reflexos de vida no silêncio espelhado da água. fragas de vidro em descontinuidades do olhar ...

sexta-feira, maio 11, 2007

Um dos elos a que a Alice me prendeu...

"Escrever é sempre esconder algo de modo que mais tarde seja descoberto."


Italo Calvino

(*) Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".

Agradeço a esta menina singular o desafio e proponho-o aos seguintes bloguers, esperando receptividade: Carecone, Once in a While, Save by the bell e ao professor certinho.
Bom fim-de-semana a todos!

terça-feira, maio 08, 2007




Este blog podia ser, e às vezes até é, um somatório de anedotas. Despretensão a minha e motivos diários o poderiam originar. Pretextos para muro das lamentações também não haveriam de faltar, embora não faça muito o meu género. Mas não resisto a uma pequena lamentação em jeito de anedota. A emoção circula livremente por aqui com as facetas que me moldam a alma e me fundem à vida.
Quis deste blog um encontro comigo...contigo fora da profissão, que para continuidade desta existe outro espaço online. Impossível! Aqui e ali surge a professora a impor-se e a ditar sentenças num espaço que não lhe pertencia, por regra. Deixo-a entrar, desde que não invada de escola o que à escola não pertence.
Mas nós somos um lago de contornos pouco definidos, alargamo-nos com enchentes de ternura, secamos sem afectos, nas margens alagadiças atolamo-nos de risos, de esforço, de contentamento, de insatisfação. Os professores também. Mas não podem. Que um professor devia ser monitorizado para nunca se sentir cansado, nunca ter uma dor de cabeça, uma falta de disposição...enfim, ele não devia ser como os outros seres. Atleta de alta competição, sempre, pronto a enfrentar as olimpíadas ministeriais e educacionais com a vida em entrega total. Ou pensam que se consegue atingir o que nos exigem/exigimos de outra forma?
E, às vezes, ao fim de um dia de mais uma semana exaustiva, o desconhecimento lacustre só pode ser encarado como uma anedota e elemento de fuga para a meditação e reequilíbrio de nós. Pela grandeza da pequenez da coisa e pela pequenez da grandeza que assume.
O João sabe o que é um lago, ele sempre o soube desde que se conhece por gente!, é daquelas coisas que de serem tão intuitivas não se espera que ninguém nos questione, principalmente quando se tem oito anos e o fim-de-semana promete ser tão especial!
- Professora isso é pergunta que se faça numa sexta-feira à tarde, embora na segunda haja teste?! Abre a janela e olha para as flores lindas que ladeiam o lago, repara na erva pintada de verde fresco, olha como os patinhos formam um V perfeito atrás da mãe pata!
Vitória, vitória acabou-se a história!

sexta-feira, maio 04, 2007


Quem o vê engraça logo com ele. Oito anos bem comprimidos num corpinho sem defeito p'ra botar. Em noites de festa, veste a rigor o fato de campino que lhe assenta como em figurino de medidas perfeitas.
Tudo o que é pequenino tem graça e ele ainda a tem, mas já teve mais. Dança o fandango com uma sabedoria nas passadas, que não há ali uma fora de ritmo. Habituou-se a ser centro dos ahs!, daqueles que nele vêem a mascote do Rancho Folclórico.

Do dançarino conheço-lhe os gestos, os hábitos, os gostos. Estes andam próximos da dança, do desenho e da conversa alheia. Gosta de dar fé de tudo, como diz a mãe. Mas a fé arreda-se da escola, que a dança das letras tem truques escondidos que é uma trabalheira desvendá-los. E os números?, o raio dos números até que dão as mãos uns aos outros e dançam o vira num sobe e desce que faz lembrar o Verde Gaio, mas embrulham os conceitos, arrefecem o raciocínio, obrigam a outra marcação que não a da melodia que se cantarola papagueando sem entender.

O lago deu que falar! Meteu água. A propósito dos meios aquáticos, veio o lago à baila. O nosso dançarino não sabia descrever um lago, nem por palavras nem por desenho. Estanquei. Flashes de lagos visualizados e escritos surgiram-me em catadupa. Que fez com eles?!
E do quadro preto se fez lago, com patos e o arvoredo enquadrante. À hora de sair pedi que ficasse. Se não sabia o que era um lago será que perceberia o que era essa coisa de oceano?

-João, já viste um oceano?

- Se vi não me lembro.

- Nunca foste à praia?

- Já(poucas).

- Onde tomas banho, na praia?

- Nos balneários.

[Abracei-o com os olhos. Expliquei-lhe tintim por tintim os mistérios da água no planeta( mais uma vez).]
- Percebeste João?
- Sim, professora. E sabe?, amanhã, vou aprender a desmanchar um porco mais o meu pai e o meu tio.

