reflexos de vida no silêncio espelhado da água. fragas de vidro em descontinuidades do olhar ...

sexta-feira, agosto 03, 2007



Alguém me pode explicar isto?


quinta-feira, agosto 02, 2007




Olhava o tecto como limitado horizonte, não se limitando, erguia vigas e placas cimentadas no corpo imóvel que no amanhecer do dia sonhava auroras. Pensava com as amígdalas, na sensação conhecida de que a cada emoção se alagavam estas de embargos pesados e, abrindo comportas, humedeciam o corpo e o rosto num fogo gelado. Duas, uma de cada lado da garganta a saberem dos segredos a alma do negócio.
Afinal quatro!, mais duas, "localizadas na profundidade dos lobos temporais anteriores. Centros identificadores de perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o corpo em situação de alerta, apontando-se para fugir ou lutar. Conjunto nuclear importante para os conteúdos emocionais das nossas memórias."
Com quatro amígdalas em funcionamento pleno, como se justificava que se comportasse como à sua ablação tivesse sido sujeita?




Para J

quarta-feira, agosto 01, 2007

19etrocaopasso


De mim...

Da menina crescida em berço de campo olho as memórias dos tempos perdidos entre achados momentos telúricos. O sabor da terra quente, sentido no lamaçal inventado, sabia a ervas de verdade com flores por descobrir em herbários futuros. Chupar o caule das azedas à mistura com deliciosas flores de marmeleiro era manjar de pequena gourmet, adocicado na brincadeira partilhada, percorrida entre hortas desenhadas em esquadrias sábias da enxada e jardins de intenso cheiro a buxo, trazendo a magia da descoberta.
Motricidade trabalhada na global interacção com o espaço, sentida nos arranhões,nos joelhos esfolados, nas lascas invasivas, nas unhas que subiam as árvores como garras de felino. Ao fim do dia, mugia-se dos limões suco que arredasse sujidade em unhas de carvoeira. No Verão, ao calor expunha cabeça que do chapéu só via serventia para assento, e a cor da pele trigueira metia a mana em apuros" Mãe, vou lavar a Ti com lixívia". Corre-corre de gargalhadas e de sermões.

Quem se servia das unhas desta maneira a elas não dava valor comestível. Nunca dei, nem dou! Aos conselhos empenhados para não roer as unhas, aqui fica escrito, por linhas tortas, que não as roo, senão para figura de estilo aplicada a estados de alma. Não sendo as mesmas amêndoas perfeitas, andam sempre no tamanho certo que não me empate afazeres de meter a mão na massa. Aparadas de peles que rejeito, assim como de vernizes de cores, resplandecem brilho suave que olhos conhecedores sabem dos segredos da manicure ser a base, que em duplicada camada, me chega. Tomaria eu desdizer igualmente vício que as amarelam. Mas um dia destes saberão dessa pequena vitória.

segunda-feira, julho 30, 2007



Por trás dos reposteiros ( novos, que Verão implica mudança para mim) distendo-me do calor abrasador que ferve o sangue de quem trabalha lá fora. Que posso eu fazer? Solidarizo-me. Do ar condicionado fica a secura das mucosas infiltradas em carvão, pulverizado por Slims que para mal dos meus pecados, não largo. O trabalho nas minas é duro! O país serve-se lento, longe das sestas assumidas, perto da languidez da produtividade, a meio-gás, que, A Gosto, vem a caminho pausa merecida para a maioria dos portugueses. Que o diga Paulo Portas que promete feroz oposição para Setembro, que agora com este calor não dá jeito nenhum. Façamos uma pausa que o tempo é de navegação nos iates onde todos(?) somos praticamente amigos...de bebidas estupidamente frescas e de roupas leves e corpos bronzeados e assim...


Entretanto no Jardim fresco, que possuímos(?) algures há "um bicho-carpinteiro que vai moendo a Madeira por dentro"e raspando o que não lhe convém para o "contnente". Já que esta coisa dos referendos aborta facilmente nas águas atlânticas, desde que não seja um escorrega tipo Aqua-show de euros . Que as leis da República se aplicam a todo o território nacional, tinha eu certeza em mim, mas parece que o calor me afectou o sistema neurológico ou estou mesmo a viver na república dos bananas, que se vão refrescando com gelados, batidos de fresco álcool e salada de frutas oxidada pelas temperaturas altas lá de fora e mornas águas de interno descontentamento.


