
Sonho
A lua banha-me rente. desce em escadaria pela noite fora e pousa-me nos pés da cama onde me deito acordada. silenciam-se as palavras em mostras de gestos inacabados. traduzidos pelo centro do corpo que arde em fogo brando. sustento o ar quente como floresta tropical e salpico-me de sal e húmus. fertilizo o pensamento nos búzios trazidos pela noite e da líquida vegetação transformo a seiva do lugar em alimento sussurrado pelo vento. ondulam prenhes as flores. tremo. a lua caiu redonda no meio da minha cama e eu sou luar e fios de prata e não tenho olhos senão para as crateras que cravou em mim. a noite. pouso a lua no chão. acordo com o sol beijando-me os olhos. incandescente. sonho.


















