reflexos de vida no silêncio espelhado da água. fragas de vidro em descontinuidades do olhar ...

sábado, julho 21, 2007

Hoje, começam as minhas férias! Devia sentir-me assim!







Mas sinto-me assim!




Isto passa!



Porque hoje é sábado e está um dia lindo(?) lá fora...

Dois gajos loiros estavam a trabalhar para o Departamento de Urbanismo. Um escavava um buraco e o outro vinha atrás e voltava a encher o buraco. Trabalharam um lado e outro da rua. Passaram à rua seguinte. Sem nunca descansar. Um escavava um buraco e outro enchia o buraco outra vez. Um espectador divertido com a situação, mas não entendendo o porquê do que eles faziam foi perguntar ao cavador:


- Estou impressionado com o esforço que os dois põem no trabalho, mas não compreendo por que é que um escava um buraco e, mal acaba, o parceiro vem atrás e volta a enchê-lo.O cavador limpando a testa suspira:


- Bem, isto pode parecer estranho porque normalmente somos três homens na equipa, mas hoje o gajo que planta as árvores telefonou a dizer que está doente.

terça-feira, julho 17, 2007



Nas águas mornas do teu colchão

banho-me de espuma.

Vetusta a esperança

se alimenta dos sabores adocicados

da luz trémula da vela que nos vigia

cobiçando o dealbar da realidade

sonhada

propagado em brilho intenso

suspenso no prazer

que se prolonga

para além do estar.

Levito!
Do fundo da gaveta...(1)


A luz do dia acordou cedo esboçando em traços cruéis a imprecisão das horas por viver. Dormias sem sonhar a vingança do outono... o verde das tímidas folhas, veladas no botão embrionário, anoiteceram já velhas, secas, embutidas da dor do nado-morto. Nasceram fora do tempo e a transgressão as levou. Das perenes fez-se a coroa e alinhavada com dor cravejou-se na tua cabeça.

segunda-feira, julho 16, 2007




Post embrionário não publicado a 10 de Junho

Passa-se pelo dia como quem vai ali e já vem! Jangada de pedra sem rumo, ou então, com os descobridores de caminhos desconhecendo dos astrolábios os segredos da navegação. Palas nos olhos e toca andar que a onda vai nesta direcção.

Adenda:

Depois das eleições por Lisboa e da vergonhosa abstenção, não me choca nada que se leia isto:"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha". Aliás, há muito que me sinto . Quem não exerce a cidadania não merece outra coisa!

domingo, julho 15, 2007


Diz quem me conhece que sou pessoa calma. Descamo a pele e procuro encontrar essa serenidade que, no pregão alheio, não se identifica...totalmente. Sinto uma maternidade fraterna com a vida e com os que me cercam. Ouço-os no colo da isenção, sem dedo em riste nos modos, entendendo que cada um é emaranhado de seres criados por nós que se atam e desatam na sensibilidade pessoal, sustentada nas pregas alinhavadas com o mundo, cosidas com linhas cruzadas em pontos complexos que muitos esqueceram o preceito, mas registam no jeito a súmula final.

Aos extremos sou adversa, aos caprichos sem propósito retiro-me, aos impulsos descontrolados olho de soslaio. Reservo dificuldade em entender o descontrolo. Aplaino filtros de malhas precisas mas arremelgo os olhos quando pressinto egos fora do tónus, com recorrência a vitaminoses de soberba, de exagero, de prepotência, de bicos de pés sem ponta por onde se pegue. Centros umbilicais causam-me enfado. Retiro-me. Serei calma na frontalidade assertiva, das palavras ditas na procura do encontro com o outro, na capacidade de rir das fraquezas assumidas sem moléstia de dor.

Lavam-me os pés, para meu desconcerto, pegam-me na planta dos mesmos e, em toques, localizam-me órgãos em reflexologia que desconheço. Só sinto alfinetadas onde a calma se acaba e começa o cansaço de ser calma. Alerta a precisar de meditação.

sábado, julho 14, 2007





Porque hoje é sábado e está um dia lindo lá fora...


Por que cantadas em loiras nao dão certo???


(MALANDRO) - Oi gata... Qual é seu telefone?
(LOIRA) - Nokia. E o seu?
(MALANDRO) - Uau! Isso aqui é uma calçada ou uma passarela de moda?
(LOIRA) - Hum, agora você me pegou... É que eu não sou daqui. Então não sei te informar...
(MALANDRO) - Eu não tiro o olho de você!
(LOIRA) - Ainda bem, né? Senão eu fico cega!
(MALANDRO) - Nossa! Eu não sabia que boneca andava!
(LOIRA) - Sério? Nossa, você tá por fora, hein? Já tem até Barbie que anda de bicicleta!
(MALANDRO) - Que curvas, hein!
(LOIRA) - Nem me fala... Eu bati o carro 7 vezes pra chegar nessa festa!
(MALANDRO) - Esse seu vestido vai ficar lindo jogado no chão do meu quarto!
(LOIRA) - Quer comprar um igual pra fazer um tapete? Eu te indico a loja...
(MALANDRO) - Eu quero o seu amor, gata!
(LOIRA) - Espera só um pouquinho... Amô-or! Tem um moço aqui querendo você!
(MALANDRO) - Me dá seu telefone, vai!
(LOIRA) - Socorro ! Um assalto !
(MALANDRO) - Meu coração disparou quando eu te vi!
(LOIRA) - Socorro! Alguém ajude! O moço está tendo um ataque cardíaco!
(MALANDRO) - Quer beber alguma coisa?
(LOIRA) - Ai, que bom que você apareceu, garçom!




