verdade e que ela me tem acompanhado no meu dia a dia também. Só que noutras andanças que da escola não são alheias. Há quase duas semanas que vi as minhas crianças dizerem-me adeus entre abraços e sorrisos e promessas de saudades já sentidas e, no entanto, presencio as minhas tarefas a grelarem no tempo, numa desdobra de mim que tem sido difícil de gerir. Coisas de professora "quase" titular, sobre quem recaem cargos e mais cargos que se abraçam na responsabilidade e dela se alimentam.
Cuido da horta como posso e dos vegetais perfilho o paladar, excepção feita aos ditos humanos que me enfadam na ausência de fotossíntese cerebral.
Pois, está entregue o ramalhete dos grelos e, agora tenho de nomear cinco mulheres, com blogues não colectivos, ( vai ser difícil, porque já estão quase todas aqui da lista ao lado servidas... meritoriamente) e enviar para o blogue com grelos.

Encaminho o prémio para: Once in a while, Serendipity, Fábulas, Estes Momentos e Leonoreta.


«O Prémio "Blogue com grelos" premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta, ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e com isso tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor. A escrita no feminino, em toda a net lusófona tem que ser distinguida»


sexta-feira, junho 22, 2007

Runaway

Este blog encontra-se neste estado de penúria escrita! Valha-me o Santo YouTube e haja música na ausência das palavras que se adivinha prolongada.

terça-feira, junho 19, 2007

Silêncio

...que eu preciso trabalhar!

segunda-feira, junho 18, 2007

domingo, junho 17, 2007

Maxwell-Ascension (Don't Ever Wonder)



Eu bem disse que ele estava desfraldado! Do outro já lhe colhecemos a incontinência fecal com que aromatiza o planeta!

Utomlennoe Solnce

Hoje quero entender pela estética, estática nas palavras, que só uma linguagem que desconheço me seduz, recorro à internacionalidade dos sons num misto de guerra fria sem armas de arremesso.Com lenine na gaveta das recordações capitais e putin desfraldado.

sábado, junho 16, 2007

Crazy

Na tarde de chuvas mornas, esperando que aconteça...o Verão.


Em Abril queima a velha o carro e o carril, uma camba que ficou, ainda em Maio a queimou e guardou o seu melhor tição para o mês de S. João.

Na inveja adulta, observamos os rostos contorcidos em sorrisos assimétricos, a fuga dos olhos, a lama estampada na curva frouxa da alma. A tez que, mudando de tom, denuncia o horror do não querer como lâmina lancinante do não ser capaz, do não poder. Da cobiça, salivam papilas de veneno subtil que inundam a boca do cuspo bolorento da mente perversa. Lavam-se as palavras em rios poluídos, secam-se-lhes os afectos num sol de escárnio e vestem-se, na pele da língua, como mortalhas traçadas e velhas. Protegem-se em silêncios de denúncia, na calúnia cobarde em actos de desepero amargo. Enfeitam-se de feio e triste, os semblantes. Salivam cães de penúria infesta. E a caravana passa diante de nós traçados ( a)penas.

quarta-feira, junho 13, 2007

Menina dos Olhos de Água

À menina que acorda nas madrugadas tejanas e adormece velhinha com olhos postos no mar.


Os dias vão passando assim cheios como um ovo, sem esperar que a gente separe a clara do dia da gema da noite. Sinto-me uma omelete atirada para a fúria das horas que perderam minutos no trânsito do tempo.

sábado, junho 09, 2007


Ora aqui está uma alternativa que faz todo o sentido.

quarta-feira, junho 06, 2007


Ensaio

Prendes à porta trancada a alma por fechar. estremeces sempre que ela se solta abrindo sorrisos nas vidraças das esperas. cimentas brechas por onde fluis em ondas involuntárias renovando a medula de seiva. alargas-te em quereres que aceitas como dádivas generosas e serenas sem saberes como nem porquê. recebes no corpo das mãos o que rejeitas sem convicção no peito. morro no lado de fora da vida murada que teceste de orgulho. percorro-te na insegurança do não valer a pena e mostro-te a beleza de ser hoje. com um sopro levanto as tuas paredes, instalo um tecto de azul e mar e nas portas navegamos rumo ao sonho inacabado.

sexta-feira, junho 01, 2007


Nas tuas mãos desenho, a sépia, o futuro que só tu saberás as cores.

quarta-feira, maio 30, 2007


Apesar da nebulosidade, o dia amanheceu pedindo ligeireza nas vestes. Maio a finalizar e apetece renovar a imagem. Greve geral às masculinas calças e toca de enfiar uma saia bem feminina numa cor que alegre a Primavera envergonhada que temos experimentado. Fiz greve. Assumida. Às calças também. Mas, na generalidade, o dia correu mal, devido à política caseira que, da outra, já mostrei o meu (des) agrado.

