
sábado, junho 16, 2007

quarta-feira, junho 13, 2007
Menina dos Olhos de Água
À menina que acorda nas madrugadas tejanas e adormece velhinha com olhos postos no mar.
quarta-feira, junho 06, 2007

quarta-feira, maio 30, 2007

domingo, maio 27, 2007

Santarém investe 1,7 milhões de euros no projecto
"O Jardim das Portas do Sol, a sala de visitas de Santarém que aguarda há décadas por obras de melhoramentos, vai ser requalificado. O presidente da câmara, Francisco Moita Flores, quer dar um novo impulso ao jardim mais emblemático da cidade, com financiamento do programa Polis. O custo da obra será de 1,7 milhões de euros e deve estar concluída no prazo de um ano.Já foi elaborado um projecto prévio por uma equipa de técnicos da câmara, que permitiu lançar o concurso público na segunda-feira. A complexidade do projecto deve-se ao facto do jardim se encontrar numa zona sensível de barreiras instáveis, parte das quais desabaram há seis anos atrás, destruindo dois troços de muralhas medievais, e ao elevado potencial arqueológico do local, que contém vestígios de ocupação humana desde a Idade do Ferro. O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, afirma que se mantêm a filosofia de intervenção, que pretende preservar o jardim romântico, e o programa definido por uma comissão que integrou o arquitecto Ribeiro Teles. Para não perder mais tempo, os técnicos da autarquia elaboraram já um projecto prévio para a requalificação. A valorização do Jardim das Portas do Sol vai implicar a construção de uma nova estrutura de apoio de bar mais leve e contemporânea do que o actual quiosque que será demolido. Será criado um centro de interpretação de apoio ao visitante, com um percurso arqueológico apoiado por sinalética e painéis.O espaço da antiga alcáçova vai ser o ponto de partida para os percursos histórico-culturais da cidade. Vão ser instalados dois miradouros virtuais para auxílio na interpretação e observação da paisagem da lezíria. O projecto contempla a construção de um anfiteatro para espectáculos ao ar livre e um parque infantil. O jardim das Portas do Sol ocupa uma área de 17 320 metros quadrados."
In DN de 27/05/07

De criança, me lembro da importância que teve em mim a professia quando me anunciava que " A mil chegarás de dois mil não passarás". Recorrendo à matemática da minha vida, depressa percebi que aos quarenta seria apanhada pelo novo milénio e a premonição me arrastaria para o além. Seria velha. Assim me via. Embora, as constantes referências das "raparigas da minha idade...", apregoadas pela avó de sessenta anos, me remetessem para a dúvida. Seria amputada do viver que tanto queria, mas a distância tranquilizava-me e a idade esclareceu-me.
Vejo-me, agora sonhando, emprateleirada à espera do juízo final! Viva e esperando a chamada para julgamento.
Homessa!, mas isto não me diz nada! Os balanços com a consciência vão sendo feitos em sururus internos que do grave não se alimentam nem nele resvalam. A contas com a vida já me senti e a ceifeira da mesma já me rondou em neoplasia que venci. Redobrei no ânimo, deixei crescer as garras em jeito de âncora e, saboreio as alvoradas com colheradas de renascimento e gula de viver. Sugo dos dias a frescura e a serenidade dos quarenta, numa entrega que transforma esta década na melhor da minha vida.
Da leitura nocturna, Orhan Pamuk, em Cidadela Branca, têm-me feito companhia e, alheio ao sonho repetido não será inocente. Espelhos... muitos "espelhos", onde se mistura a realidade e o sonho, uma fábula sobre identidades, onde a questão principal reside em "por que é que eu sou eu?"
Talvez seja o contágio da leitura e esta questão filosófica que me levam a esperar que alguém superior a mim, me diga finalmente, se eu sou aquilo que penso ser, se sou o que vivo ou o que sonho, se...se...se... crises existenciais sempre latentes.
quinta-feira, maio 24, 2007

terça-feira, maio 22, 2007


segunda-feira, maio 21, 2007

A telha dos dias
Que é isto?! Mau feitio?Astenia da Primavera? Mas onde é que ela anda?!
quinta-feira, maio 17, 2007