doem-me as pálpebras nos muros fechados, sangram as pétalas nas retinas murchas, agridem-me as palavras sufocadas no mar revoltoso que me encharca a garganta. queimam-se a carvão os traços desenhados no sonho sem sono. só noite. uiva o vento desdenhando o verão em templos perdidos sem si. chilreiam as folhas verdes entre os ramos secos que me ofereces e busco no ninho a asa partida. perdida. solta do corpo e dorida no ventre que se expande em volúpia adormecida. sabia. sei. do teu medo de saber a verdade corroída sem norte. perco-te nas poucas palavras que me dás. sem vida. seco e incho de dor. desmedida.

sexta-feira, julho 13, 2007

Num esforço de arre macho empurro-as. Arqueio as que se lhes sobrepõem numa tentativa vã de lhes dar firmeza. Insistem na queda livre para o amparo sonhado. Se cais queimas-te! Não importa!Nenhuma tentação lhes surge como ânimo. Resistem à luxúria da vida, a saber: despachos ministeriais, e armam-se em moles membranas que se quedam no encosto. Imóveis, pesadas, sem viço. Os cílios envolventes, quais vigas de fino ferro, cerram-se como portadas ionizadas.

Homessa, não consigo abrir os olhos!O raio das pálpebras tombam na cama do sono, sonham mergulho de alívio e eu teimosa fecho uma de cada vez.

Já foram todos de férias?

quinta-feira, julho 12, 2007


Longe vão os tempos da minha meninice mas a eles volto com a regularidade das memórias vivas, dos sítios que percorro, dos cheiros sentidos, dos sons que enchiam o meu quotidiano e que agora se tornam alerta e apontamentos de lembrança.
Uma vida guardando dentro e fora de nós tudo o que nos fez assim e não diferentes. Reminiscências de um passado-presente, pela importância , pelo mérito ou desmerecimento tal, que cravou à nossa passagem uma marca inalterável pelo tempo. Sinais distintos no correr dos dias e da vida.
Aqui sentada, ouço o vento que varre a planície, neste dia ainda quente. Insiste, hoje, em mostrar a sua força, ensaiando uivos para mostras vindouras. A folhagem das árvores, desnorteada, murmura segredos de dor e de esperança.
Vento que me traz um tímido e longínquo cantar de galo, como se de um garnisé se tratasse. Rapidamente recuo na máquina do tempo instalada no memorial afectivo.
A casa da madrinha. Visitada nas tardes de sábado ou de domingo. Outeiros menos urbanos, então. Espaços bucólicos, onde a liberdade de acção e de descoberta me era entregue de mão-beijada sem repreensões de maior. Menina na casa de filho-homem perdido. Alegria bem-vinda e acolhida entre beijos e aclamações de extremados afectos, para meu regalo e aprovação.
Entre tanques de rega e campos cultivados me perdia, brincando com tudo e com nada. Brinquedos inventados na urgência de quem se diverte com as coisas simples que a natureza oferece a quem tem tempo de a observar.
Pela tardinha, o galo cantava. Canto grave e roufenho como se o cansaço da lide e do tagarelar da capoeira lhe retirasse a limpidez da voz, ao fim do dia. E aquela coisa espantosa que me acontecia em simultâneo" Madrinha, cheira-me aqui a pão fresco!"Entre risos e abraços preparava-se o lanche com compotas, que tu tão bem sabias fazer.
Sentada entre estendais e os últimos raios de sol, saboreava a merenda e os dias de felicidade ingénua e plena que me enchiam de tranquilidade e de paz.
Madrinha, ouvi o galo cantar! Cheira-me aqui a pão fresco!

quarta-feira, julho 11, 2007




Momentos inacabados


Subo aos olhos fechados a escada de madeira encaracolada no trilho. Degraus de libertação de fim de dia onde entro no mais intimista dos meus mundos. Aqui podo e recolho os sabores da vida, da que me deu o novo amanhecer que agora se alaranja em cama de terra e mar. Filtro nas paredes que me envolvem os ecos, beijo a terracota da chávena de chá que bebo, escrevendo, pintando, desenhando a sanguínea redondos momentos entartarugados no corpo dos dedos que liberto.




Estes momentos são meus e teus que paraste e me lês. A Ela agradeço o querer- Dos outros, os momentos.

terça-feira, julho 10, 2007



Passam rostos, tocam-se mãos, trocam-se olhares, soltam-se risos, ideias, conceitos. Na nata dos dias ficam vagas ou profundas vontades de saber mais de quem se cruzou connosco na vida. Alguns, vivem ali diariamente, partilhamos os mesmos espaços, mas não vivem em nós. É como se as sementes não germinassem pela falta de nutrientes, salobridade distante que impede a fecundidade, manta-morta desnutrida em salgadiço terreno.

Outros alimentam as relações na distância como se presentes diários nos enviassem ao ser. Vêmo-los como ocasos na solidão, sabê-los é ter companhia certa e, dos momentos vividos no plural, fazem-se festas que nos animam as ausências.



segunda-feira, julho 09, 2007



Uivam os ventos num desnorte de mudança geológica, batendo nas portadas das gentes atadas na sorte da inversão do magnetismo polar. Regista-se nos corpos o que das mentes emana entre derivas e certezas por catalogar. Sintomas genéricos sem marca registada que indique composição melhorada para cura promissora. Prevenção varrida das tábuas bíblicas por vento holocáustico da humanidade insana. Fragmentos de alento anuem aos restos de valentia que se empurram a soldo de vontades cansadas. Saem p'rá vida como descontinuidades, como a escrita que se lê aos solavancos. Perra.

domingo, julho 08, 2007


Reclamam-me. Desço às alturas das exigências diárias com a mente ausente nas catacumbas que pairam atmosfericamente, longe das cavernas metafóricas de Platão. Espero!Massajo o plexo solar contrariando o movimento biológico do relógio. Inspiro. Reparo nas moscas mutantes que me surgem do nada e no alado movimento Live Earth sustento a esperança da quebra da inércia. Medito. Nas Sete Maravilhas da noite viajo ao piano com Chopin. Sereno. O Ribatejo fora da classificação nacional, mas a nova Passagem da Lezíria a unir-nos as margens. Atravesso-me. Descalço o betão e entro no rio em barco desbotado pelo tempo, incito os cães que me seguem a nado sabendo da corrente as manhas. Risco as águas frescas e limpas da memória com as mãos que tive. Encontro-me.