Escolhido um espaço ao ar livre para fazer umas compras que urgiam do calendário aniversariante do pessoal TODO cá de casa, aí vou eu aproveitando a tarde para a tarefa, sempre agradável, quando não se levanta um vento curioso que nos descobre a toda a hora o que era suposto a saia esconder.

Houve quem visse como resultado da greve, que fiz, 12%; houve quem visse 80%; eu senti-me nua e atraiçoada pelo vento e por quem não mostra tento. Amanhã volto às "calças"!

domingo, maio 27, 2007



Santarém investe 1,7 milhões de euros no projecto



"O Jardim das Portas do Sol, a sala de visitas de Santarém que aguarda há décadas por obras de melhoramentos, vai ser requalificado. O presidente da câmara, Francisco Moita Flores, quer dar um novo impulso ao jardim mais emblemático da cidade, com financiamento do programa Polis. O custo da obra será de 1,7 milhões de euros e deve estar concluída no prazo de um ano.Já foi elaborado um projecto prévio por uma equipa de técnicos da câmara, que permitiu lançar o concurso público na segunda-feira. A complexidade do projecto deve-se ao facto do jardim se encontrar numa zona sensível de barreiras instáveis, parte das quais desabaram há seis anos atrás, destruindo dois troços de muralhas medievais, e ao elevado potencial arqueológico do local, que contém vestígios de ocupação humana desde a Idade do Ferro. O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, afirma que se mantêm a filosofia de intervenção, que pretende preservar o jardim romântico, e o programa definido por uma comissão que integrou o arquitecto Ribeiro Teles. Para não perder mais tempo, os técnicos da autarquia elaboraram já um projecto prévio para a requalificação. A valorização do Jardim das Portas do Sol vai implicar a construção de uma nova estrutura de apoio de bar mais leve e contemporânea do que o actual quiosque que será demolido. Será criado um centro de interpretação de apoio ao visitante, com um percurso arqueológico apoiado por sinalética e painéis.O espaço da antiga alcáçova vai ser o ponto de partida para os percursos histórico-culturais da cidade. Vão ser instalados dois miradouros virtuais para auxílio na interpretação e observação da paisagem da lezíria. O projecto contempla a construção de um anfiteatro para espectáculos ao ar livre e um parque infantil. O jardim das Portas do Sol ocupa uma área de 17 320 metros quadrados."

In DN de 27/05/07

Ando a braços com um sonho que não entendo. Não sendo exacto na sequência dos acontecimentos, traz na matriz o mote. Entre ateia e agnóstica me situo e da religiosidade na educação não me safo. Nesta trilogia balanço com a razão a tombar para o cepticismo e o sonho a revelar a necessidade de confissão.

De criança, me lembro da importância que teve em mim a professia quando me anunciava que " A mil chegarás de dois mil não passarás". Recorrendo à matemática da minha vida, depressa percebi que aos quarenta seria apanhada pelo novo milénio e a premonição me arrastaria para o além. Seria velha. Assim me via. Embora, as constantes referências das "raparigas da minha idade...", apregoadas pela avó de sessenta anos, me remetessem para a dúvida. Seria amputada do viver que tanto queria, mas a distância tranquilizava-me e a idade esclareceu-me.

Vejo-me, agora sonhando, emprateleirada à espera do juízo final! Viva e esperando a chamada para julgamento.

Homessa!, mas isto não me diz nada! Os balanços com a consciência vão sendo feitos em sururus internos que do grave não se alimentam nem nele resvalam. A contas com a vida já me senti e a ceifeira da mesma já me rondou em neoplasia que venci. Redobrei no ânimo, deixei crescer as garras em jeito de âncora e, saboreio as alvoradas com colheradas de renascimento e gula de viver. Sugo dos dias a frescura e a serenidade dos quarenta, numa entrega que transforma esta década na melhor da minha vida.