Por que não me inscrevi ainda no Yoga????

segunda-feira, abril 30, 2007

Portal de mim. Aldraba do tempo. Deixei-me entrar num turbilhão doce de imagens que me trouxeram recordações dum passado tão longínquo quão tranquilo. As manhãs claras de Domingo, longe da escola e dos outros, em que me enroscava a ouvir os sons da casa e da rua num romancear de ilusões. E tudo parecia perfeito. A voz cristalina da mãe que entoava canções de um romantismo tristonho encharcando de sonhos as paredes dos meus olhos, os locutores da rádio com vozes cheirando a quente, os sabores agridoces da cozinha alimentando as papilas de prazer escorrido, o amola-tesouras trazendo a música que me rasgava os lábios...
Mãe, hoje já não cantas assim! E eu tenho tanta pena. Quero aliviar-te o cansaço. Eu vou cantar para ti, embora o trinado em nada se te iguale!

Lisbon story

Frase da tarde:de que vale uma chave sem um beijo?

domingo, abril 29, 2007


Dispo-me do frio das algas dos teus braços, ergo-me entre o calor telúrico e do sangue e dilato-me na serenidade da tua estranha e complexa presença. Varro os cacos do teu caos e recebo as poeiras em higiénica atitude...tua.

sexta-feira, abril 27, 2007


Arranha-me os braços!

E o outro arranhou-a com as unhas cravadas na carne tenra, ciente da dor, incrédulo no pedido e na obediência.

De olhos vivos e doridos por experiências de violência doméstica entre progenitores, a menina excede-se em actos de revolta. Desafiadora e contestatária encapuçada, vítima sempre, mestre de encenação. Chantagia e defende-se com um saber adulto que lhe vem de uma infância moldada pelo engano e pelo desencanto dos que na hora da separação ou no seu encalço não souberam gerir as emoções e exerceram os instintos mais pimários em detrimento da razão e da elevação moral de quem tem filhos que aos dois pertencem. Bens insubstituíveis de valor supostamente intocável que na decadência de uma relação são de ruína frágil, é sabido.

Pasmo, no prazer da dor! Que culpas assumirá que a lavam a tal extremo? Que se passa por detrás daqueles olhos negros?
Fim-de-semana pela frente, mudança de residência e a destabilização sempre em crescente avolumar!

Foi depois de uma estada com o pai que me chegou lavada em lágrimas, recusando-se a entrar na sala de aula para que ninguém gozasse com ela...ninguém goza, mas ela sente-se alvo e no fundo quer a pena. Senti-o. Conversa de mulher para mulher. O tema, o sofrimento, o medo de contar e eu via-me nos seus olhos, era necessário que percebesse que os seus problemas serão sempre meus e que tudo farei para a ajudar. Macabros cenários me assombraram e temi a confissão.

Não foi o que suspeitava. O pai, após uma cena birrenta que terá tido, disse-lhe fora de si ("ele estava a falar a sério, professora!" ):


SE TU CONTINUARES A PORTAR-TE ASSIM, EU MATO-ME!


Hoje correu para ele com os braços marcados pela dor, necessitando de colo e de quem a proteja... para sempre...mesmo dela.

quarta-feira, abril 25, 2007

A melodia viva de Abril!

terça-feira, abril 24, 2007

Jacinta canta Zeca Afonso

Em Santarém cantou-se Zeca Afonso!

domingo, abril 22, 2007



Motivos para sorrir...




- Podem abrir a porta, agora apetece-me entrar, mas a chave fica comigo. Sim, porque se isto correr para o torto eu tenho mais que fazer, além disso esta vida de gabinete empalidece-me muito e sabem como eu gosto de ostentar um bronze de fazer inveja!

sábado, abril 21, 2007

sexta-feira, abril 20, 2007


Amo ninguém
ninguém me ama
vivo solta
nas redes que construo
num silêncio de mar e vento
vou e venho
como um lamento
chamando pela menina
que não vem.
Procuro-a no fundo
das altas paredes
que construí
com ventosas de dor
suporto o esforço
do trilho gasto
corroído pela humidade do tempo
escorrego nas vertentes
gastas pelo desalento
nas fendas profundas
cravo minhas mõas
num desespero
volta menina
levas no cabelo
os anos dourados
que nunca tiveste
que sempre sonhaste
como uma lua prenhe
que incha na noite
e ilumina o caminho dos desamparados.

segunda-feira, abril 16, 2007


Tantos são os dias mundiais que nos perdemos dos menos divulgados e que ao consumismo não trazem benefícios. Sabemos de cor o da Criança, o do Pai, da Mãe, da Mulher, dos Namorados e mais meia-dúzia que vamos registando por excesso de alardo. Não querendo retirar importância à vida emocional, são estes lembretes da essência que deveria ser diária na relação com os outros. Da ascendência, descendência e cara-metade não deveria haver dia, por todos o serem. Mas outros há que passam por nós sem presente comprado na pressa do agrado. Alguns tão importantes que mereceriam honras de primeira página, de abertura de telejornal.