quinta-feira, julho 05, 2007


Estico com o olhar o lençol escuro que percorre a planície. Da janela aberta de mim para o mundo, hoje cheira a Verão . Na borda d'água coaxam batráquios lançando no ar o retinido cheiro a lamaçais quentes. O bordo alaranjado do horizonte entre pinceladas de azul e salpicos de luzes promete manhã luminosa e tecidos leves entrelaçando os corpos na vida. Sinto uma leveza curtida no ar morno que me invade e a brisa sai de mim em lufadas de vapor sereno.

Ponho o "cavalo" no estábulo e ajeito-lhe ração de ânimo. Amanhã recomeçamos. Agora é tempo de sentir.

quarta-feira, julho 04, 2007



Obrigada Xantipa!


Tenho andado tão arredada da blogosfera que só agora reparei que tinha um prémio! A Senhora Sócrates atribuiu a este modesto blog um molho de grelos que sinto alguma relutância em aceitar, pela invisibilidade a que me remeti, ultimamente. Do gosto pela escrita não me safo é verdade e que ela me tem acompanhado no meu dia a dia também. Só que noutras andanças que da escola não são alheias. Há quase duas semanas que vi as minhas crianças dizerem-me adeus entre abraços e sorrisos e promessas de saudades já sentidas e, no entanto, presencio as minhas tarefas a grelarem no tempo, numa desdobra de mim que tem sido difícil de gerir. Coisas de professora "quase" titular, sobre quem recaem cargos e mais cargos que se abraçam na responsabilidade e dela se alimentam.
Cuido da horta como posso e dos vegetais perfilho o paladar, excepção feita aos ditos humanos que me enfadam na ausência de fotossíntese cerebral.
Pois, está entregue o ramalhete dos grelos e, agora tenho de nomear cinco mulheres, com blogues não colectivos, ( vai ser difícil, porque já estão quase todas aqui da lista ao lado servidas... meritoriamente) e enviar para o blogue com grelos.

Encaminho o prémio para: Once in a while, Serendipity, Fábulas, Estes Momentos e Leonoreta.


«O Prémio "Blogue com grelos" premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta, ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e com isso tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor. A escrita no feminino, em toda a net lusófona tem que ser distinguida»


sexta-feira, junho 22, 2007

Runaway

Este blog encontra-se neste estado de penúria escrita! Valha-me o Santo YouTube e haja música na ausência das palavras que se adivinha prolongada.

terça-feira, junho 19, 2007

Silêncio

...que eu preciso trabalhar!

segunda-feira, junho 18, 2007

domingo, junho 17, 2007

Maxwell-Ascension (Don't Ever Wonder)



Eu bem disse que ele estava desfraldado! Do outro já lhe colhecemos a incontinência fecal com que aromatiza o planeta!

Utomlennoe Solnce

Hoje quero entender pela estética, estática nas palavras, que só uma linguagem que desconheço me seduz, recorro à internacionalidade dos sons num misto de guerra fria sem armas de arremesso.Com lenine na gaveta das recordações capitais e putin desfraldado.

sábado, junho 16, 2007

Crazy

Na tarde de chuvas mornas, esperando que aconteça...o Verão.


Em Abril queima a velha o carro e o carril, uma camba que ficou, ainda em Maio a queimou e guardou o seu melhor tição para o mês de S. João.

Na inveja adulta, observamos os rostos contorcidos em sorrisos assimétricos, a fuga dos olhos, a lama estampada na curva frouxa da alma. A tez que, mudando de tom, denuncia o horror do não querer como lâmina lancinante do não ser capaz, do não poder. Da cobiça, salivam papilas de veneno subtil que inundam a boca do cuspo bolorento da mente perversa. Lavam-se as palavras em rios poluídos, secam-se-lhes os afectos num sol de escárnio e vestem-se, na pele da língua, como mortalhas traçadas e velhas. Protegem-se em silêncios de denúncia, na calúnia cobarde em actos de desepero amargo. Enfeitam-se de feio e triste, os semblantes. Salivam cães de penúria infesta. E a caravana passa diante de nós traçados ( a)penas.

quarta-feira, junho 13, 2007

Menina dos Olhos de Água

À menina que acorda nas madrugadas tejanas e adormece velhinha com olhos postos no mar.


Os dias vão passando assim cheios como um ovo, sem esperar que a gente separe a clara do dia da gema da noite. Sinto-me uma omelete atirada para a fúria das horas que perderam minutos no trânsito do tempo.

sábado, junho 09, 2007


Ora aqui está uma alternativa que faz todo o sentido.

quarta-feira, junho 06, 2007


Ensaio

Prendes à porta trancada a alma por fechar. estremeces sempre que ela se solta abrindo sorrisos nas vidraças das esperas. cimentas brechas por onde fluis em ondas involuntárias renovando a medula de seiva. alargas-te em quereres que aceitas como dádivas generosas e serenas sem saberes como nem porquê. recebes no corpo das mãos o que rejeitas sem convicção no peito. morro no lado de fora da vida murada que teceste de orgulho. percorro-te na insegurança do não valer a pena e mostro-te a beleza de ser hoje. com um sopro levanto as tuas paredes, instalo um tecto de azul e mar e nas portas navegamos rumo ao sonho inacabado.

sexta-feira, junho 01, 2007


Nas tuas mãos desenho, a sépia, o futuro que só tu saberás as cores.

quarta-feira, maio 30, 2007


Apesar da nebulosidade, o dia amanheceu pedindo ligeireza nas vestes. Maio a finalizar e apetece renovar a imagem. Greve geral às masculinas calças e toca de enfiar uma saia bem feminina numa cor que alegre a Primavera envergonhada que temos experimentado. Fiz greve. Assumida. Às calças também. Mas, na generalidade, o dia correu mal, devido à política caseira que, da outra, já mostrei o meu (des) agrado.

