reflexos de vida no silêncio espelhado da água. fragas de vidro em descontinuidades do olhar ...

terça-feira, setembro 04, 2007




Retomei, ao terceiro dia do nono mês do calendário Gregoriano, as pulsações da escola com as minhas ainda numa arritmia sinusal causada pelo estrangulamento das largas artérias por onde me movia em férias. C'est lá rentrée, mon Dieu!

No receio de que as pálpebras se mantivessem inertes à claridade do dia e que eu permanecesse restelada entre lençóis por mais do que devia, avisei de véspera amigo que já não visitava há um mês, sabendo que dos mansos e robóticos tique-taques que durante a noite me embalam, chegada a hora, entra naquela frenética e histérica alegria com ligação directa ao meu centro nevrálgico, sem dar hipóteses de acalmia enquanto não lhe der atenção. Amigo da onça! Mas para isso o quero e jeito me dá, que da manha do corpo sabe a mente, ou vice-versa ou simbiótico jogo de empurra se instala no complexo restolho de sono.
Sintonizado para as 8 horas da manhã, dar-me ia hora e meia de tranquilidade antes de entrar no bulício dos abraços inquiritivos de como foram as férias. Estando a 5 minutos da escola era prevista calma preparação, pequeno-almoço mastigado, não engolido na pressa, partilhado momento com o Baltasar num até já, que a dona volta cedo.
Mas teve de ser pessoalizado o despertar que o amigo da onça, não esteve pelo ajustado. Falta de treino ou senilidade precoce do bichinho, manteve-se na ronha sem cumprimento das funções acostumadas.
Pelas 9 horas tocou. Afinal enganei-me no acerto dos ponteiros, pensei entre risotas caseiras. Mas a certeza do momento nocturno deixava-me em dúvida. Fui ver. O ponteiro apontava certeiro as 8 da manhã. Como é possível, não sei, mas parece-me que amanhã terei de apontar para as sete ou voltarei a ser enganada por este inesperado inimigo da pontualidade.



segunda-feira, setembro 03, 2007



Estava eu atarefada, num daqueles momentos em que as nossas mãos se repartem pelo trabalho caseiro, com a mestria de pianista no teclado, desejosa de terminar as tarefas e poder usufruir dos últimos momentos de férias, de concluir leitura e dar uns retoques finais numa tela que tem andado a virar as costas para mim há tempo a mais, ou terá sido o contrário?, isso agora não interessa, quando toca o telefone.

-Estou, sim!
-É a senhora dona Maria...?
-Eu própria, faça o favor de dizer!
-Estamos a fazer um inquérito sobre hábitos televisivos. Podia dizer-me qual é o canal de televisão que mais se vê na sua casa?
-Aqui não vemos televisão, usamo-la só para decoração.
-Ah, é?!
-É.

Olha, desligou!

domingo, setembro 02, 2007



caio as paredes de branco para a alegria que está sentada num banco a rir-se do presente daquele dia. cobre-se de neve quente ao sol da manhã e a luz que enche aqueles olhos é a razão de viver. sabe que nas brechas se esconde a humidade das teias urdidas em fios escuros de pó e sombra. na limpeza sustêm-se os aromas do canto breve. liberdade tingida de pinceladas de grades. cantam os galos numa imitação tardia da vida prolongada para trás do ontem. esperanças pesadas na desordem do anoitecer. no momento a certeza que caiada a vida lhe apetece.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Pink Martini - Sympathique

Aujourd'ui je ne veux plus travailler...

