reflexos de vida no silêncio espelhado da água. fragas de vidro em descontinuidades do olhar ...

terça-feira, julho 10, 2007



Passam rostos, tocam-se mãos, trocam-se olhares, soltam-se risos, ideias, conceitos. Na nata dos dias ficam vagas ou profundas vontades de saber mais de quem se cruzou connosco na vida. Alguns, vivem ali diariamente, partilhamos os mesmos espaços, mas não vivem em nós. É como se as sementes não germinassem pela falta de nutrientes, salobridade distante que impede a fecundidade, manta-morta desnutrida em salgadiço terreno.

Outros alimentam as relações na distância como se presentes diários nos enviassem ao ser. Vêmo-los como ocasos na solidão, sabê-los é ter companhia certa e, dos momentos vividos no plural, fazem-se festas que nos animam as ausências.



segunda-feira, julho 09, 2007



Uivam os ventos num desnorte de mudança geológica, batendo nas portadas das gentes atadas na sorte da inversão do magnetismo polar. Regista-se nos corpos o que das mentes emana entre derivas e certezas por catalogar. Sintomas genéricos sem marca registada que indique composição melhorada para cura promissora. Prevenção varrida das tábuas bíblicas por vento holocáustico da humanidade insana. Fragmentos de alento anuem aos restos de valentia que se empurram a soldo de vontades cansadas. Saem p'rá vida como descontinuidades, como a escrita que se lê aos solavancos. Perra.

domingo, julho 08, 2007


Reclamam-me. Desço às alturas das exigências diárias com a mente ausente nas catacumbas que pairam atmosfericamente, longe das cavernas metafóricas de Platão. Espero!Massajo o plexo solar contrariando o movimento biológico do relógio. Inspiro. Reparo nas moscas mutantes que me surgem do nada e no alado movimento Live Earth sustento a esperança da quebra da inércia. Medito. Nas Sete Maravilhas da noite viajo ao piano com Chopin. Sereno. O Ribatejo fora da classificação nacional, mas a nova Passagem da Lezíria a unir-nos as margens. Atravesso-me. Descalço o betão e entro no rio em barco desbotado pelo tempo, incito os cães que me seguem a nado sabendo da corrente as manhas. Risco as águas frescas e limpas da memória com as mãos que tive. Encontro-me.

quinta-feira, julho 05, 2007


Estico com o olhar o lençol escuro que percorre a planície. Da janela aberta de mim para o mundo, hoje cheira a Verão . Na borda d'água coaxam batráquios lançando no ar o retinido cheiro a lamaçais quentes. O bordo alaranjado do horizonte entre pinceladas de azul e salpicos de luzes promete manhã luminosa e tecidos leves entrelaçando os corpos na vida. Sinto uma leveza curtida no ar morno que me invade e a brisa sai de mim em lufadas de vapor sereno.

Ponho o "cavalo" no estábulo e ajeito-lhe ração de ânimo. Amanhã recomeçamos. Agora é tempo de sentir.

quarta-feira, julho 04, 2007



Obrigada Xantipa!


Tenho andado tão arredada da blogosfera que só agora reparei que tinha um prémio! A Senhora Sócrates atribuiu a este modesto blog um molho de grelos que sinto alguma relutância em aceitar, pela invisibilidade a que me remeti, ultimamente. Do gosto pela escrita não me safo é verdade e que ela me tem acompanhado no meu dia a dia também. Só que noutras andanças que da escola não são alheias. Há quase duas semanas que vi as minhas crianças dizerem-me adeus entre abraços e sorrisos e promessas de saudades já sentidas e, no entanto, presencio as minhas tarefas a grelarem no tempo, numa desdobra de mim que tem sido difícil de gerir. Coisas de professora "quase" titular, sobre quem recaem cargos e mais cargos que se abraçam na responsabilidade e dela se alimentam.
Cuido da horta como posso e dos vegetais perfilho o paladar, excepção feita aos ditos humanos que me enfadam na ausência de fotossíntese cerebral.
Pois, está entregue o ramalhete dos grelos e, agora tenho de nomear cinco mulheres, com blogues não colectivos, ( vai ser difícil, porque já estão quase todas aqui da lista ao lado servidas... meritoriamente) e enviar para o blogue com grelos.

Encaminho o prémio para: Once in a while, Serendipity, Fábulas, Estes Momentos e Leonoreta.


«O Prémio "Blogue com grelos" premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta, ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e com isso tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor. A escrita no feminino, em toda a net lusófona tem que ser distinguida»


sexta-feira, junho 22, 2007

Runaway

Este blog encontra-se neste estado de penúria escrita! Valha-me o Santo YouTube e haja música na ausência das palavras que se adivinha prolongada.

terça-feira, junho 19, 2007

Silêncio

...que eu preciso trabalhar!

segunda-feira, junho 18, 2007

domingo, junho 17, 2007

Maxwell-Ascension (Don't Ever Wonder)



Eu bem disse que ele estava desfraldado! Do outro já lhe colhecemos a incontinência fecal com que aromatiza o planeta!

Utomlennoe Solnce

Hoje quero entender pela estética, estática nas palavras, que só uma linguagem que desconheço me seduz, recorro à internacionalidade dos sons num misto de guerra fria sem armas de arremesso.Com lenine na gaveta das recordações capitais e putin desfraldado.

sábado, junho 16, 2007

Crazy

Na tarde de chuvas mornas, esperando que aconteça...o Verão.


Em Abril queima a velha o carro e o carril, uma camba que ficou, ainda em Maio a queimou e guardou o seu melhor tição para o mês de S. João.

Na inveja adulta, observamos os rostos contorcidos em sorrisos assimétricos, a fuga dos olhos, a lama estampada na curva frouxa da alma. A tez que, mudando de tom, denuncia o horror do não querer como lâmina lancinante do não ser capaz, do não poder. Da cobiça, salivam papilas de veneno subtil que inundam a boca do cuspo bolorento da mente perversa. Lavam-se as palavras em rios poluídos, secam-se-lhes os afectos num sol de escárnio e vestem-se, na pele da língua, como mortalhas traçadas e velhas. Protegem-se em silêncios de denúncia, na calúnia cobarde em actos de desepero amargo. Enfeitam-se de feio e triste, os semblantes. Salivam cães de penúria infesta. E a caravana passa diante de nós traçados ( a)penas.

quarta-feira, junho 13, 2007

Menina dos Olhos de Água

À menina que acorda nas madrugadas tejanas e adormece velhinha com olhos postos no mar.


Os dias vão passando assim cheios como um ovo, sem esperar que a gente separe a clara do dia da gema da noite. Sinto-me uma omelete atirada para a fúria das horas que perderam minutos no trânsito do tempo.

sábado, junho 09, 2007


Ora aqui está uma alternativa que faz todo o sentido.