Escolhido um espaço ao ar livre para fazer umas compras que urgiam do calendário aniversariante do pessoal TODO cá de casa, aí vou eu aproveitando a tarde para a tarefa, sempre agradável, quando não se levanta um vento curioso que nos descobre a toda a hora o que era suposto a saia esconder.

Houve quem visse como resultado da greve, que fiz, 12%; houve quem visse 80%; eu senti-me nua e atraiçoada pelo vento e por quem não mostra tento. Amanhã volto às "calças"!

domingo, maio 27, 2007



Santarém investe 1,7 milhões de euros no projecto



"O Jardim das Portas do Sol, a sala de visitas de Santarém que aguarda há décadas por obras de melhoramentos, vai ser requalificado. O presidente da câmara, Francisco Moita Flores, quer dar um novo impulso ao jardim mais emblemático da cidade, com financiamento do programa Polis. O custo da obra será de 1,7 milhões de euros e deve estar concluída no prazo de um ano.Já foi elaborado um projecto prévio por uma equipa de técnicos da câmara, que permitiu lançar o concurso público na segunda-feira. A complexidade do projecto deve-se ao facto do jardim se encontrar numa zona sensível de barreiras instáveis, parte das quais desabaram há seis anos atrás, destruindo dois troços de muralhas medievais, e ao elevado potencial arqueológico do local, que contém vestígios de ocupação humana desde a Idade do Ferro. O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, afirma que se mantêm a filosofia de intervenção, que pretende preservar o jardim romântico, e o programa definido por uma comissão que integrou o arquitecto Ribeiro Teles. Para não perder mais tempo, os técnicos da autarquia elaboraram já um projecto prévio para a requalificação. A valorização do Jardim das Portas do Sol vai implicar a construção de uma nova estrutura de apoio de bar mais leve e contemporânea do que o actual quiosque que será demolido. Será criado um centro de interpretação de apoio ao visitante, com um percurso arqueológico apoiado por sinalética e painéis.O espaço da antiga alcáçova vai ser o ponto de partida para os percursos histórico-culturais da cidade. Vão ser instalados dois miradouros virtuais para auxílio na interpretação e observação da paisagem da lezíria. O projecto contempla a construção de um anfiteatro para espectáculos ao ar livre e um parque infantil. O jardim das Portas do Sol ocupa uma área de 17 320 metros quadrados."

In DN de 27/05/07

Ando a braços com um sonho que não entendo. Não sendo exacto na sequência dos acontecimentos, traz na matriz o mote. Entre ateia e agnóstica me situo e da religiosidade na educação não me safo. Nesta trilogia balanço com a razão a tombar para o cepticismo e o sonho a revelar a necessidade de confissão.

De criança, me lembro da importância que teve em mim a professia quando me anunciava que " A mil chegarás de dois mil não passarás". Recorrendo à matemática da minha vida, depressa percebi que aos quarenta seria apanhada pelo novo milénio e a premonição me arrastaria para o além. Seria velha. Assim me via. Embora, as constantes referências das "raparigas da minha idade...", apregoadas pela avó de sessenta anos, me remetessem para a dúvida. Seria amputada do viver que tanto queria, mas a distância tranquilizava-me e a idade esclareceu-me.

Vejo-me, agora sonhando, emprateleirada à espera do juízo final! Viva e esperando a chamada para julgamento.

Homessa!, mas isto não me diz nada! Os balanços com a consciência vão sendo feitos em sururus internos que do grave não se alimentam nem nele resvalam. A contas com a vida já me senti e a ceifeira da mesma já me rondou em neoplasia que venci. Redobrei no ânimo, deixei crescer as garras em jeito de âncora e, saboreio as alvoradas com colheradas de renascimento e gula de viver. Sugo dos dias a frescura e a serenidade dos quarenta, numa entrega que transforma esta década na melhor da minha vida.

Da leitura nocturna, Orhan Pamuk, em Cidadela Branca, têm-me feito companhia e, alheio ao sonho repetido não será inocente. Espelhos... muitos "espelhos", onde se mistura a realidade e o sonho, uma fábula sobre identidades, onde a questão principal reside em "por que é que eu sou eu?"

Talvez seja o contágio da leitura e esta questão filosófica que me levam a esperar que alguém superior a mim, me diga finalmente, se eu sou aquilo que penso ser, se sou o que vivo ou o que sonho, se...se...se... crises existenciais sempre latentes.

quinta-feira, maio 24, 2007



Poema do Rodrigo, um aluno de 8 anos, que gosta de poesia. Congelem-me a progressão na carreira, mas haverá sempre alguém perto de mim que me manterá a chama acesa. Só por eles vale a pena continuar.


Viver a brincar...

Os adultos diriam:

gostava de ter vivido a brincar!

Um sonho que toda a gente queria realizar!

Impossível! Dizem outros.

Quem é adivinho não diz isso

diz que somos crianças para todo o sempre!

Mas como?

O importante não é a nossa idade

mas sim uma estrela que temos dentro de nós.

Uma luz que nunca se apaga

mesmo quando estamos sós!!!

O importante é não desperdiçar isso

os brinquedos que temos

o amor que nos dão!

É só isto que vos digo:

libertem-se!

Vão ver que conseguem voar até ao outro lado do mundo!