Eu fico assim! Irónica e de garra afiada, desde que deixei de roer as unhas e passei a usar endurecedor e vernizes. Qualquer dia deixo de fumar, passo a roer as unhas novamente e mostro a psicopata que há em mim.

domingo, julho 29, 2007



Sun-tarém


A 10 de Março de 1147 sai de Coimbra um exército composto por alguns Templários, cavaleiros e peonagem, num total de 250 homens, comandado por Mem Ramires, com o fim de conquistar o burgo de Santarém aos Mouros.
Na madrugada do dia 15, depois do sono ter vencido as sentinelas, que se encontravam nos postos de vigia, Mem Ramires e os seus homens entraram no burgo e sem grandes dificuldades, tomaram Santarém.


Hoje, foi a vez do sol, qual toiro enraivecido, apanhando a campinagem a dormir, instalar-se no centro do Ribatejo, como se não houvesse outro lugar para abancar! Dos 42º previstos, aos 45º já chegou! A cidade mais quente do país começa a olhar para o Alqueva como oásis, percebendo que Além Tejo as temperaturas se vão refreando, enquanto o Tejo parece regato de sopa fermentada, cuspida no leito por espanhóis sovinas!

sábado, julho 28, 2007


Porque hoje é sábado e está um dia lindo lá fora...


Um professor de Matemática quis pregar uma partida aos seus alunos e disse-lhes:
- Meninos , aqui vai um problema:

Um avião saiu de Amesterdão com uma velocidade de 800 km/h, à pressão de 1.004,5 milibares; a humidade relativa era de 66% e a temperatura 20,4 graus C. A tripulação era composta por 5 pessoas, a capacidade era de 45 assentos para passageiros, o banheiro estava ocupado e havia 5 hospedeiras (mas uma estava de folga).

A pergunta é... Quantos anos eu tenho?

Os alunos ficam assombrados. O silêncio é total. Então o Joãozinho, lá no fundo da sala e sem levantar a mão, responde:
- 44 anos, professor!
O professor, muito surpreso, olha-o e diz:
- Certíssimo. Eu tenho 44 anos. Mas como adivinhastes?
E o Joãozinho :
- Bem, eu deduzi porque eu tenho um primo que é meio parvo, e ele tem 22 anos...

sexta-feira, julho 27, 2007



Quando há alguns anos me deparei com o livro" Uma Infelicidade Maravilhosa" de Boris Cyrulnik, estanquei. Do autor pouco ou nada sabia. A antítese dos conceitos não me permitiam a concordância. Desconfiei, mas instintivamente peguei no livro, na certeza que após breve leitura, um sorriso de descrédito me confirmasse o que assegurava: nunca a infelicidade poderia ser válida a ponto de se adjectivar de maravilhosa.Charmar-lhe-ia dolorosa aprendizagem, nunca título que se aliasse à Alice no seu mundo. Que disparate!
De pé, li. Currículo do autor interessante, bibliografia magnífica. Interessei-me e comprei.
Relatos de gente (sobretudo crianças), que perante a desconstrução de seu quotidiano encontraram a força para enfrentar e superar a adversidade com a coragem dos heróis.
Verdadeiras epopeias psíquicas que transformam o caos e o desequilíbrio num estado maior de força e de triunfo certos. Resiliência. Foi nesta altura, que a palavra carcinoma me ferrava a bisturi o corpo e a alma, que contactei com o conceito e percebi, na prática, que é possível aplicá-lo." O sobrevivente é um herói culpado por ter morto a morte".
" Quando a realidade é terrível, o sonho dá-nos uma esperança louca. Em Auschwitz, ou durante a guerra..., o super-homem era um poeta".

Dedicado ao Luís e à Ana, com todo o carinho.



quinta-feira, julho 26, 2007


Fotografia roubada aqui.