quarta-feira, agosto 29, 2007




Uma base de dados portuguesa inédita sobre expressão facial da emoção desenvolvida por um cientista da Universidade Fernando Pessoa, do Porto, está disponível na Internet para uso de investigadores.
O material agora disponibilizado na Internet inclui fotografias e vídeos com exemplos das seis emoções básicas (alegria, tristeza, medo, surpresa, aversão e cólera) e dos quatro tipos de sorriso (largo, superior, fechado e sem sorriso).Desenvolvida pelo professor Freitas-Magalhães, director do Laboratório de Expressão fácil da Emoção (FEElab) da Faculdade de Ciências da Saúde daquela universidade, esta base de dados destina-se a apoiar investigações em psicologia clínica, forense e experimental, neuropsicologia, neuropsiquiatria e ciência neurocognitiva, explicou à agência Lusa Érico Castro.Freitas-Magalhães é o único psicólogo português que estuda as funções e repercussões do sorriso no desenvolvimento das emoções e das relações interpessoais.Segundo Érico Castro, o FEElab apresentou na semana passada à Fundação para a Ciência e Tecnologia dois projectos de investigação, um sobre reconhecimento das expressões básicas em deficientes mentais e o outro sobre o efeito do sorriso na percepção psicológica de delinquentes portugueses.Expressão facial e delinquentes foi, aliás, o tema que Freitas-Magalhães desenvolveu numa conferência sobre comportamento humano e evolução da sociedade realizada em Junho na Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia (Estados Unidos).Estudos anteriores dirigidos por Freitas-Magalhães incidiram no efeito do sorriso na percepção psicológica da afectividade e dos estereótipos, e nas diferenças de género, idade, da cor da pele e de gémeos, bem como no reconhecimento das emoções básicas através da expressão facial em diferentes grupos etários.Este investigador acaba de publicar o primeiro livro em Portugal sobre esta problemática, intitulado "A Psicologia do Sorriso Humano", nas Edições Universidade Fernando Pessoa, e planeia lançar outro em finais do ano, esse com o título "Psicologia das Emoções: O Fascínio do Rosto Humano".

Público

terça-feira, agosto 28, 2007




As avós não tocavam piano nem falavam francês, uma delas tinha um português vernáculo que usava na ponta da língua disparando a torto e direito, sem entender franzidos de testa que diagnosticavam sumiço pela terra adentro se não moderasse intempestividades linguísticas. Tinha uma taberna que nunca cheguei a conhecer que de tão graciosa entrada, numa semi-cave, ganhou fama por "Boca do Inferno", ao avô foi-lhe atribuída alcunha de "O Diabo". Pobre senhor Diabo que nunca se lhe conheceu sádicos prazeres no mundo do mal, antes triste sina da sua própria alma. Padecia de asma terrível que nos calores do subterrâneo atascado não encontrava brandura, nem os hálitos destilados, nem fermentações avinhadas desentupiam vias arfantes de farfalheira arquejante.
Num Inverno rigoroso, a tosse na Boca do Inferno tornou-se insuportável e a falta de ar levou-o até ao médico. Homem possante, de voz cavernosa e modos grotescos, de um humor subtil a pedir arcaboiço mental, caso contrário quem lá entrava com suspeita de doença saía de lá de maca.
- Pois é, Diabo, estás por um fio. Daqui a dois ou três meses vais saber como é bom estar no inferno!
O avô matutou naquilo durante algum tempo e nem as melhoras sentidas, lhe retiraram a ideia de que eram as da morte. Nunca o conheci, suicidou-se nas traseiras da Boca do Inferno.

domingo, agosto 26, 2007




No fundo da minha gaveta estou sobradinha de brumas. Recorresse eu a ela e o horizonte toldar-se-ia numa neblina densa de inverno, quase a metamorfizar-se em forte aguaceiro com direito a granizo ralado de um padecer que faria clamar as pedras da calçada. Pois nem sempre os dias são brandos e felizes, vezes há, em que se entorna o contentamento, descalço o humor logo pela manhã e febrilmente esvazio as angústias, que não fúrias, na pia dos dias. Do sorriso largo, estagna a vontade e regateiam-se serenidades a troco de introspecções e queda dos ombros com pendor esquerdista.
Da tendência depressiva depressa se retira proveito criativo que na escrita se aninha. Do mal do menos! Livros em Branco repletos de quedas livres em abismo solitário que na gaveta ganham alma de fantasmas de mim. Retiro-lhes a escuridão amiúde, salvo-os do buraco negro onde se encontram e o choque com a luz é sempre traumático para os meus olhos que mergulham em palavras que juraria nunca ter escrito, tal o jorro que sai da ponta dos dedos, alagando a folha, sem tempo para estabelecer canais da mente que regulem as enxurradas do peito. Do fundo da gaveta saem às vezes com direito a liberdade sem condicionalismos, são escritos do tempo, memórias com rosto, cinzel que nos afectos mostrou esculturas gravadas na pele. Se as virem por aí, falem-lhes do sol e dos voos lindos dos pássaros, riscando o céu azul, ao fim da tarde.