Hoje é Dia Mundial da Voz. Usamo-la a cada instante e não lhe dedicamos a mínima atenção até ao momento que percebemos que alguma disfonia nos ataca. Instrumento de trabalho para muitos. Para mim. Postal de personalidade, amostra do bem estar físico e psíquico do indivíduo. Ansiedade, stress, afectividade, sedução, sensualidade,alegria...e ela muda na intensidade, no timbre, no volume, na melodia. Expressão corporal de alta definição, num misto de cordas, músculos, respiração, postura. Aprender a colocá-la, ouvi-la, regar amiúde as pregas sonoras, fugir de ambientes poluídos e refrigerados, subtrair o tabaco e o álcool, é gostar da voz que temos, preservá-la.

Pelo sim pelo não vou beber um chá de perpétuas roxas e pode ser que acorde com a voz cristalina, pronta para mais um dia de trabalho.

domingo, abril 15, 2007


Que o país tem questões mais importantes para debater não há dúvida, mas da imagem de rigor que se quis passar fica agora a mentira, a dúvida e as respostas atamancadas. O "Gepetto" conseguirá engolir tamanho desaforo?

sábado, abril 14, 2007

LEAOZINHO


Quando for grande!...quis ser polícia, quis ser bombeira, quis mudar o mundo e acreditei demais, quis ser pintora, e pinto com a língua de fora assim como das mãos o talento, quis ser escritora, e escrevinho, quis ser actriz, e fui, quis ser professora, e sou, quis ser veterinária... e adoro animais.
Não é verdade que quanto mais conheço as pessoas mais goste do meu cão. Mas o meu cão é uma das minhas paixões assolapadas que incondicionalmente aceito. Deixo de fazer férias para tratar dele, chorei amarguras quando o vi agonizante, compro-lhe a melhor ração, escovo-o mais vezes por dia do que me penteio a mim, falo com ele como se me entendesse o uivar, espreito-lhe o dormir quando me levanto na calada da noite, aconchego-o nas noites frias, sinto-lhe os suspiros num murmúrio suave de arroubo, embalo-me na ternura que lhe tenho e ele corresponde naquele jeito de gigantão de olhos doces no afável desconhecimento do poder dos seus setenta quilos, que eu abraço e que me derrubariam num abrir e fechar de olhos. Mas ele pestaneja e senta-se como um bebé e aninha-se aos meus pés e guarda-me das tristezas e anima-me os afectos.
Queria muito que tivesse descendência. Duma tentativa frustrada no Verão passado, por cio mal parido, chegou a hora de ter visitas em casa. Tem sido a loucura! Uma Browny toda vivaça invadiu-lhe o espaço. E se a princípio ele tinha ciúmes dos donos e a ela não podíamos dispensar atenções é agora a ela que ninguém pode chegar por ser pertença sua. Não param o dia todo, não há água para tanta sede, que estas coisas do amor precisam de ser regadas para serem bem saboreadas.
Só que há um grave problema!Ele pega-a de cernelha, pela cabeça, por onde deve, a ditosa receptiva faz-lhe o mesmo como a ensiná-lo, mas a diferença de tamanho aqui dita sentença. Uma diferença de cinquenta quilos impede a consumação do acto.Já o ajudei, empurando-o, mas ela cai de focinho. Pois se ela não pode com ele, se o animal tem o dobro do comprimento dela por mais apetrechado que ele seja, a coisa não pega, falta-lhe uns três danoninhos para lhe chegar.
Já sei!, amanhã, este vai ser o seu pequeno-almoço!

quinta-feira, abril 12, 2007


Não há ausentes sem culpa nem presentes sem desculpa. Verifiquei há muito que quando iniciei este blog, lhe dedicava algum do meu tempo, diariamente. Escrevia com alguma disciplina, lia muitos dos meus pares, alguns com uma admiração que ainda hoje professo, num amadorismo viçoso de aprendiz interessado. Hoje verifico que da elasticidade do tempo, que em desatino persigo, fica a constatação que do tanto que há para fazer, porque sim e por prazer, algo tem de ficar para trás. E este humilde recanto de mim fica, por vezes, aqui ao deus dará, sofrendo um mofo de ideias que rejeito. Gosto de ar fresco, de brisas suaves, de odores quentes e vibrantes , de lembranças que me emocionem, de gargalhadas saudáveis, da ternura dos gestos, da mordaz crítica social, do desabafo e do enlaço, o que nem sempre consigo transparecer. Gosto de blogs com ritmo, com vida ...
Aos poucos que passam por este beco que na lezíria do Tejo faz poiso, ficam as culpas assumidas e as desculpas desejadas.