Isto tudo é:

Viver a brincar!

terça-feira, maio 22, 2007

You Make Me Feel Brand New


Ligação directa ao desprezível sentimento da indiferença. Antes vernáculo palavrão que punhais de distanciado silêncio. Sabido, construído, planeado. Bebeu da àgua até saciar a sede e nos últimos goles sente-se o vómito do ego cheio. Pronto a cuspir o alimento que lhe deu energia de erguer a sombra que já não o seguia. Já não precisa, dispensa, ignora, evita, expele da voz o tom da fartura, em evasivos reparos de ocasião. Rápidos, esquivos, assombrados pela crueldade que sabe ferir mas que sadicamente gosta de infligir como vingança exterior de um interior recheado de orgulho.



Tenho a alma a pingar...acho que me piquei nas silvas! Restam-me as nódoas de amora que se esbateram em mim, restos de sucos silvestres que apanhei ao entardecer.

O que vale é que não tenho tempo para pensar em arranhões, chagas e vermelhões, trato tudo com betadine pró corpo que a alma o há-de absorver.

segunda-feira, maio 21, 2007



A telha dos dias



A fúria dos dias atira-me conpulsivamente para o sofá, para a horizontalidade do leito. Resisto ao apelo sedutor da inacção. Chega o anoitecer e fecho as janelas à noite e à vida que me sacode e me bate como a um saco dependurado exposto a boxer enraivecido. Arrefeço esta preguiça física com actividade intelectual que não cola. Não me apetece ler, não me ligo à escrita, as tintas esperam que as mãos peguem nos pincéis e organizem uma orgia de pigmentos, os ombros caem-me numa postura inerte, o Luís Sá irrita-me cada vez mais, a corrida à Câmara de Lisboa parece-me sete(12) cães a um osso duro de roer, já vejo a Helena Roseta a ganir agarrada à canela da esquerda, a Madeleine não aparece( quanto maior o alvoroço mais se esconde o pescoço), a febre liga-me de hora a hora pela voz da minha filha, as Provas de Aferição do 4º ano vão dar que falar e a mim tiraram-me a hora de almoço.


Que é isto?! Mau feitio?Astenia da Primavera? Mas onde é que ela anda?!


O melhor é ir tomar o lítio da avó.


quinta-feira, maio 17, 2007




Edulcorantes fabricados em série...olhar diabético de quem não sente na mesma medida.


Moralismos

Decadência de mentes desmoralizadas, que procuram reconstruir-se, arquitectando sentidos sujeitos a formulário. Especializam-se por temas, repetem-se casseteando vezes sem conta o discurso de nariz levantado, de dedo em riste, numa auto-estima quase sempre reticente. Outros há que de gramáticas de comportamento se tratam, tanta a regra de sintaxe que, para cada caso, alardeiam- para os outros claro! Surgem como pavões de penas descoloridas e perras no leque. De sorriso emperrado e quase sempre empedernidos por falta de humor( de amor?), transformam a vida dos outros em auditórios de seca.

Austeridade na receita é coisa que não me apraz. Gosto de fruir da liberdade, da imaginação e da vontade e com verdades absolutas há muito que me descasei. Do direito e do avesso observo as linhas com que me coso à vida e, pontos há, que nem sempre são aprimorados, pela urgência do momento, pela incerteza do olhar ou instabilidade momentânea, mas nada que me leve à fustigação e ao desnorte da integridade. Se comigo ressalvo pequenos deslizes, aos outros dou o mesmo benefício. Mesmo nos grandes trambolhões com traça de desacerto e de desequilíbrio previsível, existem códigos de jurisprudência que me levam a nunca julgar mas a tentar perceber a perspectiva do acidentado. Coisas da vida, razões que a própria razão desconhece! Nestes casos a palavra dita será sempre para recobro, esperando que ao outro não falte a luz no momento da aprendizagem.

Apegada à moral e à ética e respeitadora do direito, vêm-me esta tolerância de dentro sem necessitar de esforço para a cultivar. Placidez ou apatia dirão alguns. Respeito pelos outros, direi eu, com ausência de moralismos ferrugentos e ácidos de cinismo. Ojectividade ao entender que a vida não é trilho fácil e que cada um vai ripando o trigo da forma que pode. Saibamos reconhecer o jóio que em todos nós lavra e que isso nos leve a entender que na nossa eira ainda há muito por fazer.

De repente, achei-me moralista! Onde está a arma?


Ser mulher...hoje
Sem a arte de dizer, digo! Para quatro mulheres admiráveis, que ontem tiveram um dia muito especial. Mulheres do Ribatejo, onde as emoções se pegam de caras.


No colo do peito amam a vida
entregam de si um brilho de luta
saem da noite em constelação perfeita
e sugam das leis atenta escuta.
Mulheres inteiras de rosto puro
que no fel dos dias travam o acre
misturam sorrisos com pingos de sal
e selam abraços com choro de lacre.
Mulheres meninas, que lançam semente
procurando a pulso o sémen-verdade
entre vírus e pústulas de gente
elevam arribas à perversidade.
Mulheres, mães do mundo
que se afirmam no poder de dar
segregam vontades em torno de si
tingindo de sol a palavra amar!

sábado, maio 12, 2007




Sem pénis, nem inveja mas com toda a admiração

O Verão, as férias, o calor...,o tempo era propício a momentos de lazer que remetiam para tudo e para tudo eu me bastava, sobrando. Descobri-a acidentalmente viajando pelos blogs que ia lendo aqui e ali.Adorei a sua escrita. De Mulher inteira, apelativa, fresca, corajosa no que diz e pensa, docemente atrevida, sem preconceitos, informada e atenta, disciplinada na escrita e na vida. Tornei-me uma fã incondicional do seu blog e visito-a, desde então, com uma regularidade imperativa. Para mim o melhor blog feminino de 2006. Adicionei-o. Da Tati soube que se chama Teresa, sinónimo meu de amiga, pelo sentir forte que que esta denominação representa em mim. Da admiração à simpatia, foi um clic. Agulha em palheiro me sentia neste mundo da blogosfera e, que soubesse da minha existência, na multidão que a visita diariamente, era coisa impensável.
Lançou-me, afinal, um olhar que me surpreendeu, propondo-me um desafio que me chega em duplicado, mas que repetirei com o prazer das coisas simples e o aprazimento do inesperado.