Moralismos
Decadência de mentes desmoralizadas, que procuram reconstruir-se, arquitectando sentidos sujeitos a formulário. Especializam-se por temas, repetem-se casseteando vezes sem conta o discurso de nariz levantado, de dedo em riste, numa auto-estima quase sempre reticente. Outros há que de gramáticas de comportamento se tratam, tanta a regra de sintaxe que, para cada caso, alardeiam- para os outros claro! Surgem como pavões de penas descoloridas e perras no leque. De sorriso emperrado e quase sempre empedernidos por falta de humor( de amor?), transformam a vida dos outros em auditórios de seca.
Austeridade na receita é coisa que não me apraz. Gosto de fruir da liberdade, da imaginação e da vontade e com verdades absolutas há muito que me descasei. Do direito e do avesso observo as linhas com que me coso à vida e, pontos há, que nem sempre são aprimorados, pela urgência do momento, pela incerteza do olhar ou instabilidade momentânea, mas nada que me leve à fustigação e ao desnorte da integridade. Se comigo ressalvo pequenos deslizes, aos outros dou o mesmo benefício. Mesmo nos grandes trambolhões com traça de desacerto e de desequilíbrio previsível, existem códigos de jurisprudência que me levam a nunca julgar mas a tentar perceber a perspectiva do acidentado. Coisas da vida, razões que a própria razão desconhece! Nestes casos a palavra dita será sempre para recobro, esperando que ao outro não falte a luz no momento da aprendizagem.
Apegada à moral e à ética e respeitadora do direito, vêm-me esta tolerância de dentro sem necessitar de esforço para a cultivar. Placidez ou apatia dirão alguns. Respeito pelos outros, direi eu, com ausência de moralismos ferrugentos e ácidos de cinismo. Ojectividade ao entender que a vida não é trilho fácil e que cada um vai ripando o trigo da forma que pode. Saibamos reconhecer o jóio que em todos nós lavra e que isso nos leve a entender que na nossa eira ainda há muito por fazer.
De repente, achei-me moralista! Onde está a arma?

entregam de si um brilho de luta
saem da noite em constelação perfeita
e sugam das leis atenta escuta.
Mulheres inteiras de rosto puro
que no fel dos dias travam o acre
misturam sorrisos com pingos de sal
e selam abraços com choro de lacre.
Mulheres meninas, que lançam semente
procurando a pulso o sémen-verdade
entre vírus e pústulas de gente
elevam arribas à perversidade.
Mulheres, mães do mundo
que se afirmam no poder de dar
segregam vontades em torno de si
tingindo de sol a palavra amar!
sábado, maio 12, 2007

O Verão, as férias, o calor...,o tempo era propício a momentos de lazer que remetiam para tudo e para tudo eu me bastava, sobrando. Descobri-a acidentalmente viajando pelos blogs que ia lendo aqui e ali.Adorei a sua escrita. De Mulher inteira, apelativa, fresca, corajosa no que diz e pensa, docemente atrevida, sem preconceitos, informada e atenta, disciplinada na escrita e na vida. Tornei-me uma fã incondicional do seu blog e visito-a, desde então, com uma regularidade imperativa. Para mim o melhor blog feminino de 2006. Adicionei-o. Da Tati soube que se chama Teresa, sinónimo meu de amiga, pelo sentir forte que que esta denominação representa em mim. Da admiração à simpatia, foi um clic. Agulha em palheiro me sentia neste mundo da blogosfera e, que soubesse da minha existência, na multidão que a visita diariamente, era coisa impensável.
Lançou-me, afinal, um olhar que me surpreendeu, propondo-me um desafio que me chega em duplicado, mas que repetirei com o prazer das coisas simples e o aprazimento do inesperado.
sexta-feira, maio 11, 2007
Italo Calvino
(*) Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".
Agradeço a esta menina singular o desafio e proponho-o aos seguintes bloguers, esperando receptividade: Carecone, Once in a While, Save by the bell e ao professor certinho.
Bom fim-de-semana a todos!
terça-feira, maio 08, 2007