sábado, agosto 25, 2007



Crescemos juntos. Tínhamos em comum terra plana e segura onde nos movimentávamos aos bandos, tal era a algaraviada que se soltava do prazer da companhia. De bicicleta, mais tarde com automóveis-arrastadeiras que se compravam a meias percorria-se a distância que as mesadas curtas e as permissões familiares consentiam. Inventavam-se festas por tudo e por nada, nas férias, principalmente os rapazes voavam até Peniche ou à Nazaré e aí permaneciam meses em acampamentos ciganos que instalavam nos parques de campismo espalhando sedução e alegria de viver. Durante o Inverno, fazíamos do teatro um ponto de encontro de nós e de nós com a vida e na criatividade cresciam as asas do saber quem somos, procurando sentidos, determinando escolhas.
Soltos na vida, temos na distância a certeza do reencontro. Podemos estar meses sem nos encontrarmos será como se na véspera tivéssemos estado todos juntos e, na sede da conversa, ateamos os rostos de beijos e risos e palavras que se soltam sem medo do toque que na idade não encontrou portas fechadas.
Ontem estivemos juntos, comendo queijos de cabra e alheiras e coelho e grelos salteados e tigeladas e vinhos tintos que um leva e que os outros apreciam e sabem que o melhor vem dali. A cada um o seu pelouro que na complementaridade está o espólio de amigos servido. A irreverência nos olhares mesmo quando a desilusão ocorre. Nas confidências íntimas volvem-se os anos e numa santa irmandade dão-se conselhos, ralhados às vezes, sem lesões nem ofensas que não se rebatam na hora. Donos uns dos outros, de braços estendidos, dinâmica atenta num grupo pronto-socorro que não quer joelhos esfolados.

sexta-feira, agosto 24, 2007

quinta-feira, agosto 23, 2007




Do fundo da gaveta (3)

no movimento estaciono o olhar. proibido. percorro na transgressão o misto saber. revolvo nas fendas a maresia cristalizada na noite dos ossos. invento locais para passos fecundos de tudo em cisma de nada. presencio as nuvens etéreas das palavras que evaporam ao seco. o sol gira sobre girassóis de desequilíbrio continuado. expurga-se o pranto das pétalas maduras perto da lonjura. emigram asas de pranto salgado em flor e pousam em cristais translúcidos no ventre. ciclo fechado do tempo semeado de esquecimento.

terça-feira, agosto 21, 2007



Tirando tédio ao ramerrão dos dias partem com as casas às costas na procura de alívio para desalentados espíritos. Sobra-lhes em carga o que lhes falta no íntimo e entram no estio frouxo com rotinas tão intensas como as que repisaram durante meses de corre-corre entre o trabalho e a casa, vivida a meias sem meandros de afecto que lhes preencham o oco.

Levam a esperança escrita no horizonte que almejam azul e quente sem chefias determinantes dos humores que do lado negro se pretendem libertar. O reencontro íntimo das almas encolhidas por toldos de sombra, aumenta a exposição puída dos afectos, tecidos por tear perro de vontades e cumplicidades. Elas na renda procuram preceitos que lhes arrebiquem o sorriso, eles nos desportivos diários engendram tesão matinal que caída a noite esmorece. Salubridade dos dias sem potáveis gustações que saciem o palato ávido de agrado e onde o retorno é sempre de inexplicável acidez escoando palavras sortidas de aspereza e queixume.

Resta-lhes a romaria ao templo da Praia da Luz, para domar ansiedades por perdas cerzidas com prantos brandos. Em causas maiores o voyerismo se estende em redor do espectáculo da dor, em idas e vindas de fé. Perceber ao vivo a dimensão do drama seja qual for o desfecho.
Dão as mãos finalmente e entram na praia no silêncio... pesado, de quem percebe o mal menor que os anima.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Um prazer dos diabos (3)

Simplex 333

Um prazer dos diabos (2)

Taxas moderadoras nas urgências

Um prazer dos diabos (1)