Um beijinho Teresa


(*) Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".


"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada”.

Kahlil Gibram




sexta-feira, maio 11, 2007

Um dos elos a que a Alice me prendeu...

"Escrever é sempre esconder algo de modo que mais tarde seja descoberto."


Italo Calvino

(*) Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".

Agradeço a esta menina singular o desafio e proponho-o aos seguintes bloguers, esperando receptividade: Carecone, Once in a While, Save by the bell e ao professor certinho.
Bom fim-de-semana a todos!

terça-feira, maio 08, 2007




Este blog podia ser, e às vezes até é, um somatório de anedotas. Despretensão a minha e motivos diários o poderiam originar. Pretextos para muro das lamentações também não haveriam de faltar, embora não faça muito o meu género. Mas não resisto a uma pequena lamentação em jeito de anedota. A emoção circula livremente por aqui com as facetas que me moldam a alma e me fundem à vida.
Quis deste blog um encontro comigo...contigo fora da profissão, que para continuidade desta existe outro espaço online. Impossível! Aqui e ali surge a professora a impor-se e a ditar sentenças num espaço que não lhe pertencia, por regra. Deixo-a entrar, desde que não invada de escola o que à escola não pertence.
Mas nós somos um lago de contornos pouco definidos, alargamo-nos com enchentes de ternura, secamos sem afectos, nas margens alagadiças atolamo-nos de risos, de esforço, de contentamento, de insatisfação. Os professores também. Mas não podem. Que um professor devia ser monitorizado para nunca se sentir cansado, nunca ter uma dor de cabeça, uma falta de disposição...enfim, ele não devia ser como os outros seres. Atleta de alta competição, sempre, pronto a enfrentar as olimpíadas ministeriais e educacionais com a vida em entrega total. Ou pensam que se consegue atingir o que nos exigem/exigimos de outra forma?
E, às vezes, ao fim de um dia de mais uma semana exaustiva, o desconhecimento lacustre só pode ser encarado como uma anedota e elemento de fuga para a meditação e reequilíbrio de nós. Pela grandeza da pequenez da coisa e pela pequenez da grandeza que assume.
O João sabe o que é um lago, ele sempre o soube desde que se conhece por gente!, é daquelas coisas que de serem tão intuitivas não se espera que ninguém nos questione, principalmente quando se tem oito anos e o fim-de-semana promete ser tão especial!
- Professora isso é pergunta que se faça numa sexta-feira à tarde, embora na segunda haja teste?! Abre a janela e olha para as flores lindas que ladeiam o lago, repara na erva pintada de verde fresco, olha como os patinhos formam um V perfeito atrás da mãe pata!
Vitória, vitória acabou-se a história!

sexta-feira, maio 04, 2007


Quem o vê engraça logo com ele. Oito anos bem comprimidos num corpinho sem defeito p'ra botar. Em noites de festa, veste a rigor o fato de campino que lhe assenta como em figurino de medidas perfeitas.
Tudo o que é pequenino tem graça e ele ainda a tem, mas já teve mais. Dança o fandango com uma sabedoria nas passadas, que não há ali uma fora de ritmo. Habituou-se a ser centro dos ahs!, daqueles que nele vêem a mascote do Rancho Folclórico.

Do dançarino conheço-lhe os gestos, os hábitos, os gostos. Estes andam próximos da dança, do desenho e da conversa alheia. Gosta de dar fé de tudo, como diz a mãe. Mas a fé arreda-se da escola, que a dança das letras tem truques escondidos que é uma trabalheira desvendá-los. E os números?, o raio dos números até que dão as mãos uns aos outros e dançam o vira num sobe e desce que faz lembrar o Verde Gaio, mas embrulham os conceitos, arrefecem o raciocínio, obrigam a outra marcação que não a da melodia que se cantarola papagueando sem entender.

O lago deu que falar! Meteu água. A propósito dos meios aquáticos, veio o lago à baila. O nosso dançarino não sabia descrever um lago, nem por palavras nem por desenho. Estanquei. Flashes de lagos visualizados e escritos surgiram-me em catadupa. Que fez com eles?!
E do quadro preto se fez lago, com patos e o arvoredo enquadrante. À hora de sair pedi que ficasse. Se não sabia o que era um lago será que perceberia o que era essa coisa de oceano?

-João, já viste um oceano?

- Se vi não me lembro.

- Nunca foste à praia?

- Já(poucas).

- Onde tomas banho, na praia?

- Nos balneários.

[Abracei-o com os olhos. Expliquei-lhe tintim por tintim os mistérios da água no planeta( mais uma vez).]
- Percebeste João?
- Sim, professora. E sabe?, amanhã, vou aprender a desmanchar um porco mais o meu pai e o meu tio.

Por que não me inscrevi ainda no Yoga????

segunda-feira, abril 30, 2007

Portal de mim. Aldraba do tempo. Deixei-me entrar num turbilhão doce de imagens que me trouxeram recordações dum passado tão longínquo quão tranquilo. As manhãs claras de Domingo, longe da escola e dos outros, em que me enroscava a ouvir os sons da casa e da rua num romancear de ilusões. E tudo parecia perfeito. A voz cristalina da mãe que entoava canções de um romantismo tristonho encharcando de sonhos as paredes dos meus olhos, os locutores da rádio com vozes cheirando a quente, os sabores agridoces da cozinha alimentando as papilas de prazer escorrido, o amola-tesouras trazendo a música que me rasgava os lábios...
Mãe, hoje já não cantas assim! E eu tenho tanta pena. Quero aliviar-te o cansaço. Eu vou cantar para ti, embora o trinado em nada se te iguale!