terça-feira, abril 10, 2007


Acabou-se a papa-doce! Toca a levantar cedo! A escola espera por mim.

sexta-feira, abril 06, 2007

quinta-feira, abril 05, 2007


A chave do amor


O ninho de cegonhas, ao alcance da vista, era promessa de fecundidade certa. Adulto, vacinas em dia, exemplar de peculiar formusura inscrita nos genes e acentuada pelos desvelos de que sempre fora alvo durante a sua afortunada existência, ali estava ele, madrugando docemente com especiais cuidados e enlevos para aquela hora da manhã.
Entre espreguiçadelas e beijos, se ia retirando as remelas insistentes, o cerume pastaso que dos ouvidos faz leito, mas com tanto aprumo, que do equilíbrio se despegava com tonturas prazeirosas e esgares de boca e de olhos que assentavam mal a quem a corte se prepara para fazer.
Despegado da alta costura e em nada necessitando dela, pelo ditoso e abençoado corpo, deu-se lustro ao polido fato, bem escovado de poeiras e de algum pêlo desdenhoso de seu dono. Um pouco de exercício para desentorpecer, necessidades matinais feitas com os descuidos repisados a que se habituara, refeição ligeira para dejejum rápido e, estava pronto a receber a menina que os seus olhos haviam de amar.
A meio da manhã, chega a bendita e esperada criatura. Alta, esguia, morena de olhos e de penugens, dócil no trato, sem ar de pêlo na venta, mas demasiado tímida nas relações, para quem apresenta pedigree de tão alto gabarito.
Ele bem tentou e a tentou, com tudo o que a sua curta experiência nestas coisas do amor, lhe permitia fazer. Mas ela nada. Fugidia. Receosa. Dada a namoros com vadios de desmérito... e agora isto!
Perdeu a cabeça! Possante como é, não desperdiçou esforços para dela se aproximar, não obstante ouvir as recomendações de que devia ser paciente e comedido. Mas depressa deixou de escutar quem quer que fosse, já com o engodo erecto e a lábia que Deus lhe deu. Arreganharam-se os dentes, coisa feia de se ver em seres de origem e porte finos, e lá se acalmaram os ânimos, levando cada um para seu lado entre consolações e promessas de dias melhores. Mais receptivos. Este era o primeiro encontro e nada havia a temer!
Nesta coisa do amor, os géneros ditam diferenças, como se sabe. Se eles são dados a intimidades sem precisão de prelúdios, elas requerem envolvência, romantismo, cumplicidades consolidadas e com provas de afecto, que justifiquem o acto.
A chave do amor não se encontra facilmente! Não se abre o coração de uma donzela, por canina que seja, com um " Ó pra mim que sou lindo! Olha o que estás a perder!".
Pois bem!Em mim, das cegonhas fica o mito. Ainda não foi desta que o meu cão conseguiu acasalar, mas guardado está o bocado para quem o há-de comer!



(escrito em Agosto de 2006)

sábado, março 31, 2007

Se se percorrem veias e artérias segundo monitorizados esquemas de localização; se de seringas se extrai o suco que dirá das mil e uma funções o estado geral corpo; se da engenharia genética nos chegam maravilhosas monstruosidades; se em manómetros e micras visitamos moléculas de DNA, se da vesícula se extrai a pedra sem necessidade de expor o órgão, por que raio, afinal, não se poderá retirar a "pedra" da loucura para alívio do paciente e de quem padece por osmose?
Dos tempos medievais vem a crença da extracção da tenebrosa lápide de sepulcro da razão. Impede a visão da realidade, dos seus contornos e vê-la assim desfocada sem apreciação que se louve, apresentarem-na aos nossos olhos por retinas de ópticas ilusórias e paranóicas, sem possibilidade funcional de reclamarmos a lógica do raciocínio é coisa de difícil aceitação.
Criam padrões de desconfiança e suspeita constantes, de modo que os motivos dos outros são interpretados como malévolos. Negam a existência da doença e qualquer tipo de ajuda. Contrariá-los é aumentar a revolta e a fúria que têm contra o mundo.
Distúrbios de personalidade, insanidade que floresce como um campo de tulipas negras que se multiplicam por bolbos envolvendo em camadas cada vez mais espessas e escuras o que um dia foi luz.