Este blog podia ser, e às vezes até é, um somatório de anedotas. Despretensão a minha e motivos diários o poderiam originar. Pretextos para muro das lamentações também não haveriam de faltar, embora não faça muito o meu género. Mas não resisto a uma pequena lamentação em jeito de anedota. A emoção circula livremente por aqui com as facetas que me moldam a alma e me fundem à vida.
Quis deste blog um encontro comigo...contigo fora da profissão, que para continuidade desta existe outro espaço online. Impossível! Aqui e ali surge a professora a impor-se e a ditar sentenças num espaço que não lhe pertencia, por regra. Deixo-a entrar, desde que não invada de escola o que à escola não pertence.
Mas nós somos um lago de contornos pouco definidos, alargamo-nos com enchentes de ternura, secamos sem afectos, nas margens alagadiças atolamo-nos de risos, de esforço, de contentamento, de insatisfação. Os professores também. Mas não podem. Que um professor devia ser monitorizado para nunca se sentir cansado, nunca ter uma dor de cabeça, uma falta de disposição...enfim, ele não devia ser como os outros seres. Atleta de alta competição, sempre, pronto a enfrentar as olimpíadas ministeriais e educacionais com a vida em entrega total. Ou pensam que se consegue atingir o que nos exigem/exigimos de outra forma?
E, às vezes, ao fim de um dia de mais uma semana exaustiva, o desconhecimento lacustre só pode ser encarado como uma anedota e elemento de fuga para a meditação e reequilíbrio de nós. Pela grandeza da pequenez da coisa e pela pequenez da grandeza que assume.
sexta-feira, maio 04, 2007

Do dançarino conheço-lhe os gestos, os hábitos, os gostos. Estes andam próximos da dança, do desenho e da conversa alheia. Gosta de dar fé de tudo, como diz a mãe. Mas a fé arreda-se da escola, que a dança das letras tem truques escondidos que é uma trabalheira desvendá-los. E os números?, o raio dos números até que dão as mãos uns aos outros e dançam o vira num sobe e desce que faz lembrar o Verde Gaio, mas embrulham os conceitos, arrefecem o raciocínio, obrigam a outra marcação que não a da melodia que se cantarola papagueando sem entender.
O lago deu que falar! Meteu água. A propósito dos meios aquáticos, veio o lago à baila. O nosso dançarino não sabia descrever um lago, nem por palavras nem por desenho. Estanquei. Flashes de lagos visualizados e escritos surgiram-me em catadupa. Que fez com eles?!
-João, já viste um oceano?
- Se vi não me lembro.
- Nunca foste à praia?
- Já(poucas).
- Onde tomas banho, na praia?
- Nos balneários.
[Abracei-o com os olhos. Expliquei-lhe tintim por tintim os mistérios da água no planeta( mais uma vez).]
Por que não me inscrevi ainda no Yoga????
segunda-feira, abril 30, 2007
domingo, abril 29, 2007
sexta-feira, abril 27, 2007

Fim-de-semana pela frente, mudança de residência e a destabilização sempre em crescente avolumar!
quarta-feira, abril 25, 2007
terça-feira, abril 24, 2007
sábado, abril 21, 2007
sexta-feira, abril 20, 2007

ninguém me ama
vivo solta
nas redes que construo
num silêncio de mar e vento
vou e venho
como um lamento
chamando pela menina
que não vem.
Procuro-a no fundo
das altas paredes
que construí
com ventosas de dor
suporto o esforço
do trilho gasto
corroído pela humidade do tempo
escorrego nas vertentes
gastas pelo desalento
nas fendas profundas
cravo minhas mõas
num desespero
volta menina
levas no cabelo
os anos dourados
que nunca tiveste
que sempre sonhaste
como uma lua prenhe
que incha na noite
e ilumina o caminho dos desamparados.
segunda-feira, abril 16, 2007