Gosto de o ser. Mulher sem anos de solidão. Vida comprimida num corpo repartido pelos afectos que me ligam aos outros que me estão próximos e por quem vou tendo o privilégio de me cruzar. Que me dou pouco, peno eu, que me dou demais, alguém me diz. Na entrega de uma palavra, de um sorriso, de um aconchego encontro a demasia certa, quantas vezes esbarrando no excesso de um troco que não mereço. Tenho o que escolhi e dou a quem me escolheu. Na permuta a realização. Na blogosfera sei de nomes, de nicks, de pessoas integras e inteiras que crivei de poeiras estéreis e me engrandecem os momentos de deliciosa ( in)solidão. Visito-os, habitualmente, ao fim do dia. Bato-lhes à porta, tomamos juntos tisana que não dispenso, rio, aprendo, comovo-me, e num até amanhã camaradas me despeço, quantas vezes sem um comentário ter escrito, mas com a certeza de que ali irei voltar. Porque esta comunidade pode...tem, uma força imensa que já se percebe e quem viver verá, gosto de aqui estar.


A Teresa, incluiu-me numa corrente. Não vou partir o elo e encaminho-a para dez blogs que, também eu, gostaria de poder folhear em livro. Se dispensarem o desafio não lhes vai acontecer nada, só uma certeza podem ter : lá pela noitinha eu sentar-me-ei a ler-vos.

quarta-feira, julho 25, 2007



Sonho


A lua banha-me rente. desce em escadaria pela noite fora e pousa-me nos pés da cama onde me deito acordada. silenciam-se as palavras em mostras de gestos inacabados. traduzidos pelo centro do corpo que arde em fogo brando. sustento o ar quente como floresta tropical e salpico-me de sal e húmus. fertilizo o pensamento nos búzios trazidos pela noite e da líquida vegetação transformo a seiva do lugar em alimento sussurrado pelo vento. ondulam prenhes as flores. tremo. a lua caiu redonda no meio da minha cama e eu sou luar e fios de prata e não tenho olhos senão para as crateras que cravou em mim. a noite. pouso a lua no chão. acordo com o sol beijando-me os olhos. incandescente. sonho.

terça-feira, julho 24, 2007




Do fundo da gaveta...(2)

na maciez audível vibram as fibras da carne num banho de ternura alado. sabes da cor dos meus dias como da recta a imensidão. infindável. entre perpendiculares sentidos. obtuosidade aguda nas coincidências singulares. extraordinária proximidade entre mundos paralelos que coincindem para além das regras da geometria palpável. abstracção desmedida entre mãos sem olhos que se entrelaçam ao amanhecer e permanecem em dádiva perante o ocaso da razão. leitura de sons acolchoados num solfejo estremado em escalas de ser sem ter. ausência presente no seio do sol. no colo da lua. embalando constelações em cama de mar. vai-vem na maré que traz os fios da voz. sentida.

segunda-feira, julho 23, 2007




Chegam os dias sem despertador como adereço principal do acordar e madrugo mais cedo, sem sono. A claridade apressada, nesta altura do ano, espreita cedo os recantos do quarto, sucumbindo a sombra dos objectos conhecidos, que rapidamente se reposicionam nos lugares costumeiros, após orgia nocturna. Dia após dia vêmo-los ali na estética esquadria de um dia, longínquo, de inspiração.
Levanto-me de mansinho, para não os assustar. Dos pés saem raízes que se prendem ao núcleo central da terra, não levante eu voo etéreo na leveza dos dias.
Há muito que a passarada da vizinhança conversa numa estridente praça de jorna, regateando o melhor lugar para atacar a comida do Baltazar que dá de bandeja vida fácil a quem por aqui arranja ninho, ou pernoita nas árvores que ladeiam o quintal. Indiferente, o bicho teima com o sono, que lhe pende timidamente a língua entre dentes e a imagem de dona fora de portas tão cedo. Já são horas de passear? Levanta só a cabeça ainda com a língua entre portas. Quer perceber se é mimo nocturno ou se deixou passar a hora. Dorme Baltazar, vim só beber a frescura da manhã e um copo de leite morno.
Regresso à horizontalidade agora ainda mais acolhedora. A vela está torta, a jarra sem flores, as molduras...levanto-me e abro a janela. Hoje, vou mudar o quarto! A madrugada sempre me inspirou.