segunda-feira, março 26, 2007



Dos "grandes portugueses" fica esta imagem, que não constava da lista por ser de um colectivo impróprio para o concurso, mas que por inerência determinava o vencedor. As características que mais o empobrecem reveêm-se no resultado: dados viciados, a astúcia baixa, o jogo de sapa, a sacanice, a ausência de brio interventivo, a deseducação e o sarcasmo como resposta. Acredito que este é um resultado pouco elucidativo da real escolha dos portugueses, mas é um péssimo indício para o estado da democracia portuguesa. A esta hora da madrugada a esperteza saloia parece-me ainda mais repugnante! Sem pingo de glória.Fica o mérito de se ouvir falar da nossa história numa televisão vazia de conteúdo pedagógico.

quinta-feira, março 22, 2007




Dos cíclicos ciclos em que circulamos(acentuar os sss) chegam-nos sons sibilosos de uma nostalgia imersa em penas... doridas, saudosas, ressentidas, quebradas como paus secos pelo soalheira do tempo. Tememos finais. Numa infantilidade que não nos vai bem evitamo-los ou permitimos que amadureçam e caiam velhos e caducos. Tempo gasto, desperdício de emoções alongadas, entre incertezas pouco dignas de louvor nos outros e de aparência prudente em nós.
Somos realmente muito bons no aconselhamento, no delinear de estratégias, no planeamento das curvas e contracurvas dos trilhos alheios e, na nossa seara, medimos milimetricamente o terreno, perscrutamos a cartografia interna com olhares que invadem as vísceras dos sentimentos e, atolados em entranhas remexidas, esperamos o sinal de partida para um fim.
E se os fins fossem os princípios? Esquecemo-nos que chegado um fim entramos num começo. Que adrenalina maior terá algo acabado de começar! Mas é entre o fim e o começo que existe aquele vácuo, aquele soco que sufoca, em que sistemas simpáticos e parasimpáticos se atropelam e nos sentimos ambulantes da vida.

terça-feira, março 20, 2007


Passa o tempo naquele ritmo alheio a nós e às nossas vontades. Deixa-nos ali no meio do caminho sem perceber que perdemos o ritmo, que a inércia nos esgotou o andar. Trôpegos nos sentimos sem perceber se o certo é acelerar na continuidade, se parar para retemperar forças, se olhar para trás e ficar por lá num recanto mais temperado de harmonia.
Vai daí, vem aquela bolha de vida que nos faz efervescer e acreditar que ainda é tempo de inovar, de nos transcendermos apesar de tudo desmoronar à nossa volta como um castelo de cartas, novinho em folha mas frágil no equilíbrio.
Rápidos como felinos agarramo-nos à agitação impressa e emergimos do fundo de nós, atravessamos desertos para encurtar caminho, refrescamo-nos em óasis que surpreendentemente nos surgem do nada, imprimimos velocidade e tenacidade ao andamento e criamos spinoffs inimagináveis de rejuvenescimento e liberdade.
Enganos, verdades, reencontros, renovação...vida!

sexta-feira, março 16, 2007

Da baixa incontinente ao trabalho saí sem alta, que ainda era tempo de tratar de mais meia dúzia de assuntos que pendiam da urgência, mas a voz do outro lado pedindo ajuda levou-me a levantar voo directo para casa.
Vê-la só ao fim-de-semana tem premências que se acentuam quando lhe sinto na voz o rogo da presença. Mãe sinto-me mal!Era tudo o que não queria ouvir.
Duas horas de exposição ao sol quente que se fez sentir devem ter ditado a quebra de tensão e a dor de cabeça insuportável que sentia. Mas da agronomia faz caminho e no campo da engenharia dos dias há momentos a que não se pode voltar as costas.
Encontrei-a deitada, com o rosto pálido e o corpo frouxo. Quisera eu todas as dores. Deitei-me ao seu lado. Dos dúcteis braços que só uma mãe tem, envolvi-a num abraço promissor de melhoras. "Mãe passa a tua mão pela minha cabeça...quando passas a tua mão pela minha cabeça é tudo tão verdade..." e adormecemos as duas.