Hoje é Dia Mundial da Voz. Usamo-la a cada instante e não lhe dedicamos a mínima atenção até ao momento que percebemos que alguma disfonia nos ataca. Instrumento de trabalho para muitos. Para mim. Postal de personalidade, amostra do bem estar físico e psíquico do indivíduo. Ansiedade, stress, afectividade, sedução, sensualidade,alegria...e ela muda na intensidade, no timbre, no volume, na melodia. Expressão corporal de alta definição, num misto de cordas, músculos, respiração, postura. Aprender a colocá-la, ouvi-la, regar amiúde as pregas sonoras, fugir de ambientes poluídos e refrigerados, subtrair o tabaco e o álcool, é gostar da voz que temos, preservá-la.
domingo, abril 15, 2007
sábado, abril 14, 2007

Quando for grande!...quis ser polícia, quis ser bombeira, quis mudar o mundo e acreditei demais, quis ser pintora, e pinto com a língua de fora assim como das mãos o talento, quis ser escritora, e escrevinho, quis ser actriz, e fui, quis ser professora, e sou, quis ser veterinária... e adoro animais.
Não é verdade que quanto mais conheço as pessoas mais goste do meu cão. Mas o meu cão é uma das minhas paixões assolapadas que incondicionalmente aceito. Deixo de fazer férias para tratar dele, chorei amarguras quando o vi agonizante, compro-lhe a melhor ração, escovo-o mais vezes por dia do que me penteio a mim, falo com ele como se me entendesse o uivar, espreito-lhe o dormir quando me levanto na calada da noite, aconchego-o nas noites frias, sinto-lhe os suspiros num murmúrio suave de arroubo, embalo-me na ternura que lhe tenho e ele corresponde naquele jeito de gigantão de olhos doces no afável desconhecimento do poder dos seus setenta quilos, que eu abraço e que me derrubariam num abrir e fechar de olhos. Mas ele pestaneja e senta-se como um bebé e aninha-se aos meus pés e guarda-me das tristezas e anima-me os afectos.
Queria muito que tivesse descendência. Duma tentativa frustrada no Verão passado, por cio mal parido, chegou a hora de ter visitas em casa. Tem sido a loucura! Uma Browny toda vivaça invadiu-lhe o espaço. E se a princípio ele tinha ciúmes dos donos e a ela não podíamos dispensar atenções é agora a ela que ninguém pode chegar por ser pertença sua. Não param o dia todo, não há água para tanta sede, que estas coisas do amor precisam de ser regadas para serem bem saboreadas.
Só que há um grave problema!Ele pega-a de cernelha, pela cabeça, por onde deve, a ditosa receptiva faz-lhe o mesmo como a ensiná-lo, mas a diferença de tamanho aqui dita sentença. Uma diferença de cinquenta quilos impede a consumação do acto.Já o ajudei, empurando-o, mas ela cai de focinho. Pois se ela não pode com ele, se o animal tem o dobro do comprimento dela por mais apetrechado que ele seja, a coisa não pega, falta-lhe uns três danoninhos para lhe chegar.
Já sei!, amanhã, este vai ser o seu pequeno-almoço!
quinta-feira, abril 12, 2007

Aos poucos que passam por este beco que na lezíria do Tejo faz poiso, ficam as culpas assumidas e as desculpas desejadas.
sexta-feira, abril 06, 2007
quinta-feira, abril 05, 2007