Da leitura nocturna, Orhan Pamuk, em Cidadela Branca, têm-me feito companhia e, alheio ao sonho repetido não será inocente. Espelhos... muitos "espelhos", onde se mistura a realidade e o sonho, uma fábula sobre identidades, onde a questão principal reside em "por que é que eu sou eu?"

Talvez seja o contágio da leitura e esta questão filosófica que me levam a esperar que alguém superior a mim, me diga finalmente, se eu sou aquilo que penso ser, se sou o que vivo ou o que sonho, se...se...se... crises existenciais sempre latentes.

quinta-feira, maio 24, 2007



Poema do Rodrigo, um aluno de 8 anos, que gosta de poesia. Congelem-me a progressão na carreira, mas haverá sempre alguém perto de mim que me manterá a chama acesa. Só por eles vale a pena continuar.


Viver a brincar...

Os adultos diriam:

gostava de ter vivido a brincar!

Um sonho que toda a gente queria realizar!

Impossível! Dizem outros.

Quem é adivinho não diz isso

diz que somos crianças para todo o sempre!

Mas como?

O importante não é a nossa idade

mas sim uma estrela que temos dentro de nós.

Uma luz que nunca se apaga

mesmo quando estamos sós!!!

O importante é não desperdiçar isso

os brinquedos que temos

o amor que nos dão!

É só isto que vos digo:

libertem-se!

Vão ver que conseguem voar até ao outro lado do mundo!

Isto tudo é:

Viver a brincar!

terça-feira, maio 22, 2007

You Make Me Feel Brand New


Ligação directa ao desprezível sentimento da indiferença. Antes vernáculo palavrão que punhais de distanciado silêncio. Sabido, construído, planeado. Bebeu da àgua até saciar a sede e nos últimos goles sente-se o vómito do ego cheio. Pronto a cuspir o alimento que lhe deu energia de erguer a sombra que já não o seguia. Já não precisa, dispensa, ignora, evita, expele da voz o tom da fartura, em evasivos reparos de ocasião. Rápidos, esquivos, assombrados pela crueldade que sabe ferir mas que sadicamente gosta de infligir como vingança exterior de um interior recheado de orgulho.



Tenho a alma a pingar...acho que me piquei nas silvas! Restam-me as nódoas de amora que se esbateram em mim, restos de sucos silvestres que apanhei ao entardecer.

O que vale é que não tenho tempo para pensar em arranhões, chagas e vermelhões, trato tudo com betadine pró corpo que a alma o há-de absorver.

segunda-feira, maio 21, 2007



A telha dos dias



A fúria dos dias atira-me conpulsivamente para o sofá, para a horizontalidade do leito. Resisto ao apelo sedutor da inacção. Chega o anoitecer e fecho as janelas à noite e à vida que me sacode e me bate como a um saco dependurado exposto a boxer enraivecido. Arrefeço esta preguiça física com actividade intelectual que não cola. Não me apetece ler, não me ligo à escrita, as tintas esperam que as mãos peguem nos pincéis e organizem uma orgia de pigmentos, os ombros caem-me numa postura inerte, o Luís Sá irrita-me cada vez mais, a corrida à Câmara de Lisboa parece-me sete(12) cães a um osso duro de roer, já vejo a Helena Roseta a ganir agarrada à canela da esquerda, a Madeleine não aparece( quanto maior o alvoroço mais se esconde o pescoço), a febre liga-me de hora a hora pela voz da minha filha, as Provas de Aferição do 4º ano vão dar que falar e a mim tiraram-me a hora de almoço.


Que é isto?! Mau feitio?Astenia da Primavera? Mas onde é que ela anda?!


O melhor é ir tomar o lítio da avó.


quinta-feira, maio 17, 2007




Edulcorantes fabricados em série...olhar diabético de quem não sente na mesma medida.