Lisbon story

Frase da tarde:de que vale uma chave sem um beijo?

domingo, abril 29, 2007


Dispo-me do frio das algas dos teus braços, ergo-me entre o calor telúrico e do sangue e dilato-me na serenidade da tua estranha e complexa presença. Varro os cacos do teu caos e recebo as poeiras em higiénica atitude...tua.

sexta-feira, abril 27, 2007


Arranha-me os braços!

E o outro arranhou-a com as unhas cravadas na carne tenra, ciente da dor, incrédulo no pedido e na obediência.

De olhos vivos e doridos por experiências de violência doméstica entre progenitores, a menina excede-se em actos de revolta. Desafiadora e contestatária encapuçada, vítima sempre, mestre de encenação. Chantagia e defende-se com um saber adulto que lhe vem de uma infância moldada pelo engano e pelo desencanto dos que na hora da separação ou no seu encalço não souberam gerir as emoções e exerceram os instintos mais pimários em detrimento da razão e da elevação moral de quem tem filhos que aos dois pertencem. Bens insubstituíveis de valor supostamente intocável que na decadência de uma relação são de ruína frágil, é sabido.

Pasmo, no prazer da dor! Que culpas assumirá que a lavam a tal extremo? Que se passa por detrás daqueles olhos negros?
Fim-de-semana pela frente, mudança de residência e a destabilização sempre em crescente avolumar!

Foi depois de uma estada com o pai que me chegou lavada em lágrimas, recusando-se a entrar na sala de aula para que ninguém gozasse com ela...ninguém goza, mas ela sente-se alvo e no fundo quer a pena. Senti-o. Conversa de mulher para mulher. O tema, o sofrimento, o medo de contar e eu via-me nos seus olhos, era necessário que percebesse que os seus problemas serão sempre meus e que tudo farei para a ajudar. Macabros cenários me assombraram e temi a confissão.

Não foi o que suspeitava. O pai, após uma cena birrenta que terá tido, disse-lhe fora de si ("ele estava a falar a sério, professora!" ):


SE TU CONTINUARES A PORTAR-TE ASSIM, EU MATO-ME!


Hoje correu para ele com os braços marcados pela dor, necessitando de colo e de quem a proteja... para sempre...mesmo dela.

quarta-feira, abril 25, 2007

A melodia viva de Abril!

terça-feira, abril 24, 2007

Jacinta canta Zeca Afonso

Em Santarém cantou-se Zeca Afonso!

domingo, abril 22, 2007



Motivos para sorrir...




- Podem abrir a porta, agora apetece-me entrar, mas a chave fica comigo. Sim, porque se isto correr para o torto eu tenho mais que fazer, além disso esta vida de gabinete empalidece-me muito e sabem como eu gosto de ostentar um bronze de fazer inveja!

sábado, abril 21, 2007

sexta-feira, abril 20, 2007


Amo ninguém
ninguém me ama
vivo solta
nas redes que construo
num silêncio de mar e vento
vou e venho
como um lamento
chamando pela menina
que não vem.
Procuro-a no fundo
das altas paredes
que construí
com ventosas de dor
suporto o esforço
do trilho gasto
corroído pela humidade do tempo
escorrego nas vertentes
gastas pelo desalento
nas fendas profundas
cravo minhas mõas
num desespero
volta menina
levas no cabelo
os anos dourados
que nunca tiveste
que sempre sonhaste
como uma lua prenhe
que incha na noite
e ilumina o caminho dos desamparados.

segunda-feira, abril 16, 2007


Tantos são os dias mundiais que nos perdemos dos menos divulgados e que ao consumismo não trazem benefícios. Sabemos de cor o da Criança, o do Pai, da Mãe, da Mulher, dos Namorados e mais meia-dúzia que vamos registando por excesso de alardo. Não querendo retirar importância à vida emocional, são estes lembretes da essência que deveria ser diária na relação com os outros. Da ascendência, descendência e cara-metade não deveria haver dia, por todos o serem. Mas outros há que passam por nós sem presente comprado na pressa do agrado. Alguns tão importantes que mereceriam honras de primeira página, de abertura de telejornal.

Hoje é Dia Mundial da Voz. Usamo-la a cada instante e não lhe dedicamos a mínima atenção até ao momento que percebemos que alguma disfonia nos ataca. Instrumento de trabalho para muitos. Para mim. Postal de personalidade, amostra do bem estar físico e psíquico do indivíduo. Ansiedade, stress, afectividade, sedução, sensualidade,alegria...e ela muda na intensidade, no timbre, no volume, na melodia. Expressão corporal de alta definição, num misto de cordas, músculos, respiração, postura. Aprender a colocá-la, ouvi-la, regar amiúde as pregas sonoras, fugir de ambientes poluídos e refrigerados, subtrair o tabaco e o álcool, é gostar da voz que temos, preservá-la.

Pelo sim pelo não vou beber um chá de perpétuas roxas e pode ser que acorde com a voz cristalina, pronta para mais um dia de trabalho.

domingo, abril 15, 2007


Que o país tem questões mais importantes para debater não há dúvida, mas da imagem de rigor que se quis passar fica agora a mentira, a dúvida e as respostas atamancadas. O "Gepetto" conseguirá engolir tamanho desaforo?