A chave do amor
O ninho de cegonhas, ao alcance da vista, era promessa de fecundidade certa. Adulto, vacinas em dia, exemplar de peculiar formusura inscrita nos genes e acentuada pelos desvelos de que sempre fora alvo durante a sua afortunada existência, ali estava ele, madrugando docemente com especiais cuidados e enlevos para aquela hora da manhã.
Entre espreguiçadelas e beijos, se ia retirando as remelas insistentes, o cerume pastaso que dos ouvidos faz leito, mas com tanto aprumo, que do equilíbrio se despegava com tonturas prazeirosas e esgares de boca e de olhos que assentavam mal a quem a corte se prepara para fazer.
Despegado da alta costura e em nada necessitando dela, pelo ditoso e abençoado corpo, deu-se lustro ao polido fato, bem escovado de poeiras e de algum pêlo desdenhoso de seu dono. Um pouco de exercício para desentorpecer, necessidades matinais feitas com os descuidos repisados a que se habituara, refeição ligeira para dejejum rápido e, estava pronto a receber a menina que os seus olhos haviam de amar.
A meio da manhã, chega a bendita e esperada criatura. Alta, esguia, morena de olhos e de penugens, dócil no trato, sem ar de pêlo na venta, mas demasiado tímida nas relações, para quem apresenta pedigree de tão alto gabarito.
Ele bem tentou e a tentou, com tudo o que a sua curta experiência nestas coisas do amor, lhe permitia fazer. Mas ela nada. Fugidia. Receosa. Dada a namoros com vadios de desmérito... e agora isto!
Perdeu a cabeça! Possante como é, não desperdiçou esforços para dela se aproximar, não obstante ouvir as recomendações de que devia ser paciente e comedido. Mas depressa deixou de escutar quem quer que fosse, já com o engodo erecto e a lábia que Deus lhe deu. Arreganharam-se os dentes, coisa feia de se ver em seres de origem e porte finos, e lá se acalmaram os ânimos, levando cada um para seu lado entre consolações e promessas de dias melhores. Mais receptivos. Este era o primeiro encontro e nada havia a temer!
Nesta coisa do amor, os géneros ditam diferenças, como se sabe. Se eles são dados a intimidades sem precisão de prelúdios, elas requerem envolvência, romantismo, cumplicidades consolidadas e com provas de afecto, que justifiquem o acto.
A chave do amor não se encontra facilmente! Não se abre o coração de uma donzela, por canina que seja, com um " Ó pra mim que sou lindo! Olha o que estás a perder!".
Pois bem!Em mim, das cegonhas fica o mito. Ainda não foi desta que o meu cão conseguiu acasalar, mas guardado está o bocado para quem o há-de comer!
(escrito em Agosto de 2006)
terça-feira, abril 03, 2007
sábado, março 31, 2007
segunda-feira, março 26, 2007

Dos "grandes portugueses" fica esta imagem, que não constava da lista por ser de um colectivo impróprio para o concurso, mas que por inerência determinava o vencedor. As características que mais o empobrecem reveêm-se no resultado: dados viciados, a astúcia baixa, o jogo de sapa, a sacanice, a ausência de brio interventivo, a deseducação e o sarcasmo como resposta. Acredito que este é um resultado pouco elucidativo da real escolha dos portugueses, mas é um péssimo indício para o estado da democracia portuguesa. A esta hora da madrugada a esperteza saloia parece-me ainda mais repugnante! Sem pingo de glória.Fica o mérito de se ouvir falar da nossa história numa televisão vazia de conteúdo pedagógico.
quinta-feira, março 22, 2007

Somos realmente muito bons no aconselhamento, no delinear de estratégias, no planeamento das curvas e contracurvas dos trilhos alheios e, na nossa seara, medimos milimetricamente o terreno, perscrutamos a cartografia interna com olhares que invadem as vísceras dos sentimentos e, atolados em entranhas remexidas, esperamos o sinal de partida para um fim.
E se os fins fossem os princípios? Esquecemo-nos que chegado um fim entramos num começo. Que adrenalina maior terá algo acabado de começar! Mas é entre o fim e o começo que existe aquele vácuo, aquele soco que sufoca, em que sistemas simpáticos e parasimpáticos se atropelam e nos sentimos ambulantes da vida.
terça-feira, março 20, 2007