Moralismos

Decadência de mentes desmoralizadas, que procuram reconstruir-se, arquitectando sentidos sujeitos a formulário. Especializam-se por temas, repetem-se casseteando vezes sem conta o discurso de nariz levantado, de dedo em riste, numa auto-estima quase sempre reticente. Outros há que de gramáticas de comportamento se tratam, tanta a regra de sintaxe que, para cada caso, alardeiam- para os outros claro! Surgem como pavões de penas descoloridas e perras no leque. De sorriso emperrado e quase sempre empedernidos por falta de humor( de amor?), transformam a vida dos outros em auditórios de seca.

Austeridade na receita é coisa que não me apraz. Gosto de fruir da liberdade, da imaginação e da vontade e com verdades absolutas há muito que me descasei. Do direito e do avesso observo as linhas com que me coso à vida e, pontos há, que nem sempre são aprimorados, pela urgência do momento, pela incerteza do olhar ou instabilidade momentânea, mas nada que me leve à fustigação e ao desnorte da integridade. Se comigo ressalvo pequenos deslizes, aos outros dou o mesmo benefício. Mesmo nos grandes trambolhões com traça de desacerto e de desequilíbrio previsível, existem códigos de jurisprudência que me levam a nunca julgar mas a tentar perceber a perspectiva do acidentado. Coisas da vida, razões que a própria razão desconhece! Nestes casos a palavra dita será sempre para recobro, esperando que ao outro não falte a luz no momento da aprendizagem.

Apegada à moral e à ética e respeitadora do direito, vêm-me esta tolerância de dentro sem necessitar de esforço para a cultivar. Placidez ou apatia dirão alguns. Respeito pelos outros, direi eu, com ausência de moralismos ferrugentos e ácidos de cinismo. Ojectividade ao entender que a vida não é trilho fácil e que cada um vai ripando o trigo da forma que pode. Saibamos reconhecer o jóio que em todos nós lavra e que isso nos leve a entender que na nossa eira ainda há muito por fazer.

De repente, achei-me moralista! Onde está a arma?


Ser mulher...hoje
Sem a arte de dizer, digo! Para quatro mulheres admiráveis, que ontem tiveram um dia muito especial. Mulheres do Ribatejo, onde as emoções se pegam de caras.


No colo do peito amam a vida
entregam de si um brilho de luta
saem da noite em constelação perfeita
e sugam das leis atenta escuta.
Mulheres inteiras de rosto puro
que no fel dos dias travam o acre
misturam sorrisos com pingos de sal
e selam abraços com choro de lacre.
Mulheres meninas, que lançam semente
procurando a pulso o sémen-verdade
entre vírus e pústulas de gente
elevam arribas à perversidade.
Mulheres, mães do mundo
que se afirmam no poder de dar
segregam vontades em torno de si
tingindo de sol a palavra amar!

sábado, maio 12, 2007




Sem pénis, nem inveja mas com toda a admiração

O Verão, as férias, o calor...,o tempo era propício a momentos de lazer que remetiam para tudo e para tudo eu me bastava, sobrando. Descobri-a acidentalmente viajando pelos blogs que ia lendo aqui e ali.Adorei a sua escrita. De Mulher inteira, apelativa, fresca, corajosa no que diz e pensa, docemente atrevida, sem preconceitos, informada e atenta, disciplinada na escrita e na vida. Tornei-me uma fã incondicional do seu blog e visito-a, desde então, com uma regularidade imperativa. Para mim o melhor blog feminino de 2006. Adicionei-o. Da Tati soube que se chama Teresa, sinónimo meu de amiga, pelo sentir forte que que esta denominação representa em mim. Da admiração à simpatia, foi um clic. Agulha em palheiro me sentia neste mundo da blogosfera e, que soubesse da minha existência, na multidão que a visita diariamente, era coisa impensável.
Lançou-me, afinal, um olhar que me surpreendeu, propondo-me um desafio que me chega em duplicado, mas que repetirei com o prazer das coisas simples e o aprazimento do inesperado.


Um beijinho Teresa


(*) Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".


"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada”.

Kahlil Gibram




sexta-feira, maio 11, 2007

Um dos elos a que a Alice me prendeu...

"Escrever é sempre esconder algo de modo que mais tarde seja descoberto."


Italo Calvino

(*) Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".