domingo, julho 22, 2007


Interiores da noite...( má língua)


Não se faz anos todos os dias! Há que comemorar! Estamos todos de acordo. Na recepção a diferença: entrada no bar com pulseira hoteleira em regime de pensão completa ou triagem hospitalar. O aniversariante à porta vestido num rigor bacoco fez-me lembrar o pai no dia do casamento. Casaco branco com linho por nobre escolha fere a vista ao primeiro embate, sapatilha prateada chiando a novo, t-shirt negra onde as letras de prata esboçam uma frase que não dá para ler, devido ao abotoamento certeiro do casaco que apetece desabotoar e mandar ao ar, talvez desse jeito à lua que, na noite inesperadamente fria, vive num quarto crescente de arrepios.
Circula na festa com o ar de anfitrião zeloso para que nada falte, dando ordens com a exigência de quem paga. Afirma-o, alto e bom som, altivo, para que não fique a dúvida de quem manda ali. Charuto cubano na boca que nunca fumou, valha-nos isso! Pasmo! Espero um sorriso que me mostre o dente de ouro, olho a mão na busca da unha adulta e cachucho digno, imagino pulseira e fio de ouro, arreganho o dente para adivinhar o quilate. Abano a cabeça e desfaço a imagem, afinal vi-o crescer!
Da alegria dos 27 anos, não vi o brilho nem sombra. Melhor, só sombra. Sobra-lhe em carros e motos o que lhe falta em acerto. Mal cumpridos e desarrumados aos anos vai somando a arrogância do dinheiro do pai. Mas a este e à zelosa mãe responde com rei na barriga criada a batata frita e a bifinhos ainda hoje limpos de gorduras pelas mãos da progenitora. Um pequeno ditador, na casa sede, que nada faz digno de registo, nem mesmo fingir que estuda. Mas o desejo da noite era mesmo ter casa própria. Paga pelo pai, claro! Lá chegará.

sábado, julho 21, 2007

Hoje, começam as minhas férias! Devia sentir-me assim!







Mas sinto-me assim!




Isto passa!



Porque hoje é sábado e está um dia lindo(?) lá fora...

Dois gajos loiros estavam a trabalhar para o Departamento de Urbanismo. Um escavava um buraco e o outro vinha atrás e voltava a encher o buraco. Trabalharam um lado e outro da rua. Passaram à rua seguinte. Sem nunca descansar. Um escavava um buraco e outro enchia o buraco outra vez. Um espectador divertido com a situação, mas não entendendo o porquê do que eles faziam foi perguntar ao cavador:


- Estou impressionado com o esforço que os dois põem no trabalho, mas não compreendo por que é que um escava um buraco e, mal acaba, o parceiro vem atrás e volta a enchê-lo.O cavador limpando a testa suspira:


- Bem, isto pode parecer estranho porque normalmente somos três homens na equipa, mas hoje o gajo que planta as árvores telefonou a dizer que está doente.

terça-feira, julho 17, 2007



Nas águas mornas do teu colchão

banho-me de espuma.

Vetusta a esperança

se alimenta dos sabores adocicados

da luz trémula da vela que nos vigia

cobiçando o dealbar da realidade

sonhada

propagado em brilho intenso

suspenso no prazer

que se prolonga

para além do estar.

Levito!
Do fundo da gaveta...(1)


A luz do dia acordou cedo esboçando em traços cruéis a imprecisão das horas por viver. Dormias sem sonhar a vingança do outono... o verde das tímidas folhas, veladas no botão embrionário, anoiteceram já velhas, secas, embutidas da dor do nado-morto. Nasceram fora do tempo e a transgressão as levou. Das perenes fez-se a coroa e alinhavada com dor cravejou-se na tua cabeça.

segunda-feira, julho 16, 2007




Post embrionário não publicado a 10 de Junho

Passa-se pelo dia como quem vai ali e já vem! Jangada de pedra sem rumo, ou então, com os descobridores de caminhos desconhecendo dos astrolábios os segredos da navegação. Palas nos olhos e toca andar que a onda vai nesta direcção.