quinta-feira, março 15, 2007


Da cidade



"A Câmara de Santarém promove hoje, no Jardim das Portas do Sol, actividades "medievais" que visam assinalar os 860 anos da tomada de Santarém aos mouros e realçar a importância do primeiro rei de Portugal.
A iniciativa surge associada à campanha de cartazes que uma associação tem vindo a promover em várias cidades portuguesas e que apelam ao voto em D. Afonso Henriques no programa da RTP "Grandes Portugueses" e a qual a autarquia decidiu apoiar (nomeadamente facultando os placards).
"Ele lutou pela nossa cidade, vamos lutar por ele", é a frase que nos últimos dias encheu alguns painéis da cidade, além de os jornais locais terem incluído encartes dedicados a D. Afonso Henriques, multiplicando o apelo ao voto no primeiro rei de Portugal.
Francisco Moita Flores, presidente da Câmara Municipal de Santarém, disse à Agência Lusa que as iniciativas que hoje decorrem nas Portas do Sol, direccionadas às crianças das escolas do primeiro ciclo e às famílias, visam também ajudar as crianças a verem o primeiro rei de Portugal com um olhar mais positivo.
É que, num inquérito realizado por um jornal local, as crianças referiram atributos menos positivos de D. Afonso Henriques e a autarquia gostaria que, com a iniciativa de hoje, ficassem com "outra ideia do nosso primeiro rei", afirmou.
Ao longo do dia, jograis, malabaristas, bobos, esgrima, jogos tradicionais, ginástica, um torneio medieval, música da época e, à hora do almoço, porco assado no espeto, vão animar o jardim, situado na antiga Alcáçova, onde se destaca uma estátua do primeiro rei de Portugal."
Concursos idiotas à parte, estaremos em festa até ao próximo dia 19 de Março, feriado municipal.

quarta-feira, março 14, 2007

Ousadias de uma "pintora" ribatejana...
Flores por Ti.



"Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afecto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora".
Vinicius de Moraes

domingo, março 11, 2007

Recado ao Zé


«Não há desculpas para adiar o que é preciso fazer.»


Ousadias duma "pintora" ribatejana



Porque existem lugares mágicos que nos inspiram...!

quinta-feira, março 08, 2007

She

Uma história de amor para cada um de vós!


Umas dicas para eles...



"Pois" É a palavra que a mulher usa para acabar uma discussão quando ela decidiu que tem razão e quer mandar calar o homem, o qual ainda não entendeu quem tem mesmo razão.


"Não é nada" Deve ser interpretado como a calma antes da tempestade. Significa "alguma coisa", e é sempre um sinal de alarme. As discussões começam com "Não é nada", e costumam acabar com Pois.

"Faz como quiseres..." É sempre um desafio, nunca uma autorização. O homem corre perigo sério se tentar fazer como quer!


Suspiro profundo Na realidade não é uma palavra, mas uma afirmação não verbal que os homens raramente compreendem.
O suspiro significa que o homem é um idiota, e que ela pergunta a si mesma de que serve perder tempo a discutir com um idiota - quase sempre a propósito de "nada."


"Está bem" É uma das afirmações mais perigosas que uma mulher pode fazer a um homem. "Está bem" significa que ela vai pensar bastante antes de decidir como e quando o homem vai pagar o mais caro possível pelo seu erro.


"Obrigada..." Não é aconselhável tentar saber o que ela está a agradecer. O homem acabará por descobrir qual o preço a pagar.

Outras não terão estas frescuras e tratam logo tudo pelos nomes, põem os pontos nos iii e o assunto só fica encerrado quando o bom senso chega e abre caminho ao abraço do sorriso.

Para as mulheres da minha vida!

quarta-feira, março 07, 2007


O começo do fim.
Da melodia
chegam acordes de dissonância
o timbre fere
as notas soltam-se
em espamos incontidos
perde-se a harmonia
de nós
da música restam flaches
de sorrisos
perdidos
guardados
reaprender a afinar sem
instrumentos de precisão
desencanto
angústia de solidão
na ausência dos sons
o silêncio vibra
na presença vivida de ti.

segunda-feira, março 05, 2007

The old man

Uma vida inteira rei e senhor da sua casa. Não era preciso elevar a voz, a presença bastava para que tudo estivesse de acordo com os seus ditames. Ninguém ousava questionar mesmo quando a razão o ordenava. O branco escurecia se essa fosse a sua vontade e quem não visse o negrume era pressionado até que a tal assentisse...ou se calasse para sempre.

Uma vida de actividade intensa em que só o que fazia era merecedor de honra, que o resto falhava sempre por falta de profissionalismo, ausência de brio ou brandura na preguiça. Da graça arredio, que foi talhado sem afecto que desbravasse o lazer e o prazer da gargalhada.

Com os outros, o braço de ferro contínuo, numa postura em que o orgulho ferido, se elevava como dragão e insinuava lançar fogo ao mundo. Perseguido, sempre! Por si próprio.

Envelheceu. Perdeu as capacidades que o elevavam aos seus próprios olhos e da aceitação tardia da velhice, vêm-lhe momentos de fúria e tortura do sono, continuando a centralizar a sua figura no redemoinho familiar, que o apoia sempre.

Quando pela primeira vez se encontra longe do controlável, chora. De medo. De solidão. De pena...de si.

Um velho homem que nunca chegou a ser menino. Respeitado, cuidado, acarinhado, por que se entende que nunca foi feliz porque lhe roubaram a infância!


sábado, março 03, 2007

sexta-feira, março 02, 2007

Coisas de Encantar

Quando eu fechar as portas ao sonho estarei definitivamente velha!