Agradeço a esta menina singular o desafio e proponho-o aos seguintes bloguers, esperando receptividade: Carecone, Once in a While, Save by the bell e ao professor certinho.
Bom fim-de-semana a todos!

terça-feira, maio 08, 2007




Este blog podia ser, e às vezes até é, um somatório de anedotas. Despretensão a minha e motivos diários o poderiam originar. Pretextos para muro das lamentações também não haveriam de faltar, embora não faça muito o meu género. Mas não resisto a uma pequena lamentação em jeito de anedota. A emoção circula livremente por aqui com as facetas que me moldam a alma e me fundem à vida.
Quis deste blog um encontro comigo...contigo fora da profissão, que para continuidade desta existe outro espaço online. Impossível! Aqui e ali surge a professora a impor-se e a ditar sentenças num espaço que não lhe pertencia, por regra. Deixo-a entrar, desde que não invada de escola o que à escola não pertence.
Mas nós somos um lago de contornos pouco definidos, alargamo-nos com enchentes de ternura, secamos sem afectos, nas margens alagadiças atolamo-nos de risos, de esforço, de contentamento, de insatisfação. Os professores também. Mas não podem. Que um professor devia ser monitorizado para nunca se sentir cansado, nunca ter uma dor de cabeça, uma falta de disposição...enfim, ele não devia ser como os outros seres. Atleta de alta competição, sempre, pronto a enfrentar as olimpíadas ministeriais e educacionais com a vida em entrega total. Ou pensam que se consegue atingir o que nos exigem/exigimos de outra forma?
E, às vezes, ao fim de um dia de mais uma semana exaustiva, o desconhecimento lacustre só pode ser encarado como uma anedota e elemento de fuga para a meditação e reequilíbrio de nós. Pela grandeza da pequenez da coisa e pela pequenez da grandeza que assume.
O João sabe o que é um lago, ele sempre o soube desde que se conhece por gente!, é daquelas coisas que de serem tão intuitivas não se espera que ninguém nos questione, principalmente quando se tem oito anos e o fim-de-semana promete ser tão especial!
- Professora isso é pergunta que se faça numa sexta-feira à tarde, embora na segunda haja teste?! Abre a janela e olha para as flores lindas que ladeiam o lago, repara na erva pintada de verde fresco, olha como os patinhos formam um V perfeito atrás da mãe pata!
Vitória, vitória acabou-se a história!

sexta-feira, maio 04, 2007


Quem o vê engraça logo com ele. Oito anos bem comprimidos num corpinho sem defeito p'ra botar. Em noites de festa, veste a rigor o fato de campino que lhe assenta como em figurino de medidas perfeitas.
Tudo o que é pequenino tem graça e ele ainda a tem, mas já teve mais. Dança o fandango com uma sabedoria nas passadas, que não há ali uma fora de ritmo. Habituou-se a ser centro dos ahs!, daqueles que nele vêem a mascote do Rancho Folclórico.

Do dançarino conheço-lhe os gestos, os hábitos, os gostos. Estes andam próximos da dança, do desenho e da conversa alheia. Gosta de dar fé de tudo, como diz a mãe. Mas a fé arreda-se da escola, que a dança das letras tem truques escondidos que é uma trabalheira desvendá-los. E os números?, o raio dos números até que dão as mãos uns aos outros e dançam o vira num sobe e desce que faz lembrar o Verde Gaio, mas embrulham os conceitos, arrefecem o raciocínio, obrigam a outra marcação que não a da melodia que se cantarola papagueando sem entender.

O lago deu que falar! Meteu água. A propósito dos meios aquáticos, veio o lago à baila. O nosso dançarino não sabia descrever um lago, nem por palavras nem por desenho. Estanquei. Flashes de lagos visualizados e escritos surgiram-me em catadupa. Que fez com eles?!
E do quadro preto se fez lago, com patos e o arvoredo enquadrante. À hora de sair pedi que ficasse. Se não sabia o que era um lago será que perceberia o que era essa coisa de oceano?

-João, já viste um oceano?

- Se vi não me lembro.

- Nunca foste à praia?

- Já(poucas).

- Onde tomas banho, na praia?

- Nos balneários.

[Abracei-o com os olhos. Expliquei-lhe tintim por tintim os mistérios da água no planeta( mais uma vez).]
- Percebeste João?
- Sim, professora. E sabe?, amanhã, vou aprender a desmanchar um porco mais o meu pai e o meu tio.

Por que não me inscrevi ainda no Yoga????