Adenda:

Depois das eleições por Lisboa e da vergonhosa abstenção, não me choca nada que se leia isto:"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha". Aliás, há muito que me sinto . Quem não exerce a cidadania não merece outra coisa!

domingo, julho 15, 2007


Diz quem me conhece que sou pessoa calma. Descamo a pele e procuro encontrar essa serenidade que, no pregão alheio, não se identifica...totalmente. Sinto uma maternidade fraterna com a vida e com os que me cercam. Ouço-os no colo da isenção, sem dedo em riste nos modos, entendendo que cada um é emaranhado de seres criados por nós que se atam e desatam na sensibilidade pessoal, sustentada nas pregas alinhavadas com o mundo, cosidas com linhas cruzadas em pontos complexos que muitos esqueceram o preceito, mas registam no jeito a súmula final.

Aos extremos sou adversa, aos caprichos sem propósito retiro-me, aos impulsos descontrolados olho de soslaio. Reservo dificuldade em entender o descontrolo. Aplaino filtros de malhas precisas mas arremelgo os olhos quando pressinto egos fora do tónus, com recorrência a vitaminoses de soberba, de exagero, de prepotência, de bicos de pés sem ponta por onde se pegue. Centros umbilicais causam-me enfado. Retiro-me. Serei calma na frontalidade assertiva, das palavras ditas na procura do encontro com o outro, na capacidade de rir das fraquezas assumidas sem moléstia de dor.

Lavam-me os pés, para meu desconcerto, pegam-me na planta dos mesmos e, em toques, localizam-me órgãos em reflexologia que desconheço. Só sinto alfinetadas onde a calma se acaba e começa o cansaço de ser calma. Alerta a precisar de meditação.

sábado, julho 14, 2007





Porque hoje é sábado e está um dia lindo lá fora...


Por que cantadas em loiras nao dão certo???


(MALANDRO) - Oi gata... Qual é seu telefone?
(LOIRA) - Nokia. E o seu?
(MALANDRO) - Uau! Isso aqui é uma calçada ou uma passarela de moda?
(LOIRA) - Hum, agora você me pegou... É que eu não sou daqui. Então não sei te informar...
(MALANDRO) - Eu não tiro o olho de você!
(LOIRA) - Ainda bem, né? Senão eu fico cega!
(MALANDRO) - Nossa! Eu não sabia que boneca andava!
(LOIRA) - Sério? Nossa, você tá por fora, hein? Já tem até Barbie que anda de bicicleta!
(MALANDRO) - Que curvas, hein!
(LOIRA) - Nem me fala... Eu bati o carro 7 vezes pra chegar nessa festa!
(MALANDRO) - Esse seu vestido vai ficar lindo jogado no chão do meu quarto!
(LOIRA) - Quer comprar um igual pra fazer um tapete? Eu te indico a loja...
(MALANDRO) - Eu quero o seu amor, gata!
(LOIRA) - Espera só um pouquinho... Amô-or! Tem um moço aqui querendo você!
(MALANDRO) - Me dá seu telefone, vai!
(LOIRA) - Socorro ! Um assalto !
(MALANDRO) - Meu coração disparou quando eu te vi!
(LOIRA) - Socorro! Alguém ajude! O moço está tendo um ataque cardíaco!
(MALANDRO) - Quer beber alguma coisa?
(LOIRA) - Ai, que bom que você apareceu, garçom!




doem-me as pálpebras nos muros fechados, sangram as pétalas nas retinas murchas, agridem-me as palavras sufocadas no mar revoltoso que me encharca a garganta. queimam-se a carvão os traços desenhados no sonho sem sono. só noite. uiva o vento desdenhando o verão em templos perdidos sem si. chilreiam as folhas verdes entre os ramos secos que me ofereces e busco no ninho a asa partida. perdida. solta do corpo e dorida no ventre que se expande em volúpia adormecida. sabia. sei. do teu medo de saber a verdade corroída sem norte. perco-te nas poucas palavras que me dás. sem vida. seco e incho de dor. desmedida.