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Christina Aguilera -hurt

Canções da nossa vida? Esta será,sem dúvida nenhuma, uma das minhas.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Times like these...

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Drummond de Andrade



A felicidade não é um prémio e sim uma consequência. O sofrimento não é uma punição e sim um resultado.

R. G. Ingersoll

sábado, fevereiro 24, 2007


Depuração

Desprendo-me das palavras, penalizando a semântica e arranhando a garganta na fuga prestes. Limpo-as, arejo-as, escovo-as, areio-as do trato, lavo uma ou outra que me tenha pregado nódoa e arrumo-as em mim nas gavetas da memória, remetendo-me ao silêncio... entretanto saboreio as emoções em surdina.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007


Depois da viagem...




Em noite de regresso e de passagem para o meu aconchego, pintei isto! Simples como são as coisas que se querem muito dar, simbolicamente, como prova de afecto, como uma flor. Dei-o. Foi a primeira vez que tive coragem de oferecer algo que pinte a alguém.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Da viagem... RembrandtHuis
O moleiro que gostava de pintar. E da tintas fez farinha que amassou com toda a dedicação, fermentada em inúmeras telas reconhecidas, hoje, como obras de um dos maiores génios da pintura de todos os tempos. Foi rico aos trinta, morreu na pobreza, incompreendido pela burguesia a quem não se vergava e gostava de afrontar.
Vi o seu quarto, a sua cama pequena, sua cozinha, seu habitat. No seu atelier senti-lhe o frémito da paixão pela pintura. No cavalete ficou uma tela a meio. Não esta que registo aqui, que não foi a que observei. Mas as fotos que tirei ainda não estão reveladas! Teimosia de alguns que às novas máquinas digitais preferem as antigas, demorando as fotos a chegar às minhas mãos!
Casa Museu, sim! Viva. Com visitas regulares a um pequeno atelier onde se ensina, a alunos de todas as idades, a técnica da serigrafia.
Dos quadros gosto de lhe sentir a ironia, a irreverência do seu modo de ver, o gosto pela retrato psicológico em detrimento do físico, o que conseguiu brilhantemente, daí a sua ruína e desgraça económica, que das outras também foi profícua a sua vida.
Goste-se ou não do género é inegável a precisão fotográfica do seu traço, a pureza da cor e da luz, da noite e do trágico. E da gargalhada sarcástica que enfeitava a visão.
Da viagem...Museu Van Gogh Com a alma cheia de traços e tonalidades regresso.O meu Van Gogh ali exposto em toda a sua dimensão, repartido por quatro andares que demorei a percorrer, onde a multidão me incomodava quando a vontade de me sentar no chão e puxar do lápis e do papel me formigava nas mãos. E aquela outra mão puxando-me à realidade do tempo e me empurrava de mansinho, sem me tocar, indicando que assim não sairíamos dali a tempo do voo. E eu que queria voar sem sair dali, perceber o método , a evolução, as nuances, o sentido dos dez curtos anos que Van Gogh dedicou à pintura!
Cheguei a casa e não resisti! Plagiei-o. Desculpa, mestre! Fraco plágio, pretensão a minha!
A noite passada não descansei enquanto não pintei um quadro. Sim, paixão antiga esta...platónica como o mais romântico dos amores, dando os primeiros passos a medo mas com um desejo intenso de sentir as cores tomando formas que reprimi...insegura.
Mas este ano já deu frutos! Um dia...se calhar mostro!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007




Veneza do Norte

Longe vão os tempos que por estas alturas "assaltávamos" as casas dos amigos, organizávamos festas, inventando máscaras de tudo e de nada numa folia libertadora, propícia à descompressão de um 2º período longo, aproveitando estes poucos mas bem merecidos dias para refrescar o lado leve da vida soltando gargalhadas e sorvendo a delícia da criatividade e dos adornos de entrudo. A crítica social mordaz e certeira sempre na vanguarda, instigando e dando motivos para lambão festejo.

Era ...foi assim! Para muitos, continuará, com algumas alterações, claro, que a tradição vai tendo os dias contados. Nesta fobia de importação, transformou-se o entrudo, num desfile de baianas do Samouco, de coxas perras e roxas de frio... perdi-lhe o gosto! Se posso fujo da confusão, faço as malas e "ala moço, que se faz tarde!"

Doce Veneza, minha misteriosa e romântica Veneza! Linda! Podia ser...Já foi.Minha e de mais 100 mil, nestes dias de loucura de Carnaval! Jurei não voltar em tal altura, nunca mais!