sábado, abril 14, 2007

LEAOZINHO


Quando for grande!...quis ser polícia, quis ser bombeira, quis mudar o mundo e acreditei demais, quis ser pintora, e pinto com a língua de fora assim como das mãos o talento, quis ser escritora, e escrevinho, quis ser actriz, e fui, quis ser professora, e sou, quis ser veterinária... e adoro animais.
Não é verdade que quanto mais conheço as pessoas mais goste do meu cão. Mas o meu cão é uma das minhas paixões assolapadas que incondicionalmente aceito. Deixo de fazer férias para tratar dele, chorei amarguras quando o vi agonizante, compro-lhe a melhor ração, escovo-o mais vezes por dia do que me penteio a mim, falo com ele como se me entendesse o uivar, espreito-lhe o dormir quando me levanto na calada da noite, aconchego-o nas noites frias, sinto-lhe os suspiros num murmúrio suave de arroubo, embalo-me na ternura que lhe tenho e ele corresponde naquele jeito de gigantão de olhos doces no afável desconhecimento do poder dos seus setenta quilos, que eu abraço e que me derrubariam num abrir e fechar de olhos. Mas ele pestaneja e senta-se como um bebé e aninha-se aos meus pés e guarda-me das tristezas e anima-me os afectos.
Queria muito que tivesse descendência. Duma tentativa frustrada no Verão passado, por cio mal parido, chegou a hora de ter visitas em casa. Tem sido a loucura! Uma Browny toda vivaça invadiu-lhe o espaço. E se a princípio ele tinha ciúmes dos donos e a ela não podíamos dispensar atenções é agora a ela que ninguém pode chegar por ser pertença sua. Não param o dia todo, não há água para tanta sede, que estas coisas do amor precisam de ser regadas para serem bem saboreadas.
Só que há um grave problema!Ele pega-a de cernelha, pela cabeça, por onde deve, a ditosa receptiva faz-lhe o mesmo como a ensiná-lo, mas a diferença de tamanho aqui dita sentença. Uma diferença de cinquenta quilos impede a consumação do acto.Já o ajudei, empurando-o, mas ela cai de focinho. Pois se ela não pode com ele, se o animal tem o dobro do comprimento dela por mais apetrechado que ele seja, a coisa não pega, falta-lhe uns três danoninhos para lhe chegar.
Já sei!, amanhã, este vai ser o seu pequeno-almoço!

quinta-feira, abril 12, 2007


Não há ausentes sem culpa nem presentes sem desculpa. Verifiquei há muito que quando iniciei este blog, lhe dedicava algum do meu tempo, diariamente. Escrevia com alguma disciplina, lia muitos dos meus pares, alguns com uma admiração que ainda hoje professo, num amadorismo viçoso de aprendiz interessado. Hoje verifico que da elasticidade do tempo, que em desatino persigo, fica a constatação que do tanto que há para fazer, porque sim e por prazer, algo tem de ficar para trás. E este humilde recanto de mim fica, por vezes, aqui ao deus dará, sofrendo um mofo de ideias que rejeito. Gosto de ar fresco, de brisas suaves, de odores quentes e vibrantes , de lembranças que me emocionem, de gargalhadas saudáveis, da ternura dos gestos, da mordaz crítica social, do desabafo e do enlaço, o que nem sempre consigo transparecer. Gosto de blogs com ritmo, com vida ...
Aos poucos que passam por este beco que na lezíria do Tejo faz poiso, ficam as culpas assumidas e as desculpas desejadas.

terça-feira, abril 10, 2007


Acabou-se a papa-doce! Toca a levantar cedo! A escola espera por mim.

sexta-feira, abril 06, 2007

quinta-feira, abril 05, 2007


A chave do amor


O ninho de cegonhas, ao alcance da vista, era promessa de fecundidade certa. Adulto, vacinas em dia, exemplar de peculiar formusura inscrita nos genes e acentuada pelos desvelos de que sempre fora alvo durante a sua afortunada existência, ali estava ele, madrugando docemente com especiais cuidados e enlevos para aquela hora da manhã.
Entre espreguiçadelas e beijos, se ia retirando as remelas insistentes, o cerume pastaso que dos ouvidos faz leito, mas com tanto aprumo, que do equilíbrio se despegava com tonturas prazeirosas e esgares de boca e de olhos que assentavam mal a quem a corte se prepara para fazer.
Despegado da alta costura e em nada necessitando dela, pelo ditoso e abençoado corpo, deu-se lustro ao polido fato, bem escovado de poeiras e de algum pêlo desdenhoso de seu dono. Um pouco de exercício para desentorpecer, necessidades matinais feitas com os descuidos repisados a que se habituara, refeição ligeira para dejejum rápido e, estava pronto a receber a menina que os seus olhos haviam de amar.
A meio da manhã, chega a bendita e esperada criatura. Alta, esguia, morena de olhos e de penugens, dócil no trato, sem ar de pêlo na venta, mas demasiado tímida nas relações, para quem apresenta pedigree de tão alto gabarito.
Ele bem tentou e a tentou, com tudo o que a sua curta experiência nestas coisas do amor, lhe permitia fazer. Mas ela nada. Fugidia. Receosa. Dada a namoros com vadios de desmérito... e agora isto!
Perdeu a cabeça! Possante como é, não desperdiçou esforços para dela se aproximar, não obstante ouvir as recomendações de que devia ser paciente e comedido. Mas depressa deixou de escutar quem quer que fosse, já com o engodo erecto e a lábia que Deus lhe deu. Arreganharam-se os dentes, coisa feia de se ver em seres de origem e porte finos, e lá se acalmaram os ânimos, levando cada um para seu lado entre consolações e promessas de dias melhores. Mais receptivos. Este era o primeiro encontro e nada havia a temer!
Nesta coisa do amor, os géneros ditam diferenças, como se sabe. Se eles são dados a intimidades sem precisão de prelúdios, elas requerem envolvência, romantismo, cumplicidades consolidadas e com provas de afecto, que justifiquem o acto.
A chave do amor não se encontra facilmente! Não se abre o coração de uma donzela, por canina que seja, com um " Ó pra mim que sou lindo! Olha o que estás a perder!".
Pois bem!Em mim, das cegonhas fica o mito. Ainda não foi desta que o meu cão conseguiu acasalar, mas guardado está o bocado para quem o há-de comer!



(escrito em Agosto de 2006)