
Ponho o "cavalo" no estábulo e ajeito-lhe ração de ânimo. Amanhã recomeçamos. Agora é tempo de sentir.


Este blog encontra-se neste estado de penúria escrita! Valha-me o Santo YouTube e haja música na ausência das palavras que se adivinha prolongada.
Hoje quero entender pela estética, estática nas palavras, que só uma linguagem que desconheço me seduz, recorro à internacionalidade dos sons num misto de guerra fria sem armas de arremesso.Com lenine na gaveta das recordações capitais e putin desfraldado.

À menina que acorda nas madrugadas tejanas e adormece velhinha com olhos postos no mar.









Moralismos
Decadência de mentes desmoralizadas, que procuram reconstruir-se, arquitectando sentidos sujeitos a formulário. Especializam-se por temas, repetem-se casseteando vezes sem conta o discurso de nariz levantado, de dedo em riste, numa auto-estima quase sempre reticente. Outros há que de gramáticas de comportamento se tratam, tanta a regra de sintaxe que, para cada caso, alardeiam- para os outros claro! Surgem como pavões de penas descoloridas e perras no leque. De sorriso emperrado e quase sempre empedernidos por falta de humor( de amor?), transformam a vida dos outros em auditórios de seca.
Austeridade na receita é coisa que não me apraz. Gosto de fruir da liberdade, da imaginação e da vontade e com verdades absolutas há muito que me descasei. Do direito e do avesso observo as linhas com que me coso à vida e, pontos há, que nem sempre são aprimorados, pela urgência do momento, pela incerteza do olhar ou instabilidade momentânea, mas nada que me leve à fustigação e ao desnorte da integridade. Se comigo ressalvo pequenos deslizes, aos outros dou o mesmo benefício. Mesmo nos grandes trambolhões com traça de desacerto e de desequilíbrio previsível, existem códigos de jurisprudência que me levam a nunca julgar mas a tentar perceber a perspectiva do acidentado. Coisas da vida, razões que a própria razão desconhece! Nestes casos a palavra dita será sempre para recobro, esperando que ao outro não falte a luz no momento da aprendizagem.
Apegada à moral e à ética e respeitadora do direito, vêm-me esta tolerância de dentro sem necessitar de esforço para a cultivar. Placidez ou apatia dirão alguns. Respeito pelos outros, direi eu, com ausência de moralismos ferrugentos e ácidos de cinismo. Ojectividade ao entender que a vida não é trilho fácil e que cada um vai ripando o trigo da forma que pode. Saibamos reconhecer o jóio que em todos nós lavra e que isso nos leve a entender que na nossa eira ainda há muito por fazer.
De repente, achei-me moralista! Onde está a arma?











Dos "grandes portugueses" fica esta imagem, que não constava da lista por ser de um colectivo impróprio para o concurso, mas que por inerência determinava o vencedor. As características que mais o empobrecem reveêm-se no resultado: dados viciados, a astúcia baixa, o jogo de sapa, a sacanice, a ausência de brio interventivo, a deseducação e o sarcasmo como resposta. Acredito que este é um resultado pouco elucidativo da real escolha dos portugueses, mas é um péssimo indício para o estado da democracia portuguesa. A esta hora da madrugada a esperteza saloia parece-me ainda mais repugnante! Sem pingo de glória.Fica o mérito de se ouvir falar da nossa história numa televisão vazia de conteúdo pedagógico.






Uma vida inteira rei e senhor da sua casa. Não era preciso elevar a voz, a presença bastava para que tudo estivesse de acordo com os seus ditames. Ninguém ousava questionar mesmo quando a razão o ordenava. O branco escurecia se essa fosse a sua vontade e quem não visse o negrume era pressionado até que a tal assentisse...ou se calasse para sempre.
Uma vida de actividade intensa em que só o que fazia era merecedor de honra, que o resto falhava sempre por falta de profissionalismo, ausência de brio ou brandura na preguiça. Da graça arredio, que foi talhado sem afecto que desbravasse o lazer e o prazer da gargalhada.
Com os outros, o braço de ferro contínuo, numa postura em que o orgulho ferido, se elevava como dragão e insinuava lançar fogo ao mundo. Perseguido, sempre! Por si próprio.
Envelheceu. Perdeu as capacidades que o elevavam aos seus próprios olhos e da aceitação tardia da velhice, vêm-lhe momentos de fúria e tortura do sono, continuando a centralizar a sua figura no redemoinho familiar, que o apoia sempre.
Quando pela primeira vez se encontra longe do controlável, chora. De medo. De solidão. De pena...de si.
Um velho homem que nunca chegou a ser menino. Respeitado, cuidado, acarinhado, por que se entende que nunca foi feliz porque lhe roubaram a infância!