Pois bem, este blog vai de férias! Flutuarei entre diques e canais, se isso me aprouver, terei o Museu Van Gogh, Rijksmuseum, Casa do Rembrandt, casa de Anne Frank... De repente parece que fiquei uma chata! Que querem! Mudam-se os tempos mudam-se as vontades!

Mas claro, falta o outro lado de Amesterdão. Nos coffeeshops quero sentir esse espírito liberal, percebê-lo; no Red Light District, espero não encontrar o avesso da gargalhada. Estou receosa.Do resto da indústria do sexo pouco me vai interessar. Para rematar veremos se vou ao Museu do dito. Irei.

Se houver tempo, de lá darei notícias.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007


Para os cépticos

Dia de S. Valentim para (p)unir Vénus e Marte,num abraço que esbata the confusion of tongues.
Para os eternos românticos
Heart to heart day!

Para os apaixonados
Continuação do sonho de amor!


Para o meu cão...dia de aniversário!

Parabéns, Baltasar! Foste, um dia, o melhor presente!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007


Percorro-me à toa

sem vida que me mereça

rasgo de lembrança.

Levanto a sombra

revelando sobras

de nervuras

que alinhavei na pressa de não ter

com as mãos nervosas

inseguras de ser menos.

Limpo-me as lágrimas

pela metade

entre o sol e as brumas

que me envolvem

e me cospem

na rua onde habitaste

sem viver.

Recuo às cegas no mundo

desventrado por precipícios

pressentidos a cada passo

que não dou,

lançando de mim

tudo o que já não chega para te ter.

sábado, fevereiro 10, 2007



Um pouco de humor sem esquecer que nas questões do amor é necessário "alguma" cabeça fria!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Ainda a TLEBS


Pérolas lidas no SOL:


"A nova gramática está a ser experimentada ao abrigo de uma lei de Salazar "- Ainda dura!

"Deputado do PS faz duras críticas (à TLEBS)"- Entendam-se, vá lá, é que não há paciência!

É que apesar de o Ministério ter anunciado a suspensão da experiência para o próximo ano, as provas deste ano contêm questões relativas à TLEBS. Para os autores da Petição, "não faz sentido" que uma "matéria não validada cientificamente" seja incluída nos exames.


Isto para os interessados . Para ler com calma num fim-de-semana de reflexão e voto consciente.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007


Waterworld



Após longa meditação, uma verdadeira viagem ao Waterworld em busca de terra seca e firme...cheguei à conclusão que sou fiel aos amores antigos!

Eu é que não quero...porque se ele deixasse!

Ah, a propósito de WaterWorld, hoje há Verdade e Consequência, na RTP, as alterações climáticas estão na ordem do dia, que pena erraram o século!, e Al Gore, que passou por Lisboa, quer dar uma banhada a Bush.

Andamos todos mergulhados em águas turvas e o futuro apresenta-se tórrido!

Deus me livre!, já não quero mais meditações. Agora vou ali reunir-me com um núcleo do Movimento pelo SIM e volto já!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007



Pausa

Estou em meditação! Que isto de fazer anos não é só somar e andar, lavar o cabelo e esquecer the internal combustion engine!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Dia de Anos

Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos!
Que tolo!Ainda se os desfizesse...
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!
Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!
Não faça tal: porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa: que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.
Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!
João de Deus

Obrigada!

domingo, fevereiro 04, 2007




Já fui , sou e serei
planalto de vida, na enorme
planície, onde flori e secarei
Do passado, as sombras brancas da lonjura
ocupam um ninho as palhas
que me acalentam
as noites frias de temor
sem mágoas mas sem ardor
Vida vivida
mais de metade já sentida
que da outra venha outro tanto
De tudo espero,
recupero!
Tela pintada à toa
dissera do que senti

sábado, fevereiro 03, 2007



Quem fala verdade não merece castigo?


A bandeira de Portugal foi agitada na China . Estranhei a heráldica. Do verde da esperança surgiu-me o negro da pobreza; o vermelho escureceu, representando o "sangue"que pouco fervilha coagulando rapidamente, enquistado na fraqueza reivindicativa; a esfera armilar manteve-se como arma de arremesso de um passado bem longínquo de funestas glórias; os castelos deram lugar a dragões chineses, escudos futuros da económia pujante; as cinco chagas de Cristo mantiveram-se para lembrar a todos que como Ele também nós nos devemos submeter ao desprendimento dos bens materiais.


E eu na escola a ensinar aos meus alunos, a mostrar e a falar da OUTRA, da que emociona sempre quando a vejo desfraldada e de um povo triste que um dia venceu a tristeza e recuperou a esperança!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007


Da semana e desta campanha pelo SIM, congratulo-me registar a GRANDE ENTREVISTA com Alexandre Quintanilha.