Tele-Escola para Políticos

La Faute à Fidel

"Anna tem 9 anos e uma vida é simples, ordeira e de hábitos instalados. Uma vida que decorre confortavelmente, entre Paris e Bordéus.Mas eis que entre 1970 e 1971, o compromisso político assumido por seus pais, da extrema esquerda, muda a vida de Anna.Primeiro, o seu tio, comunista e envolvido na luta contra o regime de Francisco Franco, desaparece, possivelmente assassinado pela guarda-civil espanhola.Posteriormente, após uma viagem ao Chile, durante a presidência de Salvador Allende, Marie e Fernando (os pais de Anna) decidem por em prática as suas ideias políticas.Termina assim a tranquilidade na casa dos arredores de Paris, que começa a ser visitada por camaradas "vermelhos e barbudos", por pessoas que sonham com a Revolução de Fidel Castro. Termina a época da educação religiosa e, sobretudo, a calma que caracterizava a vida da menina".

(Julie Gravas, realizadora do filme, é filha de Constantin Costa Gravas).




Queria muito ver este filme. Entre outras moticações, por viver numa terra que entregou a vida de muitos dos seus filhos a causas que na base da ideologia se desprendia dos valores materiais individuais para abraçarem a luta por um bem estar colectivo. Superiodade moral a que me curvo respeitosamente, acreditando que os princípios impulsionadores foram alavancas e motor de arranque para a democracia em Portugal. Com todos os erros e desilusões "Hasta siempre".


E vos digo e conjuro que canteis!



Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!

Miguel Torga

domingo, agosto 19, 2007


Entre malas e roupas limpa-se o dia das areias que infiltradas em avessos imperceptíveis vertem as réstias de férias, como dos casacos com compleição carnavalesca, ainda na Páscoa, se soltam papelinhos dos bolsos, resistindo à quarta-feira de cinzas e ao enterro do galo. Dos pareos finos e dos tops reduzidos não se queixa a lavadeira de serviço, ser mulher quando aperta o calor é reduzir trabalho das serviçais, leia-se, maquinaria pesada que num simples gesto passa horas de labuta, poupando-nos de esfregar, corar e torcer. Tanto de noite como de dia, que nos turnos bi-horários ainda nos garante trocados. É certo que este regime não diminui o consumo. É fundamental pensar que são necessários cerca de 2600 Kw de carvão para conseguir 1KW de electricidade. É um horror!A poupança de electricidade não se consegue com electricidade barata, mas sim diminuição do consumo...então lá vou tendo o cuidado de fazer cargas completas e reduzir para meia-lavagem quando as peças o justificam. É claro que para a EDP e congéneres que por aí devem estar a chegar, o que interessa é o lucro, mas isso agora dava outra estória. Certo é que dispensadas de barrelas, fruímos das horas que tão bem sabemos aproveitar. E soube-me a nozes o convite para almoço entre sobrados e milheirais, visitando a paisagem de cores quentes do Ribatejo mais além, onde a conversa se pôs em dia, houve tempo para acabar o livro que estava por páginas saber finais e uma tela branca já pousa no cavalete com cores de mar e de beijos. Uma paixão a necessitar de registo.

sábado, agosto 18, 2007



Entre o sol e as brumas, vislumbra-se uma anarquia a precisar de leis, que a anomia aparente só corresponde pela metade à gestão deste espaço! Se às normas coercivas e controladoras sou avessa por natureza, preferindo a responsabilidade individual como prato forte, o bom senso como entrada e para ajustar entranhas, doce apurado em humanitárias concepções, traduzidas aqui em tolerância de exigência assertiva, vejo-me em palpos de aranha para resolver abordagens que nas maiúsculas procuram a refega.

Sou da paz! Cheguei agora de férias, ainda sinto a areia e o sal a inquietarem-me a pele! As expectativas para férias foram superadas o que engoda a vontade de bisar, as do regresso aumentadas pelas gargalhadas blogosféricas, entremeadas de humores neo-liberais a inquinar-me o capital humano, num prurido subcutâneo que me encaminha para regime de lay-off sob o comando apertado desta gerência.