sexta-feira, março 16, 2007
quinta-feira, março 15, 2007
Da cidade

A iniciativa surge associada à campanha de cartazes que uma associação tem vindo a promover em várias cidades portuguesas e que apelam ao voto em D. Afonso Henriques no programa da RTP "Grandes Portugueses" e a qual a autarquia decidiu apoiar (nomeadamente facultando os placards).
"Ele lutou pela nossa cidade, vamos lutar por ele", é a frase que nos últimos dias encheu alguns painéis da cidade, além de os jornais locais terem incluído encartes dedicados a D. Afonso Henriques, multiplicando o apelo ao voto no primeiro rei de Portugal.
Francisco Moita Flores, presidente da Câmara Municipal de Santarém, disse à Agência Lusa que as iniciativas que hoje decorrem nas Portas do Sol, direccionadas às crianças das escolas do primeiro ciclo e às famílias, visam também ajudar as crianças a verem o primeiro rei de Portugal com um olhar mais positivo.
É que, num inquérito realizado por um jornal local, as crianças referiram atributos menos positivos de D. Afonso Henriques e a autarquia gostaria que, com a iniciativa de hoje, ficassem com "outra ideia do nosso primeiro rei", afirmou.
Ao longo do dia, jograis, malabaristas, bobos, esgrima, jogos tradicionais, ginástica, um torneio medieval, música da época e, à hora do almoço, porco assado no espeto, vão animar o jardim, situado na antiga Alcáçova, onde se destaca uma estátua do primeiro rei de Portugal."
quarta-feira, março 14, 2007

Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afecto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora".
quinta-feira, março 08, 2007

Umas dicas para eles...
"Não é nada" Deve ser interpretado como a calma antes da tempestade. Significa "alguma coisa", e é sempre um sinal de alarme. As discussões começam com "Não é nada", e costumam acabar com Pois.
"Faz como quiseres..." É sempre um desafio, nunca uma autorização. O homem corre perigo sério se tentar fazer como quer!
Suspiro profundo Na realidade não é uma palavra, mas uma afirmação não verbal que os homens raramente compreendem.
O suspiro significa que o homem é um idiota, e que ela pergunta a si mesma de que serve perder tempo a discutir com um idiota - quase sempre a propósito de "nada."
"Está bem" É uma das afirmações mais perigosas que uma mulher pode fazer a um homem. "Está bem" significa que ela vai pensar bastante antes de decidir como e quando o homem vai pagar o mais caro possível pelo seu erro.
"Obrigada..." Não é aconselhável tentar saber o que ela está a agradecer. O homem acabará por descobrir qual o preço a pagar.
Outras não terão estas frescuras e tratam logo tudo pelos nomes, põem os pontos nos iii e o assunto só fica encerrado quando o bom senso chega e abre caminho ao abraço do sorriso.
quarta-feira, março 07, 2007

segunda-feira, março 05, 2007
Uma vida inteira rei e senhor da sua casa. Não era preciso elevar a voz, a presença bastava para que tudo estivesse de acordo com os seus ditames. Ninguém ousava questionar mesmo quando a razão o ordenava. O branco escurecia se essa fosse a sua vontade e quem não visse o negrume era pressionado até que a tal assentisse...ou se calasse para sempre.
Uma vida de actividade intensa em que só o que fazia era merecedor de honra, que o resto falhava sempre por falta de profissionalismo, ausência de brio ou brandura na preguiça. Da graça arredio, que foi talhado sem afecto que desbravasse o lazer e o prazer da gargalhada.
Com os outros, o braço de ferro contínuo, numa postura em que o orgulho ferido, se elevava como dragão e insinuava lançar fogo ao mundo. Perseguido, sempre! Por si próprio.
Envelheceu. Perdeu as capacidades que o elevavam aos seus próprios olhos e da aceitação tardia da velhice, vêm-lhe momentos de fúria e tortura do sono, continuando a centralizar a sua figura no redemoinho familiar, que o apoia sempre.
Quando pela primeira vez se encontra longe do controlável, chora. De medo. De solidão. De pena...de si.
Um velho homem que nunca chegou a ser menino. Respeitado, cuidado, acarinhado, por que se entende que nunca foi feliz porque lhe roubaram a infância!
sábado, março 03, 2007
sexta-feira, março 02, 2007
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Times like these...
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Drummond de Andrade
sábado, fevereiro 24, 2007

Depuração
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
quarta-feira, fevereiro 21, 2007




