Há um ano iniciei esta faceta pública de divulgação do que amiúde me apetecia escrever. Saiu da gaveta este prazer por escrevinhar, sem expectativas de maior. Um prazer avulso entre prazeres. Durante seis meses naveguei sem piratarias oclusas descobrindo pares que seleccionava conforme a sensibilidade. Escrevia sem esperar que muita gente me lesse já que não havia links para retribuir(?). Surgiu uma lista diversificada que se alinha agora aqui do lado direito. A maioria que leio não me lê, mas não é isso que me retira motivação nesta esfera. Gosto de quem escolhi e visito-os sempre na perspectiva de que nem sempre com eles concordo, mas o respeito pelo seu espaço e opinião faz com que na divergência não me perca nos caminhos da irascibilidade e inoportunidade. Todos os comentários são valorosos, mesmo quando o escárnio escorre pelas letras há ainda a graça e a inteligência a salvarem o jeito pirata.

Sou inteiramente responsável pelos que cativei. Quero que quando me visitem tenham recanto repousado para minutos de partilha. As grandes questões blogosféricas de enredos políticos e pessoais sigo-as com a atenção que me merecem mas nelas nunca me incluí por não ser esse o meu projecto. Espaço de discussão com catálogo diverso poderá ser, mas nunca tendo por base a provocaçãozinha insolente. Às tantas perde a graça, cai em desgraça. A parte lúdica dilui-se rapidamente. Existem palcos mais visíveis onde esse arreganhar de dente poderá ser um estímulo, aqui neste nicho pacato mostra-se o dito só para soltar sorrisos. Só fica quem quer.

Ah, já me ia esquecendo, faz hoje um ano que este espaço surgiu! Na prevalência do sol, esperando que assim continue já que nunca gostei do lápis azul.

terça-feira, agosto 14, 2007



Meu querido, sei que sou uma egoísta que estirada nas areias deste país, entre comezainas fartas e verdes frescos, te deixa assim ao abandono, logo agora que se aproxima data tão marcante para ti.
Sabias...sabes que a nossa relação não será eterna, aliás, cumprido este ciclo que esperava já com alguma ansiedade, tínhamos certa ruptura cerce. Com porta aberta sempre, para circularmos entre amigos que juntos escolhemos e que continuaríamos a visitar de braço dado, com sorriso aberto, acrescentando amizade a esta que nos une.
Ouviste-me como só um amigo o faz, na calma ou na turbulência dos dias, aconselhaste-me com os teus silêncios que soube entender, guardaste segredos como rascunhos que só nós interpretaremos, descobrimos juntos a cumplicidade com o mundo exterior e no nosso percorremos labirínticos passos de descoberta. Mas dizem que um ano é quanto dura uma paixão e já não corro para ti como o fiz em tempos. Sabes disso e nem por sombras teces queixume que me penalize.
Estas férias separados foram excelente barómetro de afecto e, meu querido blog, certificada está esta minha dedicação por ti. Fizeste-me falta. Senti a ausência com saudade e regressarei no dia do teu aniversário. Não, não te mudarei o layout, quero-te assim neste tom ocre que me lembra já a luz de fim de tarde de um Verão por terminar. No meu, vais achar diferença, sabes que a tez morena produz melanina em quantidade quando exposta a banhos de sol, mas no sorriso branco encontrarás a palavra chave para este nosso modo de vida.


quarta-feira, agosto 08, 2007



Na sétima onda atrevo-me a cavalgar. Seguro-me na crista branca que se lança nos ares empurrada pelo vento e salpico-me nas crinas soltas de espuma e de branco. Na neblina matinal relampejam arco-íris de frescura e imensidão e olho para trás rindo-me do perseguidor e envolvente olho espelhado que pestaneja sedutor ao beijar a areia morna. Amor ancestral de vida fecundado nos abraços eternos entre a terra e o mar.
Gosto do Atlântico, firme, vigoroso, pujante de esperma derramado no corpo da praia sensual e ávida de sal, qual fêmea espreguiçada ao sol, esperando do amante o reencontro sempre desejado.
No sussurro perene de incansável melodia lavo o pensamento, sacudo os ponteiros das horas e dos minutos e percorro a vastidão de cada segundo contando os grãos da rocha fina e branca onde me deito. Cubro-me de conchas e pedras que no fundo do tempo me beijam os pés e na pureza do momento invento-lhes energias que guardo em segredo. Deixei de pensar, medito em recolhimento com a natureza absoluta deste lugar.

Só o chamamento da cataplana de marisco me lembra que saber (a)mar também se faz com os sabores terrenos.